Artigos de Aconselhamento Médico Generalista

Terapia da Fala

Quem é o Terapeuta da Fala?

O Terapeuta da Fala é o profissional responsável pela prevenção, avaliação, intervenção e estudo científico das perturbações da comunicação humana, englobando não só todas as funções associadas à compreensão e expressão da linguagem oral e escrita mas também outras formas de comunicação não verbal.

O Terapeuta da Fala intervém, ainda, ao nível da deglutição (passagem segura de alimentos e bebidas através da orofaringe de forma a garantir uma nutrição adequada).

O Terapeuta da Fala avalia e intervém em indivíduos de todas as idades, desde recém-nascidos a idosos, tendo por objetivo geral otimizar as capacidades de comunicação e/ou deglutição do indivíduo, melhorando, assim, a sua qualidade de vida (ASHA, 2007).

Onde pode executar as suas funções:

O Terapeuta da Fala pode exercer as sua funções em Instituições de prestação de cuidados de saúde primários, diferenciados e continuados (centros de saúde, hospitais, centros de medicina de reabilitação), instituições particulares de solidariedade social, instituições de reinserção social, centros de dia e lares de idosos, creches e jardins de infância, escolas do ensino básico e secundário, estabelecimentos de ensino particular e cooperativo, área da Investigação e/ou docência, unidades de investigação, universidades públicas e privadas, consultórios / gabinetes / clínicas privadas, domicílio dos utentes e empresas de cuidados ao domicílio.

Áreas de intervenção

COMUNICAÇÃO
Doenças degenerativas do Sistema Nervoso Central (SNC), autismo e alguns síndromes podem condicionar a comunicação da criança / adulto, impossibilitando o uso da fala e/ou linguagem escrita para comunicar. Neste sentido o Terapeuta da Fala intervém adequando e instalando um sistema aumentativo e/ou alternativo à comunicação.

LINGUAGEM ORAL
A linguagem é considerada a forma de comunicação por excelência e exclusiva do ser humano, permitindo a troca de ideias, a expressão de sentimentos, a interação e a aprendizagem.

A Linguagem Oral compreende a componente expressiva e compreensiva e é composta por 4 elementos linguísticos: a semântica (reconhecimento, significado e relação entre as palavras), a morfossintaxe (conhecimento implícito das regras sintáticas e morfológicas necessárias para a construção de frases gramaticais), a fonológica (reconhecimento dos sons da fala) e a pragmática (capacidade de adequação da linguagem ao contexto). As alterações da linguagem oral podem ocorrer durante o desenvolvimento da criança ou após acidentes neurológicos, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), Traumatismos Crânio-encefálicos (TCE) entre outros.

O Terapeuta da Fala intervém na aquisição ou reabilitação da linguagem oral, avaliando a(s) componente(s) afetada(s) e as áreas linguísticas comprometidas.

LINGUAGEM ESCRITA
A linguagem escrita, ao contrário da linguagem oral, pressupõe uma aprendizagem explícita dos grafemas que convertem a linguagem oral em linguagem escrita. O Terapeuta da Fala intervém nos casos de dificuldade de aprendizagem da leitura e escrita.

ARTICULAÇÃO
A articulação verbal consiste na produção oral dos fonemas/sons. Para uma articulação correta dos sons é necessário que as estruturas e os músculos orofaciais estejam sadios. Alterações neurológicas (como os Acidentes Vasculares Cerebrais ou os Traumatismos Crânio-Encefálicos) ou imaturidade dos músculos orofaciais são algumas das causas de alterações na articulação.

FLUÊNCIA
A fluência consiste na capacidade de encadear os sons da fala de forma contínua, possibilitando assim um discurso fluente, com ritmo e pausas adequadas. Um discurso não fluente carateriza-se por bloqueios no início da emissão, repetições ou prolongamentos de sílabas e pausas excessivas que se produzem numa gaguez.

VOZ
A voz é um mecanismo fisiológico que permite a emissão de som durante a fala. Alteração na qualidade vocal indica alteração ao nível da estrutura ou do movimento das cordas vocais, que pode ter origem orgânica (nódulos, pólipos) ou funcional (mau uso ou abuso vocal).

O Otorrinolaringologista é o médico responsável pela realização do exame e diagnóstico da causa da alteração vocal. O Terapeuta da Fala intervém na prevenção da sintomatologia, na cessação dos maus usos e abusos vocais e na prática de saúde vocal.

