Novo Posto de Colheita de Análises Clínicas em Escariz

O Grupo Centro Médico da Praça continua a assegurar proximidade e qualidade dos serviços de saúde. É com grande satisfação que anunciamos a abertura, no próximo dia 14 de abril, de um novo posto de colheita de Análises Clínicas em Escariz, em parceria com a Clínica Meta Física.

Análises Clínicas em Escariz com mais Comodidade

A partir de dia 14 de abril, poderá realizar as suas análises clínicas em Escariz de forma rápida, cómoda e segura, sem necessidade de grandes deslocações. Este novo serviço foi pensado para responder às necessidades da população local, garantindo um atendimento de excelência.

  • Local: Avenida das Escolas n°241, 4540-297 Escariz (Clínica Meta Física)
  • Horário: Terças e Quintas-Feiras, das 08h00 às 11h00

Porquê escolher este Novo Ponto de Colheita?

  • Maior proximidade para utentes de Escariz e arredores;
  • Colheitas realizadas por profissionais qualificados;
  • Integração com os serviços e acordos do Grupo Centro Médico da Praça.

Se procura Análises Clínicas perto de si, esta é a solução ideal para cuidar da sua saúde com mais facilidade e comodidade.

Marcação e Informações

Para mais informações sobre colheitas de análises em Escariz ou marcações, entre em contacto através do 256 926 197 / 914 956 114 ou através do email clinica.metafisica.escariz@gmail.com.

 

 

A Policlínica São Tiago de Lobão promove Avaliações Orais Gratuitas

A saúde oral continua a ser um pilar essencial do bem-estar geral e, é com esse compromisso que a Policlínica São Tiago de Lobão lança a campanha “Avaliação Oral em Lobão”, oferecendo consultas de avaliação gratuitas à população.

Sob o lema “O Seu Sorriso é a Nossa Prioridade”, esta iniciativa pretende sensibilizar a comunidade para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce de problemas dentários, muitas vezes silenciosos, mas com impacto significativo na qualidade de vida.

As avaliações serão realizadas pela Drª. Carla Cardoso (Cédula Profissional  nº3972) e pela Drª. Mariana Pinho (Cédula Profissional nº15513), médicas dentistas experientes, que estarão disponíveis para orientar os pacientes e esclarecer dúvidas sobre saúde oral, higiene e possíveis tratamentos.

A participação é totalmente gratuita, sendo apenas necessária marcação prévia através do contacto telefónico 256 918 707.

Esta campanha surge como uma excelente oportunidade para quem pretende avaliar o estado da sua saúde oral sem custos, reforçando hábitos preventivos e promovendo sorrisos mais saudáveis e confiantes.

 

Agende já a sua avaliação e sorria com confiança – 256 918 707

 

Provas Funcionais Respiratórias: Clínica CMP Ovar através do SNS

A sua respiração é um dos indicadores mais importantes da sua saúde. No Centro Médico da Praça, ajudamos a cuidar dos seus pulmões através de exames especializados e acessíveis.

Se procura realizar Provas Funcionais Respiratórias em Ovar, saiba que este serviço está disponível na Clínica CMP Ovar, inclusive através do SNS – Serviço Nacional de Saúde.

O que são Provas Funcionais Respiratórias?

As Provas Funcionais Respiratórias são exames simples, seguros e essenciais para respirar melhor. Avaliam parâmetros que permitem examinar a função pulmonar, auxiliando no diagnóstico e acompanhamento de doenças respiratórias, como:

  • Asma;
  • DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica);
  • Enfisema pulmonar;
  • Fibrose pulmonar;
  • Sarcoidose.

Que Exames Respiratórios pode realizar?

Na Clínica CMP Ovar, pode realizar diversos exames respiratórios essenciais:

Espirometria

A espirometria é o estudo dos débitos e volumes pulmonares. É realizada recorrendo a um pneumotacógrafo, aparelho que mede o fluxo de ar e o descreve numericamente, permitindo a determinação de vários parâmetros fundamentais na avaliação da função pulmonar.

Pletismografia

A pletismografia avalia a capacidade pulmonar total e o volume residual. É fundamental para avaliar a eficácia dos mecanismos respiratórios, através do estudoda capacidade de transporte do ar, da força dos músculos envolvidos na respiração e da resistência das vias respiratórias.

Esta prova decorre num pletismógrafo, que é uma cabine totalmente fechada e com um volume conhecido, onde o paciente é colocado durante o exame. Neste local, o doente respira através de um bocal, realizando várias manobras respiratórias, de esforço variável, que provocam alterações de pressão na cabine.

