Tomar corretamente a medicação prescrita pelo médico parece um gesto simples, mas implica recordar a hora, distinguir embalagens, compreender mudanças de dose, renovar receitas e reconhecer efeitos adversos. Quando existe declínio cognitivo e a pessoa vive sozinha, esta rotina pode transformar-se numa fonte de confusão e de risco. Um estudo qualitativo publicado em 2026 no JAMA Internal Medicine ouviu 116 adultos com 55 ou mais anos com défice cognitivo e vida solitária, bem como 54 familiares, amigos ou outras pessoas próximas. O objetivo foi perceber o que facilita ou dificulta a gestão diária da medicação.
Os problemas começaram pelo mais básico: não haver ninguém que recorde a toma. Alguns doentes criavam rotinas, associando os medicamentos ao café da manhã ou a outros hábitos; outros usavam caixas semanais, alarmes ou telefonemas de familiares. Estas soluções ajudavam, mas não eliminavam a incerteza. Uma caixa de comprimidos só é útil se estiver corretamente preparada e se a pessoa compreender o que deve tomar. Outro receio frequente era sofrer tonturas, sonolência, confusão ou queda sem ter quem ajude. Perante essa possibilidade, alguns doentes reduziam ou suspendiam medicamentos por iniciativa própria. Outros ocultavam esquecimentos ou dificuldades aos profissionais de saúde, com medo de perder autonomia ou de serem considerados incapazes de continuar em casa. Aqui reside uma outra mensagem: a confiança não é um detalhe da relação clínica; é uma condição de segurança. A complexidade terapêutica agravava tudo. Várias receitas, embalagens semelhantes, alterações sucessivas e instruções pouco claras aumentavam a probabilidade de duplicações, omissões e acumulação de medicamentos já desnecessários. Familiares e amigos prestavam apoio essencial, mas geralmente intermitente. Não conseguiam confirmar todas as tomas nem detetar rapidamente um erro ou uma reação adversa. Também o sistema de saúde criava obstáculos: linhas telefónicas difíceis, cartas incompreensíveis, problemas comparticipações, renovação de receitas e deslocação à farmácia.
O estudo deixa orientações práticas: sempre que um idoso vive sozinho, sobretudo se toma muitos medicamentos ou fármacos de maior risco, deve avaliar-se não apenas a memória, mas a capacidade real de gerir a terapêutica. Convém perguntar, sem julgamento: “Tem-se esquecido de alguma toma?”, “Algum medicamento causa medo ou mal-estar?”, “Há caixas antigas ou comprimidos por usar em casa?”. Uma resposta honesta é mais provável quando o doente percebe que o objetivo é preservar e não retirar a sua autonomia. É igualmente necessário simplificar: reduzir tomas diárias, eliminar medicamentos sem beneficio atual, harmonizar horários, usar embalagens organizadas e manter uma lista única e atualizada. Farmacêuticos, cuidadores formais, familiares, amigos ou vizinhos de confiança podem ser envolvidos com o consentimento do doente. Visitas domiciliárias e revisão direta das embalagens revelam os problemas que raramente foram evidentes numa consulta convencional.
A tecnologia pode ajudar através de alarmes, dispensadores inteligentes, videochamadas ou alertas remotos. Porém, não substitui o acompanhamento humano e pode até confundir quem tem dificuldades cognitivas. Entregar medicamentos ao domicílio também não garante que sejam tomados; por vezes apenas facilita a sua acumulação.
A conclusão é simples: viver sozinho é um determinante de saúde que deve entrar na prescrição. O melhor esquema terapêutico não é apenas 0 cientificamente correto. É aquele que a pessoa consegue compreender, executar e tolerar com segurança no contexto real da sua vida. Preservar a independência exige apoio proporcionado, comunicação clara e vigilância discreta antes que um esquecimento se transforme numa queda, numa hospitalização ou numa perda evitável de autonomia.
Fonte Principal: Growdon ME et al. JAMA Internal Medicine. 2026;186(7):838-849.
Artigo por: Prof. Dr. Ovídio António Ferreira Costa (Cédula Profissional nº13419)

Laringoscopia
Endoscopia dos Seios Perinasais
Otoemissões Acústicas (OEA)
Impedanciometria
Pesquisa dos Reflexos Estapédicos
Timpanograma
Audiograma Vocal
Medicação, Memória e Solidão: Quando tomar os Comprimidos se torna um Risco Invisível
Tomar corretamente a medicação prescrita pelo médico parece um gesto simples, mas implica recordar a hora, distinguir embalagens, compreender mudanças de dose, renovar receitas e reconhecer efeitos adversos. Quando existe declínio cognitivo e a pessoa vive sozinha, esta rotina pode transformar-se numa fonte de confusão e de risco. Um estudo qualitativo publicado em 2026 no JAMA Internal Medicine ouviu 116 adultos com 55 ou mais anos com défice cognitivo e vida solitária, bem como 54 familiares, amigos ou outras pessoas próximas. O objetivo foi perceber o que facilita ou dificulta a gestão diária da medicação.