DEGLUTIÇÃO
A deglutição consiste na capacidade de ingestão de alimentos e é dividida em 4 fases (preparatória, oral, faríngea e esofágica). Por questões neurológicas ou mecânicas pode ocorrer dificuldades em uma ou mais fases da deglutição, comprometendo assim uma nutrição e hidratação segura. O Terapeuta da Fala avalia e intervém na reabilitação da deglutição.

MOTRICIDADE OROFACIAL
Relaciona-se com o desenvolvimento, aperfeiçoamento e reabilitação dos órgãos fonoarticulatórios e região cervical, bem como das respectivas funções estomatognáticas (a sucção, a mastigação, a respiração e a fala).

Sarampo

O que é o Sarampo?

O sarampo é uma infeção provocada por um vírus. É uma das infeções mais contagiosas e transmite-se de pessoa-a-pessoa, por via aérea, através de gotículas ou aerossóis de pessoas infetadas (por exemplo, tosse ou espirro).
Habitualmente a doença é benigna mas, em alguns casos, pode ser grave ou levar à morte.

Pode complementar a informação em Sarampo (página da Direção-Geral da Saúde).

Como posso prevenir o Sarampo?

A vacinação é a principal medida de prevenção. É gratuita e está disponível para todas as pessoas presentes em Portugal.

As pessoas não vacinadas e que nunca tiveram sarampo têm uma elevada probabilidade de contrair a doença se forem expostas ao vírus.

Em caso de contacto com um caso de sarampo, contacte de imediato o Centro de Contacto do SNS / Linha Saúde 24 (808 24 24 24) ou consulte o seu médico assistente/equipa de saúde.

Quais são os sinais e sintomas do Sarampo?

Início com febre e mal-estar, seguido de rinite/rinorreia (corrimento nasal), conjuntivite e tosse.

De seguida e nalgumas situações podem surgir uns pontos brancos no interior da bochecha, cerca de 1-2 dias antes do aparecimento da erupção cutânea.

Aparecimento da erupção cutânea (“manchas” que se iniciam na face e que depois se espalham para o tronco e para os membros), febre alta e prostração.

Se estes sinais/sintomas surgirem, contacte o Centro de Contacto do SNS / Linha Saúde 24 (808 24 24 24) ou consulte o seu médico assistente/serviço de saúde.

Se eu tiver sintomatologia compatível com Sarampo, o que acontece?

Vai ser aconselhado a restringir os contactos sociais para evitar o contágio de outras pessoas, até 4 dias após o início da erupção cutânea.

Vão ser-lhe colhidos produtos biológicos (sangue, urina e fluidos orais) que serão enviados para o Instituto Ricardo Jorge (Lisboa) para confirmação ou não do diagnóstico de sarampo.

Os profissionais de saúde vão precisar de saber as pessoas com quem contactou (durante o período de contágio) para as proteger (irá ser verificado o estado vacinal dos contactos). Em função do estado vacinal, serão vacinadas ou administrada a imunoglobulina, se indicado.

 

 

Informação cedida pela Direção Geral da Saúde e SNS

Ecocardiograma

Dr.ª Ana Isabel Azevedo

O que é um Ecocardiograma com Doppler?

Um ecocardiograma com Doppler é um exame que utiliza ultrassons para gerar imagens das câmaras cardíacas (aurículas e ventrículos), das válvulas e dos grandes vasos sanguíneos (veias e artérias) que entram e saem do coração. O estudo Doppler permite avaliar e quantificar padrões e velocidades do fluxo sanguíneo através das diferentes estruturas cardíacas.

O exame é realizado com uma sonda que é colocada sobre o peito, a barriga e o pescoço, para observar o coração sob diferentes perspetivas. A sonda emite ultrassons que, atingindo as estruturas cardíacas, fazem eco e retornam à sonda, que as deteta. Esses ecos são transformados em imagens que são visualizadas num ecrã.

Para que é utilizado o Ecocardiograma?

O seu Médico poderá requisitar um ecocardiograma para avaliar a estrutura e função do seu coração.