Capacidade de Difusão do CO (DLCO)

O teste de difusão analisa a capacidade de difusão dos alvéolos pulmonares.

Durante a realização deste exame, o paciente é submetido à inalação de um gás durante um período determinado. De seguida, quantifica-se a concentração desse gás no a  expirado, avaliando a superfície alveolar livre para as trocas gasosas.

Espirometria com Prova de Broncodilatação

Quando indicado, pode repetir-se a espirometria depois de ser administrado um fármaco broncodilatador, permitindo avaliar a resposta brônquica.

Quais são as Vantagens destes Exames?

As Provas Funcionais Respiratórias são:

✔ Acessíveis e indolores: Não sendo necessário qualquer preparação específica;
✔ Avaliação Terapêutica: Permitem avaliar a resposta a tratamentos;
✔ Diagnóstico Precoce: Possibilita a detecção de doenças respiratórias (Asma, DPOC, Enfisema, Fibrose Pulmonar).

Quando deve fazer um Exame Respiratório?

Deve considerar realizar estes exames se apresentar:

  • Falta de ar frequente;
  • Tosse persistente;
  • Chiado no peito;
  • Histórico de doenças respiratórias;
  • Tabagismo ou exposição a poluentes.

A avaliação precoce pode fazer toda a diferença na sua qualidade de vida.

Provas Respiratórias em Ovar com Acesso pelo SNS

Na Clínica CMP Ovar, pode realizar estes exames com referenciação através do SNS – Serviço Nacional de Saúde garantindo acesso a cuidados de saúde de qualidade.

Com mais de 40 anos de experiência (desde 1985), as Clínicas CMP continuam a criar laços de confiança com os seus utentes.

 

 

 

 

 

Cordas vocais inflamadas causando rouquidão persistente

Rouquidão Persistente: Quando a Voz Pede Ajuda Médica

Quando a Rouquidão Deixa de Ser “Normal”

Todos nós já sofremos com rouquidão. Seja após um concerto, um jogo de futebol com gritos entusiastas, ou uma constipação comum, a nossa voz pode falhar e tornar-se áspera. Na maioria das vezes, esta alteração é temporária e resolve-se em poucos dias. No entanto, o que acontece quando a rouquidão se instala e parece não querer ir embora?

Quando é que este sintoma, aparentemente inofensivo, se torna um sinal de alerta que exige atenção médica especializada?
A voz é uma ferramenta essencial na nossa comunicação e expressão. Quando a sua qualidade é comprometida, a nossa vida social e profissional pode ser afetada. Ignorar uma rouquidão persistente, esperando que “passe sozinha”, pode ser um erro com consequências significativas para a saúde vocal a longo prazo.

Principais Causas da Rouquidão Persistente

A rouquidão, clinicamente conhecida como disfonia, é o resultado de uma alteração na vibração das cordas vocais. As causas podem ser variadas, desde condições benignas a problemas mais sérios. É crucial entender que a persistência do sintoma é o fator determinante para a procura de ajuda médica.

Inflamação da Laringe (Laringite)

A laringite é uma das causas mais comuns de rouquidão. Geralmente, é provocada por infeções virais, como as da gripe ou constipação, ou por uso excessivo da voz. Nestes casos, a inflamação das cordas vocais impede a sua vibração normal. Embora a laringite aguda seja passageira, a laringite crónica, que dura mais de três semanas, pode ser causada por irritantes como o fumo, poluição, ou mesmo por refluxo gastroesofágico.

Refluxo Laringofaríngeo (RLF)

O refluxo não afeta apenas o estômago e o esófago. O Refluxo Laringofaríngeo (RLF) ocorre quando o ácido do estômago sobe até à garganta, irritando as cordas vocais e a laringe. Os sintomas podem ser subtis e nem sempre incluem a azia clássica. Pigarro constante, tosse crónica, sensação de “bola na garganta” e, claro, rouquidão persistente, são sinais de RLF que merecem investigação.

Nódulos, Pólipos e Quistos nas Cordas Vocais

Estas lesões benignas são frequentemente associadas ao uso abusivo ou incorreto da voz. Cantores, professores, oradores e profissionais que dependem da voz estão mais suscetíveis. Os nódulos, por exemplo, são calosidades que se formam nas cordas vocais devido ao atrito constante. Pólipos e quistos são outras formações que podem impedir o fecho completo das cordas vocais, resultando em rouquidão. A intervenção precoce é fundamental para evitar danos permanentes.

