Dor nas costas, ou lombalgia, em jovens adultos é frequentemente desvalorizada. Frequentemente atribuída ao cansaço, má postura ou excesso de exercício, esta queixa comum pode, em alguns casos, ser o primeiro sinal de uma condição crónica e progressiva: a Espondilite Anquilosante (EA). Esta doença inflamatória, que afeta predominantemente o esqueleto axial, incluindo a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas, tem um impacto profundo na qualidade de vida, mobilidade e autonomia dos indivíduos se não for diagnosticada e tratada precocemente.
Em 2026, a compreensão e o tratamento da EA continuam a evoluir, mas o desafio do diagnóstico tardio persiste. Este artigo visa desmistificar a EA, sublinhando a importância vital de reconhecer os seus sinais iniciais e de procurar avaliação médica especializada, especialmente quando a dor nas costas se manifesta de forma persistente em idades jovens.
O que é a Espondilite Anquilosante e quais os sintomas
A Espondilite Anquilosante é a forma mais comum de um conjunto de patologias, denominado Espondilartrites, que englobam a artrite reativa, a artrite psoriática e as artrites associadas a doenças inflamatórias do intestino (colite ulcerosa e doença de Crohn). O denominador comum destas doenças é a possibilidade de atingimento “inflamatório” da coluna, sob diferentes formas e com diferentes manifestações associadas.
A EA é uma doença inflamatória crónica que afeta principalmente a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas, provocando dor, rigidez e limitação progressiva dos movimentos. Surge geralmente em jovens adultos e pode evoluir para perda de mobilidade se não for tratada precocemente. Caracteriza-se principalmente pela inflamação das articulações da coluna vertebral (espondilite) e das articulações sacroilíacas (sacroileíte), que ligam a coluna à bacia. Com a progressão da doença, esta inflamação pode levar a uma diminuição marcada da mobilidade, com rigidez importante e, em casos muito avançados, à fusão das vértebras, dando-lhes um aspeto conhecido como “coluna em bambu”.
A EA afeta mais frequentemente homens do que mulheres, e os sintomas geralmente começam na adolescência ou no início da idade adulta, tipicamente antes dos 45 anos. A predisposição genética desempenha um papel crucial, sendo a presença do antigénio HLA-B27 um fator de risco significativo, embora não seja exclusivo nem absolutamente indispensável para o diagnóstico correto.
O Desafio do Diagnóstico Precoce
Um dos maiores obstáculos na gestão da EA é o atraso no diagnóstico. Globalmente, a média de tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico formal pode estender-se por vários anos. Este atraso é multifatorial, resultando da natureza insidiosa dos sintomas, da sua sobreposição com outras condições musculoesqueléticas e da falta de consciencialização, tanto por parte dos doentes como, por vezes, dos profissionais de saúde.
As consequências do diagnóstico tardio podem ser severas. A inflamação não controlada pode levar a danos estruturais irreversíveis nas articulações, perda de mobilidade, dor crónica e um impacto significativo na capacidade funcional e na qualidade de vida do doente.
Estudos indicam que pacientes com EA podem experienciar uma redução de até 48% na qualidade de vida se não receberem tratamento adequado.
Quais os Sintomas da Espondilite Anquilosante?
Os sintomas da Espondilite Anquilosante incluem lombalgia persistente, habitualmente de início antes dos 45 anos de idade, associada a rigidez matinal prolongada, normalmente acima de 15-20 minutos. A dor lombar apresenta habitualmente um ritmo “inflamatório”, ou seja, melhoria com o início da atividade ou exercício, e agrava com o repouso.
Podem também surgir fadiga, dor noturna (por vezes com despertar pela sua intensidade) e inflamação noutras articulações (que se manifesta por dor e “inchaço” persistentes, sem trauma associado) ou também pela presença de dor e sinais inflamatórios (dor, rubor e calor), na inserção de alguns tendões (entesopatia), como por exemplo no tendão de Aquiles. A EA pode também afetar os olhos, nomeadamente pela presença de uveíte, que se manifesta por um quadro de “olho vermelho”, normalmente unilateral e que se acompanha habitualmente de dor.
É assim, crucial diferenciar a dor nas costas de ritmo “mecânico” (mais comum, que geralmente alivia com repouso) da dor “inflamatória” já descrita, esta sim, associada à EA.
Os principais sinais de alerta para a Espondilite Anquilosante incluem:
- Dor lombar inflamatória e rigidez matinal: A dor e a rigidez são piores pela manhã ou após períodos de inatividade, melhorando com o exercício e a atividade física;
- Início insidioso: A dor desenvolve-se gradualmente ao longo de semanas ou meses;
- Idade de início: Os sintomas surgem tipicamente antes dos 45 anos;
- Melhora com o exercício: A atividade física tende a aliviar a dor e a rigidez;
- Despertar noturno: A dor pode ser tão intensa que acorda o paciente durante a segunda metade da noite;
- Outros sintomas: Fadiga, inflamação em outras articulações (artrite periférica), inflamação ocular (uveíte), ou dor nos calcanhares (entesopatia).
Se um jovem adulto experienciar estes sintomas de forma persistente, a procura de um médico reumatologista é imperativa porque ao contrário de alguns mitos e ideias preconcebidas, houve um grande avanço no conhecimento que temos acerca da doença e, consequentemente, também do seu tratamento, sendo atualmente uma doença em que os tratamentos existentes normalmente se revelam eficazes no controlo da doença e prevenção da sua evolução e consequências.
O Primeiro Passo para Controlar a Espondilite Anquilosante
O pilar essencial do tratamento da Espondilite Anquilosante é o movimento.
O exercício físico regular é a “trave-mestra” do tratamento desta doença. Em conjunto com programas dedicados de fisioterapia, ajudam a:
- Reduzir a rigidez da coluna;
- Melhorar a postura e a mobilidade;
- Diminuir a dor a longo prazo.
Programas com alongamentos, fortalecimento muscular e reeducação postural são fundamentais. Além disso, compreender a doença e adotar estratégias de autocuidado faz uma diferença real no controlo da EA.
O Impacto Socioeconómico da EA em Portugal
A Espondilite Anquilosante não acarreta apenas um fardo físico e emocional para os pacientes, mas também um impacto socioeconómico considerável. Em Portugal, a EA tem um impacto económico total anual estimado em 639 milhões de euros, englobando custos diretos (tratamento, hospitalizações) e indiretos (perda de produtividade devido a absentismo e incapacidade laboral).
