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O Trilema da Reforma em Portugal: Longevidade, Pensão de Reforma e a Fatura da Saúde

O aumento da esperança média de vida em Portugal é frequentemente celebrado como um sinal de progresso social e civilizacional. No entanto, os dados recentes mostram que uma vida mais longa nem sempre significa uma vida melhor.

À medida que a população envelhece, as despesas com saúde, entre outras, tornam-se um encargo cada vez mais pesado. Este cenário resulta numa crescente desproteção financeira na velhice. Segundo o estudo do Observatório da Despesa em Saúde, publicado em 2025, as despesas diretas com saúde – ou seja, aquelas suportadas diretamente pelas famílias – aumentam de forma significativa após os 70 anos. Entre os muito idosos (85+), estas despesas representam, em média, 10,56% do rendimento líquido anual.

Além disto, as dificuldades de acesso a intervenções médico-cirúrgicas especializadas tornam-se mais evidentes. Procedimentos como a colocação de próteses, pacemakers ou o acesso a cuidados de longa duração são cada vez mais comuns na terceira idade. A implantação transcutânea da válvula aórtica (TAVI), por exemplo, pode ter custos que ultrapassam 30 mil euros, um valor que já compromete a capacidade de resposta atempada do SNS.

Apesar dos sistemas públicos proporcionarem alguma proteção contra a pobreza extrema, subsistem profundas desigualdades entre os idosos. Em Portugal, dados do Banco de Portugal e do INE indicam que em 2024 metade dos pensionistas por velhice recebia menos de 462 euros mensais, evidenciando as dificuldades de sobrevivência. Em consequência do aumento da esperança média de vida prevê-se que, em 2026, a idade normal de reforma atinja 66 anos e nove meses – uma das mais elevadas da OCDE.

Entre 2022 e 2024, a esperança de vida aos 65 anos situou-se nos 20 anos. A década de 2040 será um período crítico, em que a conjugação de um elevado número de idosos com uma transição demográfica acentuada atingirá o seu auge. Projeções europeias sugerem que, até cerca de 2050, Portugal poderá ultrapassar a barreira dos 60% na relação entre idosos e ativos, o que significa menos de duas pessoas em idade ativa por cada idoso com mais de 65 anos.

O Papel do SNS e a Proteção do Bem-Estar dos Idosos: O desafio para 2026 e os anos seguintes consiste em assegurar não apenas o aumento da longevidade, mas também garantir rendimentos adequados para cobrir os custos com a saúde e os cuidados prolongados fora do contexto familiar. Nesse cenário o Serviço Nacional de Saúde poderá assumir um papel estratégico determinante se apoiado por decisões políticas que priorizem a promoção da saúde e o bem-estar da população idosa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Artigo por: Prof. Dr. Ovídio António Ferreira Costa (Cédula Profissional nº13419)