Com este exame é possível:

  • Avaliar o tamanho e forma das câmaras do coração, bem como a espessura e movimento das suas paredes;
  • Quantificar a função do coração (força de contração);
  • Observar o funcionamento das válvulas e detetar possíveis alterações, como problemas na abertura (estenose) ou no encerramento (insuficiência) valvulares;
  • Avaliar a membrana que circunda o coração – o pericárdio;
  • Detetar alterações nos grandes vasos sanguíneos que contactam com o coração;
  • Identificar massas ou trombos dentro do coração, bem como comunicações anormais entre as câmaras cardíacas;

Quais são os riscos de realizar um Ecocardiograma?

O ecocardiograma é um exame indolor, sem efeitos secundários, que não utiliza radiação ionizante.

Como me devo preparar para o exame?

Não precisa de preparação específica para este exame: não é necessário jejum.

O que acontece durante a realização do Ecocardiograma?

O ecocardiograma pode ser realizado por Médicos Cardiologistas ou por Técnicos de Cardiopneumologia sendo, neste caso, submetidos a validação por um Médico Cardiologista.

Ser-lhe-á solicitado que retire a roupa da cintura para cima e se deite numa marquesa. O Técnico colará elétrodos no peito, para registar os batimentos cardíacos ao mesmo tempo que são adquiridas as imagens. A sala estará escura para que se consigam ver melhor as imagens. Um gel é colocado na sonda, para conduzir os ultrassons. De seguida, a sonda é deslizada sobre o peito, barriga e pescoço.

Poderá ser-lhe pedido para suster a respiração ou respirar fundo, para melhorar a qualidade das imagens.

O que acontece após o exame?

O gel remanescente sobre o corpo será limpo e poderá vestir-se. As imagens gravadas serão revistas e interpretadas por um Médico Cardiologista, que elaborará o relatório do exame.

Neurofisiologia

Dr.ª Maria José Teixeira – Neurofisiologista CMP

“Nos últimos anos, as Neurociências sofreram desenvolvimentos espectaculares, que permitem hoje compreender muito melhor as doenças do Sistema Nervoso.

A Neurologia e a Neurocirurgia são atualmente capazes de tratar muitos mais doentes atingidos por estas doenças, melhorando a qualidade e prolongando  o tempo de vida. Para isto o muito maior conhecimento em várias Ciências que incluem a Biologia Molecular, a Imagiologia, a Genética, a Neuroquímica, a Neuroimagiologia e a Neurofisiologia foram fundamentais com um impacto decisivo na vida das pessoas.
O estudo da função do cérebro, tem constituído o grande desafio com a RMN funcional e a tractografia a constituírem avanços tecnológicos muito importantes.

A compreensão dos distúrbios da função do cérebro e dos nervos é também a área de intervenção da Neurofisiologia Clínica.

De facto muito se evoluiu desde algumas décadas atrás, que se conseguiram os primeiros registos da atividade elétrica cerebral com a Eletroencefalografia (EEG) pensando-se nessa altura que muitos segredos do cérebro estavam descobertos!

Não era verdade.

Nos anos seguintes este exame sofreu evoluções importantes e para além da sua utilização em áreas diversas que vão desde os cuidados intensivos à pediatria, é hoje possível tratar melhor a epilepsia e nomeadamente com a ajuda do vídeo- EEG melhorar a qualidade de vida de doentes com formas particularmente graves desta doença.

A Eletromiografia – EMG consegue avaliar a condução dos nervos periféricos e as características da contração dos mais diversos grupos musculares sendo fundamental em doenças tão variadas como o síndrome de túnel cárpico, as polineuropatias, as hérnias discais, lesões nervosas provocadas por traumatismos ou o atingimento dos nervos periféricos em situações diversas que vão da diabetes às consequências da rádio ou quimioterapia.

Os Potenciais Evocados (PE) visuais, auditivos ou somatosensitivos avaliam a integridade destas vias e podem ser importantes em perdas de visão, de audição ou lesões medulares.
A Monitorização  Neurofisiológica Intraoperatória cada vez mais utilizada em intervenções de Neurocirurgia e Ortopedia e que incluem desde a escoliose a múltiplos tumores quer cerebrais quer do interior da coluna vertebral permite reduzir complicações cirúrgicas melhorando o futuro de muitos destes doentes.

Os estudos de Sono dão um contributo importante na avaliação de múltiplas perturbações do sono que vão desde as crises nocturnas ao sonambulismo e roncopatia.