A prevalência de doenças crónicas em Portugal é elevada. Tendo por base um estudo levado a cabo em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Reumatologia, o EpiReumaPt, que permitiu aferir a verdadeira prevalência das doenças reumáticas em Portugal, constatou-se que a doença reumática com mais prevalência em Portugal é a lombalgia (26,4%). Por outro lado, constata-se uma prevalência estimada de 1,6% para as Espondilartrites (sendo que destas a mais comum é a Espondilite Anquilosante com 0,6-0,8% da população). Assim, estima-se que tendo por base os últimos sensos, possa haver em Portugal cerca de 60 a 80 000 doentes com Espondilite Anquilosante.
Quando devo procurar um Médico?
Deve procurar um reumatologista se tiver dor nas costas persistente por mais de três meses, especialmente se começou antes dos 45 anos, piora com o repouso e melhora com o movimento. Deve procurar também um reumatologista se apresentar dor/inchaço nas articulações (sem história de traumatismo prévio), ou apresentar dor persistente nos calcanhares ou tendão de Aquiles.
O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações. A dor nas costas persistente, especialmente em jovens, nunca deve ser subestimada. A Espondilite Anquilosante é uma doença séria, mas com o diagnóstico precoce e o acesso às terapias modernas, é possível gerir eficazmente os sintomas, prevenir a progressão da doença e manter uma qualidade de vida plena.
Não espere, se os sinais estiverem presentes, procure um reumatologista.
Perguntas Frequentes
Artigo por: Dr. José António Tavares Costa (Cédula Profissional nº42023)

Cessação Tabágica em Portugal: Consultas no SNS, Cigarros Eletrónicos e Fatores de Sucesso
O número de ex-fumadores tem aumentado em Portugal nos últimos anos? Quais são os dados mais relevantes que demonstram esta evolução?
Portugal tem vindo a registar uma tendência positiva na luta contra o tabagismo. Os dados mais recentes mostram que o número de ex-fumadores está a aumentar.
De acordo com o Inquérito Nacional de Saúde de 2019 (disponível no Portal do INE), 21,4% da população portuguesa com 15 ou mais anos identificava-se como ex-fumadora – um crescimento face aos anos anteriores, que reflete não só a crescente consciência dos malefícios do tabaco, mas também o impacto das políticas de saúde pública implementadas nas últimas décadas.
Paralelamente, a percentagem de fumadores ativos diminuiu de cerca de 20% em 2014 para 17% em 2019. No entanto o consumo crescente de novas formas de tabaco pelos mais jovens mostra-nos que ainda temos um longo caminho a percorrer e que devemos continuar a promover políticas de saúde pública que incentivem a cessação do tabagismo e a prevenção do seu início.
Qual é o papel das consultas de cessação tabágica no Serviço Nacional de Saúde, e considera que a atual resposta é suficiente para a procura existente?
O Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem desempenhado um papel fundamental no combate ao tabagismo através das consultas de cessação tabágica nos centros de saúde e hospitais. Estas consultas são uma ferramenta essencial para:
No entanto, a resposta ainda está longe de ser suficiente para a procura existente. Continuam a existir listas de espera, falta de profissionais de saúde e escassez de recursos, o que limita o acesso a programas eficazes. Nesse sentido é essencial reforçar a formação de profissionais nesta área e garantir que todas as pessoas que procuram ajuda possam obtê-la atempadamente.
Para além da dependência física, sabemos que existe uma forte componente comportamental no tabagismo. Como é que os profissionais de saúde abordam estes dois aspetos durante o processo de cessação?
A cessação tabágica não é apenas uma batalha contra a nicotina. A dependência física é importante, mas o comportamento associado ao ato de fumar (os rituais, as rotinas) é igualmente difícil de controlar.
O fumador que deixa de fumar não perde apenas a substância, mas também um “companheiro” em momentos de stress, lazer ou socialização. É por isso que os profissionais de saúde devem adotar uma abordagem integrada, que combine terapêutica farmacológica com intervenções comportamentais e motivacionais. A escuta ativa, a identificação de estímulos emocionais e a construção de estratégias personalizadas são fundamentais para gerir os momentos de fragilidade que inevitavelmente acabam por surgir.
Temos assistido ao surgimento de alternativas ao cigarro tradicional, como os cigarros eletrónicos e produtos de tabaco aquecido. Qual é o impacto destas alternativas no processo de cessação tabágica?
Nos últimos anos, surgiram alternativas ao cigarro tradicional – os cigarros eletrónicos, o tabaco aquecido, entre outros dispositivos.
Muitos destes produtos são promovidos como “menos nocivos” e até como auxiliares no processo de cessação. No entanto, a evidência científica disponível mostra-nos que estes produtos continuam a expor o organismo a substâncias nocivas.
Além disso, para muitos jovens, estes dispositivos são a porta de entrada para a dependência da nicotina. Ou seja, em vez de funcionarem como transição para o abandono do consumo, podem perpetuar o ciclo de dependência.
Nesse sentido, não são uma solução para deixar de fumar, mas antes um risco de manter a dependência.
Na sua experiência clínica, quais são os principais fatores que levam ao sucesso a longo prazo na cessação tabágica, e que mensagem deixaria a quem está a considerar deixar de fumar?
Os fatores que mais contribuem para o sucesso na cessação tabágica são:
Cada pessoa tem o seu tempo e o seu percurso, e a empatia é essencial para construir uma relação terapêutica de confiança.
Para refletir…
A quem está a considerar deixar de fumar, deixo uma mensagem clara: é possível!
Não importa quantas vezes tentou no passado. Cada tentativa é um passo mais próximo do sucesso. Procure ajuda, informe-se, envolva-se. Não se trata apenas de evitar doenças, mas de recuperar autonomia, qualidade de vida e liberdade.
O primeiro cigarro foi uma escolha. O último também pode ser.
Perguntas Frequentes
Quanto tempo demora, em média, até uma pessoa deixar de sentir vontade de fumar?
A vontade intensa (craving) tende a diminuir significativamente nas primeiras 2 a 4 semanas, mas pode surgir ocasionalmente durante meses. O importante é reconhecer que estes impulsos são temporários e que existem estratégias eficazes para os ultrapassar.