Os problemas começaram pelo mais básico: não haver ninguém que recorde a toma. Alguns doentes criavam rotinas, associando os medicamentos ao café da manhã ou a outros hábitos; outros usavam caixas semanais, alarmes ou telefonemas de familiares. Estas soluções ajudavam, mas não eliminavam a incerteza. Uma caixa de comprimidos só é útil se estiver corretamente preparada e se a pessoa compreender o que deve tomar. Outro receio frequente era sofrer tonturas, sonolência, confusão ou queda sem ter quem ajude. Perante essa possibilidade, alguns doentes reduziam ou suspendiam medicamentos por iniciativa própria. Outros ocultavam esquecimentos ou dificuldades aos profissionais de saúde, com medo de perder autonomia ou de serem considerados incapazes de continuar em casa. Aqui reside uma outra mensagem: a confiança não é um detalhe da relação clínica; é uma condição de segurança. A complexidade terapêutica agravava tudo. Várias receitas, embalagens semelhantes, alterações sucessivas e instruções pouco claras aumentavam a probabilidade de duplicações, omissões e acumulação de medicamentos já desnecessários. Familiares e amigos prestavam apoio essencial, mas geralmente intermitente. Não conseguiam confirmar todas as tomas nem detetar rapidamente um erro ou uma reação adversa. Também o sistema de saúde criava obstáculos: linhas telefónicas difíceis, cartas incompreensíveis, problemas comparticipações, renovação de receitas e deslocação à farmácia.
O estudo deixa orientações práticas: sempre que um idoso vive sozinho, sobretudo se toma muitos medicamentos ou fármacos de maior risco, deve avaliar-se não apenas a memória, mas a capacidade real de gerir a terapêutica. Convém perguntar, sem julgamento: “Tem-se esquecido de alguma toma?”, “Algum medicamento causa medo ou mal-estar?”, “Há caixas antigas ou comprimidos por usar em casa?”. Uma resposta honesta é mais provável quando o doente percebe que o objetivo é preservar e não retirar a sua autonomia. É igualmente necessário simplificar: reduzir tomas diárias, eliminar medicamentos sem beneficio atual, harmonizar horários, usar embalagens organizadas e manter uma lista única e atualizada. Farmacêuticos, cuidadores formais, familiares, amigos ou vizinhos de confiança podem ser envolvidos com o consentimento do doente. Visitas domiciliárias e revisão direta das embalagens revelam os problemas que raramente foram evidentes numa consulta convencional.
A tecnologia pode ajudar através de alarmes, dispensadores inteligentes, videochamadas ou alertas remotos. Porém, não substitui o acompanhamento humano e pode até confundir quem tem dificuldades cognitivas. Entregar medicamentos ao domicílio também não garante que sejam tomados; por vezes apenas facilita a sua acumulação.
A conclusão é simples: viver sozinho é um determinante de saúde que deve entrar na prescrição. O melhor esquema terapêutico não é apenas 0 cientificamente correto. É aquele que a pessoa consegue compreender, executar e tolerar com segurança no contexto real da sua vida. Preservar a independência exige apoio proporcionado, comunicação clara e vigilância discreta antes que um esquecimento se transforme numa queda, numa hospitalização ou numa perda evitável de autonomia.
Fonte Principal: Growdon ME et al. JAMA Internal Medicine. 2026;186(7):838-849.
Artigo por: Prof. Dr. Ovídio António Ferreira Costa (Cédula Profissional nº13419)
Não Deixe a Sua Saúde de Férias: Conheça o Check- Up Emigrante!
Cuide de Si e dos Seus, com a Qualidade que Merece
As férias de verão são um momento de reencontros, descanso e alegria. Para muitos dos nossos emigrantes, é a altura perfeita para regressar a casa e desfrutar de Portugal. Mas, no meio de toda a agitação, a sua saúde não pode tirar férias!
É por isso que lançámos a Campanha Check-Up Emigrante, uma iniciativa pensada para que possa fazer uma avaliação completa da sua saúde de forma simples, rápida e acessível.
Check-Up Emigrante Saúde: O Seu Bem-Estar em Primeiro Lugar
Este Check-Up foi cuidadosamente desenhado para lhe dar uma visão clara do seu estado de saúde geral. Inclui:
Disponível nas Clínicas CMP: São João da Madeira (sede), Lobão, Oliveira de Azeméis, Ovar e Vale de Cambra.
Check-Up Emigrante Saúde Oral: Um Sorriso Saudável é um Sorriso Feliz
Porque a saúde começa na boca, não descuramos a sua saúde oral. O nosso Check-Up Emigrante Saúde Oral inclui:
Disponível nas Clínicas CMP: Arouca, Lobão e Vila de Cucujães.
Porquê Fazer o Seu Check-Up Agora?
Quer esteja de visita a Portugal, a aproveitar as suas férias ou simplesmente a querer colocar a sua saúde em dia, o verão é a altura ideal. Aproveite a tranquilidade da estação para cuidar de si e garantir que começa a próxima fase da sua vida com a energia e a saúde em alta.
Não adie o que é importante. A sua saúde é o seu bem mais precioso!
Marque Já o Seu Check-Up! – Telf.: 256 830 700
Não perca esta oportunidade! Entre em contacto connosco para saber mais detalhes e agendar o seu Check-Up Emigrante. A nossa equipa está pronta para o receber e cuidar de si com a dedicação e profissionalismo que nos caracterizam.
Campanha válida durante o mês de agosto.
Ressonância Magnética