Como Neurofisiologista Clínica assisti nestes últimos 25 anos a toda esta evolução, sendo que o que faço hoje é muito mais e melhor do que no inicio da minha carreira. No entanto tenho a certeza que o nosso desconhecimento sobre o funcionamento do Sistema Nervoso é ainda grande e que os próximos anos nos vão trazer desenvolvimentos fantásticos.”

Leucócitos: tipos e funções

Drª. Teresa Costa

Os leucócitos ou glóbulos brancos são elementos figurados do sangue que têm como função a defesa contra organismos estranhos.

Estas células são produzidas na medula e existem 5 tipos na corrente sanguínea.

NEUTRÓFILOS:

Responsáveis pela proteção contra infeções bacterianas. Quando ocorre uma infeção bacteriana a medula é estimulada, produzindo mais neutrófilos para eliminarem (fagocitarem) os agentes infeciosos.

EOSINÓFILOS:

Responsáveis pela defesa contra parasitas e pelo fenómeno da alergia.

BASÓFILOS:

Permitem a dilatação dos vasos sanguíneos.

LINFÓCITOS:

Responsáveis pela produção de anticorpos. Mais envolvidos na resposta à infeção por vírus. Existem os linfócitos T e os linfócitos B.

MONÓCITOS:

Responsáveis pelo fenómeno de fagocitose de microrganismos e destruição de células mortas.

Doença de Refluxo Gastroesofágico (DRGE)

Azia, regurgitação, dor ou dificuldade à passagem dos alimentos pelo esófago, salivação excessiva, dor de garganta, dor no peito podem significar… doença de refluxo gastroesofágico (DRGE)?

O refluxo gastroesofágico é a passagem do conteúdo gástrico para o esófago, sem que haja vómito. É uma situação frequente que, na maioria dos adultos, ocorre regularmente, a seguir às refeições.

Quais as causas?

A DRGE resulta de um desequilíbrio entre os fatores de defesa e os fatores de agressão da mucosa esofágica.

 

Alguns fatores de agressão:

  • Alguns alimentos (produtos derivados do tomate, sumos de citrinos, chocolate, bebidas com cafeína)
  • Tabaco
  • Bebidas alcoólicas ou gaseificadas
  • Alguns medicamentos
  • Refluxo de bílis

Outros fatores:

  • Presença de hérnia do hiato
  • Aumento da pressão intra-abdominal (roupa apertada, gravidez, tosse, obesidade, obstipação)

 

Quais são os sintomas da doença de refluxo gastroesofágico?

  • Azia
  • Regurgitação
  • Dor à deglutição dos alimentos
  • Dificuldade em deglutir os alimentos
  • Dor torácica – dor na região retrosternal, de origem não cardíaca
  • Tosse, falta de ar, rouquidão, dor de ouvidos
  • Alteração do esmalte dentário, gengivite

Pode também manifestar-se por anemia (por falta de ferro ou, mais raramente, por vómitos com sangue). Noutros casos poderão surgir outras complicações, como úlceras, estenoses e a transformação da mucosa esofágica em revestimento de tipo intestinal (esófago de Barrett).

Como se diagnostica?

Além da avaliação dos sintomas e do exame objetivo, pode ser necessário fazer:

  • Endoscopia digestiva alta
  • Transito esofagogastroduodenal (Rx)
  • Manometria esofágica (com pHmetria)

Como se trata?

Medidas gerais:

  • Refeições pequenas
  • Evitar certos alimentos (gorduras, chocolate, citrinos, tomate, bebidas gaseificadas ou com cafeína)
  • Evitar comer antes de deitar
  • Não fumar
  • Não usar roupa apertada
  • Evitar atividades que aumentem a pressão intra-abdominal logo após as refeições (ex. atividade agrícola, jardinagem, exercício em ginásio)
  • Elevar a cabeceira da cama

Medidas farmacológicas:

O tratamento da DRGE baseia-se em medicamentos que inibam ou reduzam de forma profunda e duradoura a secreção ácida do estômago ou que reduzam o fluxo de bílis para o estomago e esófago. Todos têm demonstrado elevada eficácia no alívio dos sintomas e na cura das lesões da mucosa.

É uma situação crónica?

A DRGE é uma situação crónica, tornando muitas vezes necessário o tratamento de manutenção para evitar que os sintomas e/ou das lesões do esófago voltem a incomodar.