É normal engordar depois de deixar de fumar?
Sim, é relativamente comum ganhar algum peso, sobretudo nos primeiros meses. Isto acontece porque o metabolismo desacelera ligeiramente e muitas pessoas substituem o cigarro por alimentos. No entanto, com acompanhamento nutricional e atividade física regular, este aumento pode ser mínimo e temporário.
Deixar de fumar de forma “repentina” é mais eficaz do que reduzir aos poucos?
Ambas as estratégias podem resultar, dependendo da pessoa. Algumas conseguem parar de um dia para o outro, enquanto outras beneficiam de uma redução gradual. O mais importante é ter um plano estruturado e apoio profissional.
Os medicamentos para deixar de fumar são seguros?
Os tratamentos aprovados – como terapêutica de substituição de nicotina ou medicamentos prescritos – são considerados seguros quando usados sob orientação médica. Os riscos são muito inferiores aos do consumo continuado de tabaco.
Fumar apenas socialmente também é prejudicial?
Sim. Mesmo consumos ocasionais aumentam o risco de doenças cardiovasculares e podem facilmente evoluir para um padrão diário. Não existe um nível “seguro” de exposição ao tabaco.
O que posso fazer para ajudar um familiar ou amigo que está a tentar deixar de fumar?
Oferecer apoio emocional, evitar julgamentos, ajudar a identificar gatilhos e celebrar pequenas conquistas faz uma grande diferença. A presença de uma rede de suporte é um dos fatores mais fortes de sucesso.
Depois de deixar de fumar, quando começam a surgir melhorias na saúde?
Alguns benefícios são quase imediatos: em 20 minutos a tensão arterial melhora; em 48 horas o olfato e o paladar começam a recuperar; ao fim de algumas semanas a respiração torna-se mais fácil. A longo prazo, o risco de doenças cardiovasculares e cancro diminui de forma significativa.
Artigo por: Dr. José Coutinho Costa (Cédula Profissional nº56304)
Cancro do Pulmão: A Importância da Deteção Precoce e da Vigilância da Saúde Respiratória
O Cancro do Pulmão continua a ser a principal causa de morte por doença oncológica em Portugal, representando um desafio significativo para a saúde pública. Em cerca de 70% a 80% dos casos, o diagnóstico é feito em estádios avançados, o que contribui para uma taxa de sobrevivência aos 5 anos entre 15% e 18%.
Grande parte desta realidade deve-se ao facto de muitos sintomas serem pouco específicos, passarem despercebidos ou serem atribuídos a outras condições respiratórias.
Sintomas que não devem ser Ignorados
Embora muitas pessoas associem o Cancro do Pulmão a sinais evidentes, como tosse persistente ou perda de peso, a verdade é que os sintomas podem ser subtis. Entre os sinais que merecem atenção incluem-se:
Estes sintomas podem surgir de forma isolada e não devem ser desvalorizados, sobretudo em pessoas com fatores de risco.
Não afeta apenas Fumadores
Apesar do tabagismo ser o principal fator de risco, o Cancro do Pulmão não é exclusivo de fumadores. Também pode afetar:
Por isso, a vigilância respiratória é essencial para todos, independentemente do histórico tabágico.
A Importância da Tomografia Computorizada (TAC)
A Tomografia Computorizada (TAC) é um dos exames mais importantes na deteção precoce de alterações pulmonares. Trata-se de um método de imagem tridimensional que permite:
Graças à sua elevada resolução, a TAC oferece uma acuidade diagnóstica superior, permitindo identificar lesões em fases iniciais – momento em que o tratamento pode ser mais eficaz.
Profissionais de Radiologia desempenham um papel fundamental neste processo, realizando diariamente exames que contribuem para a deteção precoce e, consequentemente, para salvar vidas.
Dia Mundial Sem Tabaco: um Lembrete para Cuidar da Saúde Pulmonar
No Dia Mundial Sem Tabaco, reforça-se a importância de proteger os pulmões e adotar hábitos que promovam a saúde respiratória. A vigilância regular, a atenção aos sintomas e a realização de exames quando indicados são passos essenciais para uma deteção precoce e para a redução do impacto desta doença.
Cuidar dos pulmões é cuidar da vida.
Artigo por: Técnico de Radiologia Carlos Oliveira (C-073959146)
Consulta do Viajante: Disponível no CMP São João da Madeira
O CMP de São João da Madeira disponibiliza agora Consulta do Viajante, orientada pelo Dr. Miguel Leonardo Costa dos Santos (O.M 71763), médico com experiência em aconselhamento préviagem e prevenção de riscos associados a destinos internacionais.
Viajar para determinados países pode exigir cuidados específicos, como vacinação adequada, profilaxia, prevenção de doenças endémicas e orientação sobre segurança alimentar, hídrica e ambiental. A Consulta do Viajante permite avaliar o destino, a duração da viagem, o tipo de atividades previstas e o estado de saúde do viajante, garantindo uma preparação segura e informada.
O que é avaliado na Consulta do Viajante
Para quem é indicada
A Consulta do Viajante deve ser realizada idealmente 4 a 6 semanas antes da viagem, permitindo tempo para vacinação e preparação adequada.
Perguntas Frequentes
O que é a Consulta do Viajante?
A Consulta do Viajante é uma avaliação médica especializada destinada a preparar viajantes para destinos internacionais, especialmente países com riscos específicos para a saúde.
Para que serve a Consulta do Viajante?
A consulta permite identificar riscos e definir medidas preventivas adequadas ao destino, ao tipo de viagem e ao estado de saúde do viajante.
Qual a importância da Consulta do Viajante?
A preparação pré-viagem reduz riscos, evita complicações de saúde e permite viajar com maior segurança com uma abordagem rigorosa, atualizada e adaptada ao perfil de cada viajante.
Que vacinas podem ser recomendadas?
Dependendo do destino, podem ser recomendadas vacinas como:
As recomendações variam conforme o país, o tipo de viagem e o estado de saúde do viajante.
A consulta inclui profilaxia da malária?
Sim. O médico avalia o risco de malária no destino e, se necessário, prescreve a profilaxia adequada, explicando como e quando tomar a medicação.
A consulta é indicada para crianças?
Sim. A Consulta do Viajante inclui orientação específica para crianças e adolescentes, com recomendações adaptadas à idade e ao destino.
