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Dia Mundial da Asma em Portugal: Panorama Atual, Diagnóstico e Controlo da Doença

Qual é o Panorama atual da Asma em Portugal?

A Asma, doença inflamatória das vias aéreas, caracteriza-se por episódios recorrentes de pieira (“chiadeira”), falta de ar, aperto no peito e tosse, especialmente à noite ou de manhã. Afeta milhões de pessoas em todo o mundo e aproximadamente 600.000 pessoas em Portugal.

De acordo com o estudo EPI-ASTHMA – Prevalência e caracterização das pessoas com asma, de acordo com a gravidade da doença, em Portugal, na população adulta, a prevalência é de 7,1%, o que faz da asma uma das doenças crónicas mais comuns na nossa população.

Do ponto de vista epidemiológico, não tem havido um aumento exponencial do número de casos desde 2011 (na altura a prevalência era de 6,8%), contudo, tem-se verificado um aumento do número de casos mais graves da doença, sobretudo, entre as populações mais jovens.

Este agravamento pode estar associado a fatores como:

  • Exposição a alergénios ambientais;
  • Poluição do ar;
  • Exposição a poeiras, fumos e gases irritantes;
  • Alterações climáticas e aquecimento global.

A Percentagem de Pacientes que sabem do Diagnóstico Aumentou?

Na atualidade, os dados que dispomos indicam que um em cada três doentes asmáticos não têm o diagnóstico registado no seu processo clínico.

Nesse sentido devemos trabalhar para:

  • Sensibilizar os profissionais de saúde relativamente à importância da doença;
  • Promover o uso mais generalizado da espirometria (prova de função pulmonar) para confirmar o diagnóstico;
  • Melhorar os sistemas de registo clínico para permitir um melhor acompanhamento e monitorização da população asmática;
  • Implementar protocolos de diagnóstico e seguimento, facilitando a referenciação para especialidade quando necessário.

O que Precisa de ser feito para Melhorar a Situação dos Pacientes?

Um dos maiores desafios na gestão da asma é o reconhecimento de que a doença não está controlada.

Em Portugal aproximadamente 60% dos doentes não apresentam a sua doença controlada. Nesse sentido é fundamental:

  • Capacitar os doentes sobre a importância da adesão ao tratamento e à técnica inalatória correta;
  • Implementar planos de ação individualizados;
  • Promover consultas periódicas para avaliar o controlo da doença;
  • Ajustar a medicação e verificar a técnica inalatória garantir o acesso atempado a consultas médicas (Cuidados de Saúde Primários e especialidade) e aos medicamentos necessários;
  • Identificar e evitar, sempre que possível, os fatores desencadeantes individuais (alergénios, irritantes).

Conclusão

É fundamental reconhecer que, embora seja uma doença crónica, a Asma pode e deve ser controlada.

Devemos trabalhar para:

  • Melhorar o diagnóstico, garantir o acompanhamento adequado;
  • Aumentar a adesão terapêutica;
  • Educar continuamente doentes e profissionais.

Com um esforço conjunto envolvendo doentes, famílias, médicos, enfermeiros, farmacêuticos e aproveitando os avanços terapêuticos, podemos aspirar a ter um melhor controlo da doença no futuro em Portugal.

 

Perguntas Frequentes

Sim. Em algumas pessoas, a Asma pode manter-se estável, mas noutros casos pode agravar-se ao longo dos anos, sobretudo se não houver um bom controlo da doença ou se houver exposição contínua a fatores irritantes.

O exercício físico não causa Asma, mas pode desencadear sintomas em algumas pessoas (asma induzida pelo exercício). No entanto, com tratamento adequado, a maioria dos doentes pode praticar atividade física normalmente.

Nem sempre. Embora muitas pessoas com Asma tenham alergias associadas, existem também formas não alérgicas da doença, desencadeadas por infeções, exercício, poluição ou outros fatores.

Sim. Os medicamentos utilizados no controlo da Asma são seguros quando usados corretamente e sob orientação médica. O benefício no controlo da doença é superior aos riscos.

Sim. O stress emocional pode agravar sintomas respiratórios e aumentar a frequência das crises em algumas pessoas com Asma.

Sinais comuns incluem:

  • Necessidade frequente de medicação de alívio;
  • Tosse ou falta de ar frequentes;
  • Acordar à noite com sintomas;
  • Limitação na atividade diária.

Sim. A maioria dos doentes com Asma pode viajar de avião sem problemas, desde que a doença esteja controlada e a medicação seja levada na bagagem de mão.

 

 

 

 

Artigo por: Dr. José Coutinho Costa (Cédula Profissional nº56304)