Há tratamentos alternativos?

Nos doentes com hérnia do hiato complicada é a cirurgia anti-refluxo.

A doença de refluxo gastroesofágica é uma situação grave?

As medidas gerais associadas ao tratamento médico consegue controlar a maior parte das situações. Nalguns doentes a esofagite é mais grave, com pouca resposta ao tratamento médico pelo que requererá medidas específicas.

Cancro da Próstata e PSA

Dr. Paulo Espiridião

O cancro da próstata é o tumor mais frequente nos homens do mundo ocidental representando a segunda causa de morte por doença oncológica.

Em Portugal, estima-se em 4000 o número de novos casos anuais, com uma mortalidade aproximada de 1000 doentes por ano.

Dada a sua frequência, é recomendada a realização de uma avaliação anual com toque rectal e PSA (antigénio específico da próstata) a partir dos 50 anos. Em caso de história familiar (sobretudo parentes em 1° grau), ou raça negra, o seguimento deverá iniciar-se aos 45 anos.

O doseamento do PSA é o exame fulcral para o diagnóstico e estadiamento desta doença.

Tradicionalmente o valor considerado “normal” é de 4,0ng/mL embora, em doentes novos,
muitos autores considerem como “normal” o valor limite de 2,5 ng/mL. Abaixo destes valores a probabilidade diagnóstica é baixa (<15%). Já para valores acima de 10ng/dL o risco de cancro é superior a 50% . Para valores entre 4 e 10 ng/mL , por forma a evitar as taxas de falsos negativos e falsos positivos, actualmente, aconselha-se a determinação da fracção livre do PSA. A razão entre o PSA livre e o total ajuda a decidir quanto à realização de biópsia. Quanto mais baixa essa relação, maior o risco de cancro. Habitualmente utiliza-se o valor de cut-off de 20%.

Quem é e o que trata o Otorrinolaringologista?

Dr. Vitor Certal

O Otorrinolaringologista é o médico-especialista que se dedica ao diagnóstico e tratamento médico e cirúrgico das doenças do ouvido, das fossas nasais/seios perinasais, da faringe e laringe, da cirurgia da cabeça e pescoço (incluindo doenças oncológicas), bem como dos distúrbios do equilíbrio e da voz.
Tratando-se de uma especialidade vasta, o Otorrinolaringologista assiste todas as faixas etárias, bem como um leque extenso de patologias.
Em idades pediátricas, as principais patologias referem-se às amígdalas, adenóides e ouvidos (amigdalites, adenoidites, otites, faringites e laringites), bem como patologia nasal tipicamente alérgica (rinite). Contudo, também faz o despiste de todos os tipos de surdez, sejam elas congénitas (a nascença) ou adquiridas durante a infância.
Em idade adulta, as doenças mais prevalentes em Otorrinolaringologia referem-se a obstrução nasal (nariz “entupido”) por desvio do septo ou sinusite, patologia do ressonar ou apneia do sono, mas também situações de trauma nasal ou auricular e distúrbios ligados a voz (rouquidão ou afonia). Na mesma óptica, o Otorrinolaringologista cuida da cirurgia estética associada aos procedimentos do nariz (rinoplastia) ou auricular (tratamento das orelhas descoladas ou de “abano”).
Uma das grandes vertentes da especialidade de Otorrinolaringologia também está ligada a área da vertigem, com o despiste e tratamento das principais causas de tonturas e vertigens, bem como avaliação de zumbidos e perda de audição em idade adulta jovem ou avançada.

A especialidade de Otorrinolaringologia dispõe atualmente de diversos exames complementares de diagnóstico que auxiliam na tomada de decisão terapêutica, bem como no despiste e diferenciação de situações benignas/malignas em casos duvidosos.

A ecografia obstétrica a 3D/4D

 

A Ecografia 4D representa um dos maiores avanços tecnológicos ao serviço da Medicina e surge no contexto da prestação de serviços à distância.
As ecografias de diagnóstico são realizadas através da tecnologia a 2 dimensões (2D), obtendo imagens a preto e branco, planas de difícil interpretação para os pais.