Hipertensão: Guia Completo para Prevenção e Tratamento
A Hipertensão Arterial (HTA) é um dos motivos mais frequentes de consulta e uma das maiores fontes de preocupação para os doentes em Portugal. Estima-se que cerca de 40% da população adulta portuguesa sofra desta patologia, sendo que menos de metade está medicada e apenas 11% apresenta valores bem controlados. A prevalência aumenta drasticamente com a idade: atinge 60% após os 60 anos e cerca de 75% nos indivíduos com mais de 75 anos. Muitas vezes apelidada de “assassino silencioso”, a hipertensão pode passar despercebida durante anos, enquanto causa danos progressivos em órgãos vitais como o coração, o cérebro e os rins. É um dos principais fatores de risco para AVC, enfarte do miocárdio, insuficiência cardíaca, insuficiência renal e, segundo os dados recentes, para a doença de Alzheimer e demência vascular. A HTA danifica os vasos sanguíneos cerebrais, reduzindo o fluxo sanguíneo e causando inflamação. O controlo rigoroso da pressão arterial, especialmente na meia-idade, pode ajudar a prevenir ou retardar o declínio cognitivo. Este guia pretende desmistificar conceitos, ensinar a medir a pressão arterial corretamente e fornecer estratégias para o tratamento eficaz.
O que é a Hipertensão Arterial?
A Hipertensão consiste na elevação persistente da pressão (acima do normal) que o sangue exerce nas paredes das artérias. Apesar de seguirmos os valores recomendados pela Sociedade Europeia (2024) é importante saber interpretá-los com bom senso e de forma individualizada.
Classificação da Pressão Arterial
*PAS – pressão arterial sistólica | PAD – pressão arterial diastólica
A pressão arterial não é um valor estático; tal como os níveis de glicose variam ao longo do dia influenciados pelas refeições, os valores tensionais oscilam significativamente conforme o estado emocional, stress, esforço físico ou o estado de repouso.
É difícil resumir todas as informações das “Guidelines” mas deixamos aqui as 4 mensagens principais:
1. Importância da medição da pressão arterial fora do consultório utilizando com mais frequência a auto medição da pressão arterial (AMPA) e a medição ambulatória da pressão arterial (MAPA).
2. Importância do tratamento personalizado. Nestas recomendações há uma crescente ênfase na necessidade de individualização do tratamento, tendo em consideração o perfil de cada doente, incluindo fatores como as comorbilidades, a idade e o risco cardiovascular. Por exemplo, doentes com risco cardiovascular elevado ou que tenham diabetes ou doença renal crónica devem ser alvo de estratégias mais agressivas de controlo da PA e dos outros fatores de risco.
3. Novos valores-alvo de pressão arterial, individualizados a cada doente. Em doentes mais jovens e de alto risco, deve-se tentar reduzir a PA sistólica para menos de 130 mmHg, desde que tolerado. Em doentes idosos (acima de 65 anos), o objetivo deve estar entre 130-140 mmHg, para minimizar os efeitos secundários, como tonturas ou quedas. O uso da medição em ambulatório (AMPA e MAPA) pode ajudar a definir este novo valor alvo e monitorizar a eficácia terapêutica.
4. Utilização mais frequente de combinações de fármacos (combinações de dose fixa).
Quais são os Sintomas da Hipertensão?
Um dos maiores desafios no combate à hipertensão é o seu caráter frequentemente assintomático. A ideia de que a pressão alta causa obrigatoriamente dores de cabeça ou outros sinais claros é um mito que pode ser perigoso:
Como saber se tenho Hipertensão?
O diagnóstico da hipertensão não deve basear-se em medições isoladas, especialmente se feitas sob stress emocional ou físico. É importante distinguir Hipertensão Arterial (tabela), Hipertensão de Bata Branca e Hipertensão Mascarada.
É hoje consensual que a MAPA deve ser utilizada para identificar/confirmar a hipertensão de bata branca, a hipertensão mascarada bem como os fenótipos de HTA noturna (por exemplo, na apneia do sono) e no estudo da resposta hipertensiva verificada durante uma prova de esforço. A repetição do exame e a automedição podem ser necessárias devido à limitada reprodutibilidade destas formas de apresentação.
Como medir a Pressão Arterial corretamente para vigiar a Hipertensão?
A medição correta é crucial para evitar alarmismo desnecessário. Um estudo de 2024 revelou que apenas 4,1% das clínicas seguiam as metodologias padrão, realçando a necessidade de o doente ser o protagonista da sua vigilância.
Regras para uma medição fiável:
Como baixar a Pressão Alta rapidamente e tratar a Hipertensão?
Perante um valor isolado elevado, o segredo é o descanso e a calma. O tratamento da hipertensão é uma maratona, não um sprint.
Perguntas Frequentes
A Hipertensão pode causar AVC?
Sim. A Hipertensão crónica não controlada lesa as artérias cerebrais, sendo um dos maiores indicadores de risco para o Acidente Vascular Cerebral e Demência.
A Hipertensão tem cura?
É uma patologia crónica. Embora não tenha cura definitiva, o tratamento adequado reduz drasticamente a mortalidade e o risco de insuficiência renal e cardíaca.
Quem tem pressão alta pode beber café?
Sim, com moderação. Contudo, deve evitar-se a ingestão 30 minutos antes da medição para garantir que os valores registados são reais.
Quando devo procurar um médico?
Sempre que detetar valores persistentemente elevados em repouso. O uso de registos de automedição corretamente realizados ajudará o médico na decisão clínica.
Artigo por: Prof. Dr. Ovídio António Ferreira Costa (Cédula Profissional nº13419)
Fibromialgia: Sintomas, Diagnóstico e como Distinguir de outras Doenças
A Fibromialgia é uma condição crónica caracterizada por dor generalizada no corpo, fadiga persistente e alterações no sono e na perceção da dor. Apesar de ser amplamente reconhecida pela comunidade médica internacional, continua a ser uma das doenças mais difíceis de identificar corretamente na fase inicial.
Em Portugal, tal como noutros países, muitas pessoas passam por um longo processo até obterem um diagnóstico correto, devido à semelhança dos sintomas com outras patologias.
Quais são os Sintomas mais comuns da Fibromialgia?
A Fibromialgia não se manifesta de forma igual em todas as pessoas, mas apresenta sinais característicos:
É importante referir que a dor não está associada a lesões visíveis, o que contribui para a confusão no diagnóstico.
