Provas de Função Respiratória
Os exames de função respiratória são cada vez mais importantes no diagnóstico e tratamento de muitas doenças pulmonares. Por exemplo, no recente desenvolvimento de 2 antifibróticos, a pirfenidona e nintedanib, a eficácia foi avaliada em termos da capacidade de atrasar o declínio da capacidade vital forçada. Em doenças como a doença pulmonar obstrutiva crónica, a espirometria é também ela necessária para diagnóstico e estadiamento. A situação é semelhante noutras doenças altamente prevalentes, como a asma ou doenças neuromusculares. Indivíduos com crescimento pulmonar anormal também demonstraram parâmetros de função respiratória alterados durante seu desenvolvimento, levando a uma maior prevalência de doenças cardiovasculares e doenças metabólicas e aumento do risco de morte por doenças cardíacas e pulmonares. Uma outra característica dos testes de função respiratória é que o mesmo resultado é muitas vezes interpretado de forma diferente, dependendo do laboratório em que o teste foi realizado, com grandes discrepâncias no que foi definido como a faixa normal de valores observados em uma população saudável. A Global Lung Function Initiative (GLI) tem trazido equações de referência que têm permitido adequar a interpretação dos resultados e melhor padronizar os conceitos de normalidade.
A incorporação de novas tecnologias também levou ao progresso no desenvolvimento de uma função respiratória mais simples e sensível, sendo fundamental que se mantenha a oferta formativa de atualização e que se fomente o interesse nas incontáveis vantagens que a função respiratória tem para oferecer.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é agora uma das três principais causas de morte no mundo e mais de 3 milhões de pessoas morreram de DPOC em 2012, correspondendo a 6% de todas as mortes no mundo. Globalmente, a carga da DPOC deve aumentar nas próximas décadas devido à exposição contínua aos fatores de risco da DPOC e ao envelhecimento da população.
Os tratamentos baseados na medicina de precisão desenvolvidos nas últimas décadas revolucionaram o curso natural de muitas doenças. Uma abordagem terapêutica direcionada às características individuais de cada doente melhora substancialmente os resultados com menos efeitos secundários. A chave para o sucesso ao prescrever este tipo de tratamento requer a identificação de alvos terapêuticos nas diferentes patologias, bem como uma seleção apropriada de doentes, com base na identificação de características fenotípicas específicas (os chamados traços tratáveis) e seus marcadores biológicos.
Na Pneumologia há uma vasta experiência com o uso de biológicos na asma e no cancro de pulmão sendo previsível que, num futuro muito próximo, essa experiência se venha a alastrar para a DPOC, sendo mais importante que nunca a reunião de saberes e discussão entre pares.
Provas de Função Respiratória realizadas no Centro Medico da Praça
1. Espirometria com curva de debito-volume e avaliação dos volumes dinâmicos;
2. Pletismografia com estudo da mecânica ventilatória e avaliação dos volumes estáticos;
3. Prova de broncodilatação;
4. Prova de broncoconstrição com metacolina;
5. Avaliação da capacidade de difusão do CO por respiração única;
6. Avaliação das resistências das vias aéreas;
7. Medição da pressão de oclusão das vias aéreas (P0.1);
8. Medição da pressão expiratória máxima;
9. Medição da pressão inspiratória máxima;
10. Oximetria transcutânea;
11. Gasometria sangue arterial.
Artigo por: Dr. José Coutinho Costa (Cédula Profissional nº56304)