As ecografias a 3/4D são um complemento das ecografias de diagnóstico. A ecografia 3D acrescenta volume mas é estática (fotografia) enquanto que a ecografia 4D acrescenta movimento (vídeo em tempo real). Nesta ecografia, os pais podem ver o bebé mexer no útero, visualizar gestos como abrir e fechar a boca, fechar os olhos, sorrir, bocejar, colocar a língua de fora, mover as mãos e os pés.
A idade gestacional ideal para realizar este tipo de ecografia é a partir das 22 semanas até às 30 semanas porque o bebé já está formado e há quantidade de líquido suficiente. Contudo, pode ser realizada em toda a gravidez.
Esta ecografia é apenas um complemento da ecografia convencional, sendo a avaliação médica prévia imprescindível.

 
O sucesso desta ecografia nem sempre é garantido e depende de alguns fatores:
– A posição do bebé
– Idade gestacional
– A presença de líquido amniótico em quantidade suficiente
– o biótipo da grávida (mais difícil nas mulheres obesas ou com gordura abdominal)
– Presença de cordão
Por vezes a mulher tem de suster a respiração pois o mais pequeno movimento distorce a imagem. Recomendamos sempre que a grávida evite a toma de substâncias como o tabaco e a cafeína antes da ecografia, bem como o incremento da ingestão hídrica e alimentação mais cuidada nos dias que antecedem o exame.

No Centro Médico da Praça, existem ecografistas certificados pela Fetal Medicine Foundation, bem como equipamentos de excelência que fornecem ao casal a possibilidade de vivenciar uma experiência única, com o objectivo de potenciar o vínculo afetivo mãe-filho, antes do nascimento.

 

No final da ecografia, é fornecido aos pais um CD com toda a ecografia gravada em tempo real bem como um pack de imagens a 3D (fotografias em pack de 6, 3 e 2) com o nome do bebé.

Águas alcalinas são ou não benéficas?

Verificamos nos dias de hoje uma certa ‘moda’ de preferência pela ingestão de águas alcalinas. Esta ideia deriva da argumentação de que estas águas teriam acções antioxidantes, capacidade de regulação hormonal ou mesmo que possuiriam propriedades preventivas de doenças neoplásicas.

Contudo, não existem estudos científicos que comprovem definitivamente essas possíveis vantagens. Não há nenhum consenso sobre um superior benefício dessas águas em relação a outras de diferente
ph.
Todas as águas têm composições diferentes. Não há duas águas iguais. Seja qual for o ph que uma dada água tenha o organismo humano possui mecanismos fisiológicos para controlar e, se necessário, corrigir esse ph reequilibrando o seu valor e mantendo assim a sua homeostasia. Não é porque se bebe mais água alcalina que o ph se mantém sempre ideal. É o rim que exerce essa função, mantendo o ph do sangue com valores entre 7,3 e 7,4

E a rede pública?

Talvez muito mais relevante para a nossa saúde seria questionar outros aspectos da água que consumimos, seja ela a que nos é fornecida pela rede pública, seja aquela que muitas vezes bebemos sem qualquer tipo de controlo sanitário proveniente de poços, furos, minas, fontes ou mesmo de outros cursos naturais. Se as primeiras em geral nos garantem parâmetros seguros de tratamento antibacteriológico as últimas
estão sujeitas a contaminação e, como tal, a constituírem um grande risco de propagação de verdadeiras epidemias.

Por isso se constituiu uma rede de abastecimento público controlando os parâmetros bacteriológicos da água através da sua filtragem e do seu tratamento químico, de modo a evitar que esta veiculasse
agentes infecciosos patogénicos, isto é, susceptíveis de causar doenças.

No entanto, alguns desses tratamentos da água da rede pública acabam de facto por poder constituir um risco potencial para a nossa saúde, por exemplo, quando se verifica um excesso de cloro ou flúor. Aqui sim pode verificar-se uma certa acidificação, o que até
poderá estar na base da argumentação a favor da alcalinidade, mas o problema não está no ph está sim no excesso de alguns químicos.

E a água natural?

Um aconselhamento de uma água baseado unicamente no simples critério do ph é altamente redutor.

Há muitos outros factores a ter em conta quando se pretende aconselhar uma água, a começar pelo conhecimento de inúmeras das suas outras propriedades que muitas vezes se constituem mesmo como terapêuticas.

Aqui estamos já a falar de águas minerais naturais e outras águas naturais controladas/analisadas periodicamente devendo mesmo considerar esta opção como uma verdadeira prescrição médica