Fibromialgia ou outra Doença?
Um dos maiores desafios clínicos é distinguir a Fibromialgia de outras doenças com sintomas semelhantes. Algumas condições frequentemente confundidas incluem:
1. Artrite Reumatoide
Na fibromialgia, não há inflamação objetiva.
2. Síndrome de Fadiga Crónica
3. Hipotiroidismo
4. Transtorno Depressivo Maior
A fibromialgia distingue-se porque combina dor generalizada + fadiga + distúrbios do sono + sintomas cognitivos de forma persistente.
Como é feito o Diagnóstico?
Até ao momento não existe um exame específico para confirmar a Fibromialgia. O diagnóstico é clínico e baseia-se em:
Os critérios mais usados internacionalmente são os do American College of Rheumatology, amplamente aceites na prática médica.
O que causa a Fibromialgia?
A causa exata ainda não é totalmente conhecida, mas a investigação médica indica que se trata de uma alteração no processamento da dor pelo sistema nervoso central.
Fatores associados incluem:
Não é uma doença psicológica, embora fatores emocionais possam influenciar os sintomas.
Fibromialgia em Portugal: Prevalência, Sintomas e Impacto Real na População
Em Portugal, a evidência científica disponível mostra que não se trata de uma condição rara, mas sim de um problema de saúde com impacto relevante na população adulta.
Os dados mais robustos disponíveis provêm do estudo nacional EpiReumaPt, coordenado pela Sociedade Portuguesa de Reumatologia, que analisou doenças reumáticas na população portuguesa.
Segundo este estudo:
Em termos absolutos, isto pode representar centenas de milhares de pessoas em Portugal a viver com Fibromialgia.
Quem é mais Afetado?
Os dados nacionais e internacionais são consistentes em vários pontos:
Em estudos realizados em Portugal, a maioria dos doentes avaliados em contexto clínico são mulheres com idade média em torno dos 50-60 anos.
Como Viver com Fibromialgia no Dia-a-Dia
Embora não exista cura, é possível reduzir significativamente o impacto da doença.
Estratégias com melhor evidência incluem:
O objetivo não é eliminar completamente a dor, mas melhorar a funcionalidade e qualidade de vida.
Pode ser conveniente utilizar fármacos durante alguns períodos, mas apenas para controlar alguns sintomas e não para curar a doença.
Conclusão
A Fibromialgia é uma condição real, complexa e muitas vezes confundida com outras doenças. O reconhecimento dos sintomas e a diferenciação correta são fundamentais para evitar atrasos no diagnóstico e iniciar uma gestão eficaz.
Quanto mais cedo os sintomas são compreendidos e enquadrados corretamente, maior é a probabilidade de controlo e melhoria da qualidade de vida.
Perguntas Frequentes
A Fibromialgia tem cura?
Não. A Fibromialgia não tem cura conhecida. No entanto, os sintomas podem ser controlados de forma eficaz com uma abordagem multidisciplinar que inclui exercício físico, gestão do sono, medicação e apoio psicológico.
Como saber se tenho Fibromialgia?
O diagnóstico é clínico e baseia-se na presença de dor generalizada durante mais de 3 meses, associada a sintomas como fadiga, distúrbios do sono e alterações cognitivas. Não existe um exame específico para confirmar a doença.
A Fibromialgia aparece nos exames?
Não. Exames de sangue, análises ou imagiologia não detetam fibromialgia. Estes testes são usados apenas para excluir outras doenças com sintomas semelhantes.
A Fibromialgia é uma doença psicológica?
Não. A Fibromialgia é uma síndrome de dor crónica com origem no processamento da dor pelo sistema nervoso. No entanto, fatores como stress, ansiedade ou depressão podem agravar os sintomas.
Quem tem mais risco de desenvolver Fibromialgia?
A doença é mais comum em mulheres entre os 30 e os 60 anos. Também pode estar associada a fatores como stress prolongado, traumas físicos ou emocionais e predisposição genética.
A Fibromialgia pode piorar com o tempo?
Sim, os sintomas podem oscilar e agravar-se em períodos de maior stress, falta de sono ou inatividade física. No entanto, com acompanhamento adequado, é possível estabilizar e melhorar a qualidade de vida.
Artigo por: Drª. Maria Lúcia Carvalho Dias Costa (Cédula Profissional nº31715)
Asma Infantil: Sintomas, Fatores de Risco e Importância do Diagnóstico Precoce
A Asma Infantil é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas que pode manifestar-se de forma discreta ou através de sintomas mais evidentes. Em muitas crianças, os sinais iniciais passam despercebidos ou confundem-se com constipações frequentes, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do acompanhamento adequado.
Este artigo explica, de forma clara e acessível, como identificar sinais de alerta, quais os fatores de risco e porque é essencial procurar avaliação pediátrica quando surgem dúvidas.
O que é a Asma Infantil?
A Asma é uma doença crónica caracterizada por:
Estas alterações levam ao aparecimento de sintomas como falta de ar, pieira e tosse persistente. O diagnóstico é mais frequente em crianças em idade escolar, geralmente a partir dos 6 anos.
Sintomas: quando desconfiar de Asma?
Os sintomas podem ser subtis ou aparecer apenas em situações específicas. Entre os mais comuns encontram-se:
Estes sinais podem surgir isoladamente ou associados a fatores desencadeantes.
Triggers mais frequentes
Os sintomas de Asma podem surgir de forma súbita e estão frequentemente associados a:
Asma ou apenas Constipações frequentes?
É comum que crianças pequenas apresentem episódios de bronquiolite ou hiper-reactividade brônquica sem que isso signifique evolução para Asma. Contudo, quando os sintomas são recorrentes, persistentes ou surgem sem infeção associada, é fundamental uma avaliação médica.
Fatores de risco para desenvolver Asma
Alguns elementos aumentam a probabilidade de evolução para Asma:
Nenhum destes fatores, isoladamente, confirma o diagnóstico, mas ajudam a identificar crianças que necessitam de vigilância mais próxima.
Como se confirma o diagnóstico?
O acompanhamento pediátrico é essencial para:
Um diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento adequado, reduzir crises, evitar idas ao hospital e melhorar significativamente a qualidade de vida da criança.
Porque é importante tratar?
