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Asma Infantil: Sintomas, Fatores de Risco e Importância do Diagnóstico Precoce

A Asma Infantil é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas que pode manifestar-se de forma discreta ou através de sintomas mais evidentes. Em muitas crianças, os sinais iniciais passam despercebidos ou confundem-se com constipações frequentes, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do acompanhamento adequado.

Este artigo explica, de forma clara e acessível, como identificar sinais de alerta, quais os fatores de risco e porque é essencial procurar avaliação pediátrica quando surgem dúvidas.

O que é a Asma Infantil?

A Asma é uma doença crónica caracterizada por:

  • Inflamação das vias aéreas;
  • Obstrução do calibre brônquico;
  • Hiper-reactividade brônquica.

Estas alterações levam ao aparecimento de sintomas como falta de ar, pieira e tosse persistente. O diagnóstico é mais frequente em crianças em idade escolar, geralmente a partir dos 6 anos.

Sintomas: quando desconfiar de Asma?

Os sintomas podem ser subtis ou aparecer apenas em situações específicas. Entre os mais comuns encontram-se:

  • Cansaço acima do esperado durante o exercício físico;
  • Tosse noturna persistente, mesmo sem constipação;
  • Pieira (chiado ao respirar);
  • Falta de ar;
  • Sensação de aperto no peito.

Estes sinais podem surgir isoladamente ou associados a fatores desencadeantes.

Triggers mais frequentes

Os sintomas de Asma podem surgir de forma súbita e estão frequentemente associados a:

  • Exercício físico;
  • Riso ou choro;
  • Alergénios (pólen, ácaros, animais);
  • Poluição;
  • Alterações meteorológicas;
  • Infeções virais comuns.

Asma ou apenas Constipações frequentes?

É comum que crianças pequenas apresentem episódios de bronquiolite ou hiper-reactividade brônquica sem que isso signifique evolução para Asma. Contudo, quando os sintomas são recorrentes, persistentes ou surgem sem infeção associada, é fundamental uma avaliação médica.

Fatores de risco para desenvolver Asma

Alguns elementos aumentam a probabilidade de evolução para Asma:

  • História familiar de Asma ou alergias;
  • Rinite alérgica ou eczema atópico;
  • Exposição a alergénios;
  • Poluição ambiental;
  • Ausência de aleitamento materno.

Nenhum destes fatores, isoladamente, confirma o diagnóstico, mas ajudam a identificar crianças que necessitam de vigilância mais próxima.

Como se confirma o diagnóstico?

O acompanhamento pediátrico é essencial para:

  • Avaliar a evolução dos sintomas;
  • Distinguir Asma de outras doenças respiratórias;
  • Identificar fatores desencadeantes;
  • Realizar Provas Funcionais Respiratórias, quando indicadas.

Um diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento adequado, reduzir crises, evitar idas ao hospital e melhorar significativamente a qualidade de vida da criança.

Porque é importante tratar?

Com acompanhamento adequado, é possível:

  • Controlar os sintomas;
  • Reduzir o número de crises;
  • Evitar limitações na atividade física;
  • Melhorar o sono e o bem-estar geral;
  • Diminuir admissões hospitalares.

A intervenção precoce é a chave para garantir que a criança mantém uma vida ativa, saudável e sem limitações.

Não ignore os sinais da Asma

A Asma Infantil pode apresentar-se de forma discreta, mas o reconhecimento dos sintomas e a avaliação médica atempada fazem toda a diferença. Se o seu filho apresenta tosse persistente, pieira, cansaço exagerado ou dificuldade respiratória, procure orientação pediátrica para um diagnóstico seguro e adequado.

 

Perguntas Frequentes

Habitualmente, numa criança constipada, podemos ter tosse, congestão nasal, ou seja, nariz entupido, alguma rinorreia e febre. Contudo, numa Asma, muitas das vezes temos estes sintomas, mas associam-se ainda a falta de ar, a pieira (o chiar a respirar) e também a sensação de opressão torácica, ou seja, de aperto no peito.

Numa crise de falta de ar é importantíssimo tentar deixar a criança o mais tranquila possível. Levá-la para um ambiente que esteja calmo, tranquilo, com ar fresco, sobretudo e se possível. Sempre que conseguirmos, fazer a terapêutica de resgate, ou seja, a terapêutica em SOS que tínhamos já em casa. Se isso não for possível, porque é o primeiro episódio, o ideal é a criança ser vista em contexto de urgência.

Apesar do exercício físico poder ser um fator que despoleta a Asma, as crianças com este diagnóstico não estão proibidas da sua prática. Muitas das vezes pode ser necessário a realização de algum tipo de medicação, antes do exercício físico, para que a criança consiga praticar sem qualquer tipo de sintoma.

Quando existe histórico familiar, ou seja, quando algum elemento da família da criança é asmático ou com algum tipo de rinite alérgica ou eczema atópico, isso pode fazer com que a criança tenha um risco superior ao normal.

O diagnóstico da Asma deve ser realizado por Provas Funcionais Respiratórias. Por esse motivo muitas das vezes o mesmo só é realizado a partir da idade escolar (a partir dos 6 ou 7 anos de idade). Isto porque em muitas das vezes, em crianças mais novas, podemos ter alguns sintomas suspeitos, mas não temos a colaboração da criança para a realização das Provas Funcionais Respiratórias e conseguirmos assim obter o diagnóstico definitivo.

 

 

 

 

Artigo por: Drª. Diana Henriques Pinto (Cédula Profissional nº62381)