Com acompanhamento adequado, é possível:
A intervenção precoce é a chave para garantir que a criança mantém uma vida ativa, saudável e sem limitações.
Não ignore os sinais da Asma
A Asma Infantil pode apresentar-se de forma discreta, mas o reconhecimento dos sintomas e a avaliação médica atempada fazem toda a diferença. Se o seu filho apresenta tosse persistente, pieira, cansaço exagerado ou dificuldade respiratória, procure orientação pediátrica para um diagnóstico seguro e adequado.
Perguntas Frequentes
Como distinguir Asma de uma constipação normal nas crianças?
Habitualmente, numa criança constipada, podemos ter tosse, congestão nasal, ou seja, nariz entupido, alguma rinorreia e febre. Contudo, numa Asma, muitas das vezes temos estes sintomas, mas associam-se ainda a falta de ar, a pieira (o chiar a respirar) e também a sensação de opressão torácica, ou seja, de aperto no peito.
O que fazer quando o meu filho tem uma crise de falta de ar?
Numa crise de falta de ar é importantíssimo tentar deixar a criança o mais tranquila possível. Levá-la para um ambiente que esteja calmo, tranquilo, com ar fresco, sobretudo e se possível. Sempre que conseguirmos, fazer a terapêutica de resgate, ou seja, a terapêutica em SOS que tínhamos já em casa. Se isso não for possível, porque é o primeiro episódio, o ideal é a criança ser vista em contexto de urgência.
As crianças com Asma podem praticar desporto?
Apesar do exercício físico poder ser um fator que despoleta a Asma, as crianças com este diagnóstico não estão proibidas da sua prática. Muitas das vezes pode ser necessário a realização de algum tipo de medicação, antes do exercício físico, para que a criança consiga praticar sem qualquer tipo de sintoma.
A Asma é hereditária?
Quando existe histórico familiar, ou seja, quando algum elemento da família da criança é asmático ou com algum tipo de rinite alérgica ou eczema atópico, isso pode fazer com que a criança tenha um risco superior ao normal.
Em que momento pode o meu filho(a) receber um diagnóstico de Asma?
O diagnóstico da Asma deve ser realizado por Provas Funcionais Respiratórias. Por esse motivo muitas das vezes o mesmo só é realizado a partir da idade escolar (a partir dos 6 ou 7 anos de idade). Isto porque em muitas das vezes, em crianças mais novas, podemos ter alguns sintomas suspeitos, mas não temos a colaboração da criança para a realização das Provas Funcionais Respiratórias e conseguirmos assim obter o diagnóstico definitivo.
Artigo por: Drª. Diana Henriques Pinto (Cédula Profissional nº62381)
Dia Mundial da Asma em Portugal: Panorama Atual, Diagnóstico e Controlo da Doença
Qual é o Panorama atual da Asma em Portugal?
A Asma, doença inflamatória das vias aéreas, caracteriza-se por episódios recorrentes de pieira (“chiadeira”), falta de ar, aperto no peito e tosse, especialmente à noite ou de manhã. Afeta milhões de pessoas em todo o mundo e aproximadamente 600.000 pessoas em Portugal.
De acordo com o estudo EPI-ASTHMA – Prevalência e caracterização das pessoas com asma, de acordo com a gravidade da doença, em Portugal, na população adulta, a prevalência é de 7,1%, o que faz da asma uma das doenças crónicas mais comuns na nossa população.
Do ponto de vista epidemiológico, não tem havido um aumento exponencial do número de casos desde 2011 (na altura a prevalência era de 6,8%), contudo, tem-se verificado um aumento do número de casos mais graves da doença, sobretudo, entre as populações mais jovens.
Este agravamento pode estar associado a fatores como:
A Percentagem de Pacientes que sabem do Diagnóstico Aumentou?
Na atualidade, os dados que dispomos indicam que um em cada três doentes asmáticos não têm o diagnóstico registado no seu processo clínico.
Nesse sentido devemos trabalhar para:
O que Precisa de ser feito para Melhorar a Situação dos Pacientes?
Um dos maiores desafios na gestão da asma é o reconhecimento de que a doença não está controlada.
Em Portugal aproximadamente 60% dos doentes não apresentam a sua doença controlada. Nesse sentido é fundamental:
Conclusão
É fundamental reconhecer que, embora seja uma doença crónica, a Asma pode e deve ser controlada.
Devemos trabalhar para:
Com um esforço conjunto envolvendo doentes, famílias, médicos, enfermeiros, farmacêuticos e aproveitando os avanços terapêuticos, podemos aspirar a ter um melhor controlo da doença no futuro em Portugal.
Perguntas Frequentes
A Asma pode piorar com a idade?
Sim. Em algumas pessoas, a Asma pode manter-se estável, mas noutros casos pode agravar-se ao longo dos anos, sobretudo se não houver um bom controlo da doença ou se houver exposição contínua a fatores irritantes.
Exercício físico pode causar crises de Asma?
O exercício físico não causa Asma, mas pode desencadear sintomas em algumas pessoas (asma induzida pelo exercício). No entanto, com tratamento adequado, a maioria dos doentes pode praticar atividade física normalmente.
A Asma é uma doença alérgica?
Nem sempre. Embora muitas pessoas com Asma tenham alergias associadas, existem também formas não alérgicas da doença, desencadeadas por infeções, exercício, poluição ou outros fatores.
É seguro usar medicação para a Asma a longo prazo?
Sim. Os medicamentos utilizados no controlo da Asma são seguros quando usados corretamente e sob orientação médica. O benefício no controlo da doença é superior aos riscos.
Stress e ansiedade podem influenciar a Asma?
Sim. O stress emocional pode agravar sintomas respiratórios e aumentar a frequência das crises em algumas pessoas com Asma.
Como saber se a Asma está mal controlada?
Sinais comuns incluem:
Posso viajar de avião tendo Asma?
Sim. A maioria dos doentes com Asma pode viajar de avião sem problemas, desde que a doença esteja controlada e a medicação seja levada na bagagem de mão.
Artigo por: Dr. José Coutinho Costa (Cédula Profissional nº56304)
Segurança e Saúde no Trabalho: Porque a Prevenção é o Maior Investimento da Sua Empresa
A segurança e saúde no trabalho (SST) não é apenas uma exigência legal em Portugal – é um dos pilares fundamentais para garantir equipas motivadas, produtivas e protegidas.
Todas as empresas, independentemente da dimensão ou setor, são obrigadas a ter serviços organizados de higiene e segurança no trabalho, e o incumprimento pode resultar em
coimas elevadas pela ACT, mas, mais importante do que isso, pode colocar em risco a integridade física e a vida dos trabalhadores.
No Centro Médico da Praça, acreditamos que a prevenção é a base de qualquer ambiente de trabalho saudável. Por isso, oferecemos uma solução 360º em Segurança e Saúde no
Trabalho, integrando serviços técnicos especializados, acompanhamento contínuo e uma abordagem próxima e personalizada.
Serviços Externos de Segurança e Saúde no Trabalho: O que Incluem?
Os nossos serviços externos de SST foram desenvolvidos para garantir que a sua empresa cumpre a legislação e implementa práticas seguras no dia a dia. Entre os principais serviços prestados destacam-se:
1. Informação Técnica e Apoio ao Projeto
Acompanhamos desde a fase de planeamento até à execução, garantindo que instalações, equipamentos e processos cumprem as normas de segurança.
2. Identificação e Avaliação de Riscos
Realizamos avaliações completas dos riscos profissionais, incluindo exposição a agentes químicos, físicos e biológicos.
3. Planeamento da Prevenção
Integramos a prevenção em todos os níveis da empresa, definindo medidas eficazes para controlar riscos.
4. Programas de Prevenção de Riscos Profissionais
Criamos programas personalizados que respondem às necessidades reais da sua organização.
5. Formação e Informação aos Trabalhadores
Capacitamos equipas e representantes para reconhecer riscos e adotar práticas seguras no posto de trabalho.
6. Organização de Medidas de Emergência
Apoiamos na definição de procedimentos para situações de perigo grave e iminente.
7. Análise de Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais
Identificamos causas, prevenimos reincidências e melhoramos continuamente os processos.
8. Levantamento de Sinalização de Segurança
Garantimos que todos os locais de trabalho têm sinalização adequada e conforme a legislação.
9. Coordenação de Inspeções Internas de Segurança
Avaliamos o grau de cumprimento das normas e das medidas implementadas.
10. Preenchimento do Anexo D do Relatório Único
Asseguramos o correto preenchimento da secção relativa à segurança, higiene e saúde no trabalho – essencial para comprovar a organização dos serviços perante as autoridades.
O Nosso Diferencial: Segurança Integrada com Medicina do Trabalho
No Centro Médico da Praça, não entregamos apenas relatórios. Trabalhamos lado a lado com as empresas, criando uma relação de parceria contínua. A nossa abordagem integra:
O resultado é uma solução completa que protege o maior ativo de qualquer empresa: as pessoas.
Vantagens de Trabalhar com o Centro Médico da Praça
Segurança Não é um Custo – É um Investimento
A prevenção é a chave para empresas mais fortes, equipas mais protegidas e ambientes de trabalho mais saudáveis. No Centro Médico da Praça, estamos consigo em cada etapa, garantindo que a sua empresa cumpre a lei, protege os trabalhadores e promove uma cultura de segurança.
Dor nas Costas na Juventude: Pode Ser Espondilite Anquilosante?
Dor nas costas, ou lombalgia, em jovens adultos é frequentemente desvalorizada. Frequentemente atribuída ao cansaço, má postura ou excesso de exercício, esta queixa comum pode, em alguns casos, ser o primeiro sinal de uma condição crónica e progressiva: a Espondilite Anquilosante (EA). Esta doença inflamatória, que afeta predominantemente o esqueleto axial, incluindo a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas, tem um impacto profundo na qualidade de vida, mobilidade e autonomia dos indivíduos se não for diagnosticada e tratada precocemente.
Em 2026, a compreensão e o tratamento da EA continuam a evoluir, mas o desafio do diagnóstico tardio persiste. Este artigo visa desmistificar a EA, sublinhando a importância vital de reconhecer os seus sinais iniciais e de procurar avaliação médica especializada, especialmente quando a dor nas costas se manifesta de forma persistente em idades jovens.
O que é a Espondilite Anquilosante e quais os sintomas
A Espondilite Anquilosante é a forma mais comum de um conjunto de patologias, denominado Espondilartrites, que englobam a artrite reativa, a artrite psoriática e as artrites associadas a doenças inflamatórias do intestino (colite ulcerosa e doença de Crohn). O denominador comum destas doenças é a possibilidade de atingimento “inflamatório” da coluna, sob diferentes formas e com diferentes manifestações associadas.
A EA é uma doença inflamatória crónica que afeta principalmente a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas, provocando dor, rigidez e limitação progressiva dos movimentos. Surge geralmente em jovens adultos e pode evoluir para perda de mobilidade se não for tratada precocemente. Caracteriza-se principalmente pela inflamação das articulações da coluna vertebral (espondilite) e das articulações sacroilíacas (sacroileíte), que ligam a coluna à bacia. Com a progressão da doença, esta inflamação pode levar a uma diminuição marcada da mobilidade, com rigidez importante e, em casos muito avançados, à fusão das vértebras, dando-lhes um aspeto conhecido como “coluna em bambu”.
A EA afeta mais frequentemente homens do que mulheres, e os sintomas geralmente começam na adolescência ou no início da idade adulta, tipicamente antes dos 45 anos. A predisposição genética desempenha um papel crucial, sendo a presença do antigénio HLA-B27 um fator de risco significativo, embora não seja exclusivo nem absolutamente indispensável para o diagnóstico correto.
O Desafio do Diagnóstico Precoce
Um dos maiores obstáculos na gestão da EA é o atraso no diagnóstico. Globalmente, a média de tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico formal pode estender-se por vários anos. Este atraso é multifatorial, resultando da natureza insidiosa dos sintomas, da sua sobreposição com outras condições musculoesqueléticas e da falta de consciencialização, tanto por parte dos doentes como, por vezes, dos profissionais de saúde.
As consequências do diagnóstico tardio podem ser severas. A inflamação não controlada pode levar a danos estruturais irreversíveis nas articulações, perda de mobilidade, dor crónica e um impacto significativo na capacidade funcional e na qualidade de vida do doente.
Estudos indicam que pacientes com EA podem experienciar uma redução de até 48% na qualidade de vida se não receberem tratamento adequado.
Quais os Sintomas da Espondilite Anquilosante?
Os sintomas da Espondilite Anquilosante incluem lombalgia persistente, habitualmente de início antes dos 45 anos de idade, associada a rigidez matinal prolongada, normalmente acima de 15-20 minutos. A dor lombar apresenta habitualmente um ritmo “inflamatório”, ou seja, melhoria com o início da atividade ou exercício, e agrava com o repouso.
Podem também surgir fadiga, dor noturna (por vezes com despertar pela sua intensidade) e inflamação noutras articulações (que se manifesta por dor e “inchaço” persistentes, sem trauma associado) ou também pela presença de dor e sinais inflamatórios (dor, rubor e calor), na inserção de alguns tendões (entesopatia), como por exemplo no tendão de Aquiles. A EA pode também afetar os olhos, nomeadamente pela presença de uveíte, que se manifesta por um quadro de “olho vermelho”, normalmente unilateral e que se acompanha habitualmente de dor.
É assim, crucial diferenciar a dor nas costas de ritmo “mecânico” (mais comum, que geralmente alivia com repouso) da dor “inflamatória” já descrita, esta sim, associada à EA.
Os principais sinais de alerta para a Espondilite Anquilosante incluem:
Se um jovem adulto experienciar estes sintomas de forma persistente, a procura de um médico reumatologista é imperativa porque ao contrário de alguns mitos e ideias preconcebidas, houve um grande avanço no conhecimento que temos acerca da doença e, consequentemente, também do seu tratamento, sendo atualmente uma doença em que os tratamentos existentes normalmente se revelam eficazes no controlo da doença e prevenção da sua evolução e consequências.
O Primeiro Passo para Controlar a Espondilite Anquilosante
O pilar essencial do tratamento da Espondilite Anquilosante é o movimento.
O exercício físico regular é a “trave-mestra” do tratamento desta doença. Em conjunto com programas dedicados de fisioterapia, ajudam a:
Programas com alongamentos, fortalecimento muscular e reeducação postural são fundamentais. Além disso, compreender a doença e adotar estratégias de autocuidado faz uma diferença real no controlo da EA.
O Impacto Socioeconómico da EA em Portugal
A Espondilite Anquilosante não acarreta apenas um fardo físico e emocional para os pacientes, mas também um impacto socioeconómico considerável. Em Portugal, a EA tem um impacto económico total anual estimado em 639 milhões de euros, englobando custos diretos (tratamento, hospitalizações) e indiretos (perda de produtividade devido a absentismo e incapacidade laboral).
A prevalência de doenças crónicas em Portugal é elevada. Tendo por base um estudo levado a cabo em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Reumatologia, o EpiReumaPt, que permitiu aferir a verdadeira prevalência das doenças reumáticas em Portugal, constatou-se que a doença reumática com mais prevalência em Portugal é a lombalgia (26,4%). Por outro lado, constata-se uma prevalência estimada de 1,6% para as Espondilartrites (sendo que destas a mais comum é a Espondilite Anquilosante com 0,6-0,8% da população). Assim, estima-se que tendo por base os últimos sensos, possa haver em Portugal cerca de 60 a 80 000 doentes com Espondilite Anquilosante.
Quando devo procurar um Médico?
Deve procurar um reumatologista se tiver dor nas costas persistente por mais de três meses, especialmente se começou antes dos 45 anos, piora com o repouso e melhora com o movimento. Deve procurar também um reumatologista se apresentar dor/inchaço nas articulações (sem história de traumatismo prévio), ou apresentar dor persistente nos calcanhares ou tendão de Aquiles.
O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações. A dor nas costas persistente, especialmente em jovens, nunca deve ser subestimada. A Espondilite Anquilosante é uma doença séria, mas com o diagnóstico precoce e o acesso às terapias modernas, é possível gerir eficazmente os sintomas, prevenir a progressão da doença e manter uma qualidade de vida plena.
Não espere, se os sinais estiverem presentes, procure um reumatologista.
Perguntas Frequentes
A Espondilite Anquilosante tem cura?
A Espondilite Anquilosante não tem cura, mas pode ser controlada com tratamento adequado. A combinação de medicação, exercício físico e acompanhamento médico permite reduzir os sintomas, prevenir a progressão da doença e manter uma boa qualidade de vida.
A dor melhora com exercício?
Sim, a dor causada pela Espondilite Anquilosante tende a melhorar com o exercício físico e a atividade regular. Ao contrário da dor mecânica, que piora com o movimento, a dor inflamatória é aliviada com atividade e agrava-se com o repouso prolongado.
A Espondilite Anquilosante pode causar incapacidade?
Sim, se não for tratada, pode levar a rigidez da coluna, limitação de movimentos e incapacidade funcional. No entanto, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível evitar ou reduzir significativamente estas complicações.
Há tratamento para a Espondilite Anquilosante?
Sim, a Espondilite Anquilosante é uma doença crónica, mas para a qual existem tratamentos eficazes que, se iniciados atempadamente, podem controlar os sintomas e prevenir os danos e sequelas.
Artigo por: Dr. José António Tavares Costa (Cédula Profissional nº42023)
Artrite Reumatoide: Como a Fisioterapia Pode Transformar o Dia a Dia
A Artrite Reumatoide (AR) não afeta apenas mãos e joelhos – também pode comprometer o sistema cardiovascular, pulmonar e musculatura esquelética, impactando significativamente a qualidade de vida.
O que é a Artrite Reumatoide?
A Artrite Reumatoide é uma doença autoimune que provoca inflamação crónica das articulações, causando sintomas como:
Estes sintomas podem tornar tarefas diárias simples, como vestir-se ou cozinhar, verdadeiros desafios.
Fisioterapia: uma Aliada Essencial
A Fisioterapia desempenha um papel crucial na redução da dor, manutenção da mobilidade, prevenção de deformidades articulares e melhoria da qualidade de vida. A abordagem varia conforme a fase da doença:
1. Fase aguda (crise inflamatória)
2. Fase crónica
Estratégias para viver melhor com Artrite Reumatoide
Manter-se ativo e aplicar pequenas mudanças no dia a dia faz toda a diferença:
Lembre-se: viver com Artrite Reumatoide não significa parar. Com orientação adequada, é possível reduzir dores, proteger articulações e manter a independência.
Artigo por: Fisioterapeutas Marcela Castro e Sara Costa