Outras Causas a Considerar

Embora menos comuns, outras condições podem causar rouquidão persistente, incluindo:

  • Paralisia das Cordas Vocais: Pode ser causada por lesões nervosas, cirurgias, ou certas doenças neurológicas;
  • Hemorragia das Cordas Vocais: Resulta de um esforço vocal súbito e intenso;
  • Condições Neurológicas: Doenças como Parkinson ou Esclerose Múltipla podem afetar o controlo muscular da laringe;
  • Cancro da Laringe: Esta é uma das razões mais sérias para a rouquidão persistente. O diagnóstico precoce é vital para o sucesso do tratamento.

O Erro Comum: Esperar Demasiado Tempo

Um dos maiores erros que as pessoas cometem é adiar a procura de ajuda médica. A ideia de que “vai passar” ou que “é apenas cansaço” pode levar a um atraso no diagnóstico de condições que exigem tratamento imediato. A rouquidão que persiste por mais de duas a três semanas é um sinal de alerta que não deve ser ignorado.

Esperar demasiado tempo pode agravar a condição subjacente, tornando o tratamento mais complexo e, em alguns casos, comprometendo a recuperação total da voz. No caso de doenças mais graves, como o cancro da laringe, cada dia conta.

Panorama Estatístico em Portugal

A relevância deste tema é suportada por dados epidemiológicos preocupantes. Portugal apresenta uma das maiores incidências de cancro da laringe na Europa.

  • Incidência: Em Portugal, são diagnosticados anualmente cerca de 600 novos casos de cancro da laringe, sendo o nosso país o terceiro da Europa com maior incidência desta doença;
  • Prevalência em Grupos de Risco: Estudos indicam que a disfonia pode afetar até 87,3% dos professores, um dos grupos profissionais mais vulneráveis;
  • Gravidade: O cancro da laringe representa aproximadamente 2% de todos os diagnósticos oncológicos no país.

Quando Procurar Avaliação Especializada

A mensagem é clara: se a sua rouquidão durar mais de duas a três semanas, é imperativo procurar um médico. Um otorrinolaringologista (especialista em ouvidos, nariz e garganta) é o profissional indicado para avaliar a sua condição vocal. Além da persistência da rouquidão, existem outros sinais de alerta que indicam a necessidade de uma consulta urgente:

  • Dor ao engolir (odinofagia) ou dificuldade em engolir (disfagia);
  • Dificuldade em respirar (dispneia);
  • Presença de um nódulo ou massa no pescoço;
  • Perda total da voz (afonia) por mais de alguns dias;
  • Rouquidão acompanhada de tosse com sangue;
  • Perda de peso inexplicável.

Durante a consulta, o médico poderá realizar um exame físico e, se necessário, uma laringoscopia, que permite visualizar diretamente as cordas vocais e identificar a causa da rouquidão. Este procedimento é rápido, seguro e fundamental para um diagnóstico preciso.

Conclusão

A sua voz é um bem precioso. Não a ignore quando ela lhe dá sinais de que algo não está bem. A rouquidão persistente não é “normal” e pode ser um indicador de uma condição que exige atenção médica. Seja proativo com a sua saúde vocal e procure avaliação especializada sem demora. A sua voz agradecerá.

 

 

 

Artigo por: Dr. Victor Filipe Gomes Certal (Cédula Profissional nº46792)

 

 

 

 

 

 

 

 

Sinais de Alerta Pediátricos

Saber identificar os sinais de alerta pediátricos e quando procurar uma urgência pediátrica é fundamental para a segurança e saúde das crianças. Este guia prático visa capacitar pais e cuidadores a reconhecer situações que exigem atenção médica imediata, garantindo uma intervenção rápida e eficaz.

A sua observação atenta é a primeira linha de defesa para o bem-estar dos seus filhos.

Quando Procurar Ajuda Médica Urgente: Sinais a Não Ignorar

Para além das Consultas de Vigilância Regulares, é crucial procurar observação médica sempre que surgirem sintomas preocupantes. Os pais conhecem melhor do que ninguém o comportamento habitual dos seus filhos, e qualquer alteração significativa deve ser valorizada e avaliada por um profissional de saúde.

Existem sinais que justificam uma avaliação médica mais urgente, tais como:

  • Febre persistente que não cede à medicação antipirética;
  • Dificuldade respiratória (respiração rápida, esforço abdominal, tiragem intercostal);
  • Sonolência excessiva ou alterações do estado de consciência;
  • Recusa alimentar persistente ou sinais de desidratação;
  • Episódios convulsivos (especialmente se for o primeiro);
  • Alterações marcadas do estado habitual da criança.

A observação precoce permite atuar rapidamente e com maior segurança, prevenindo complicações graves.

Urgências Pediátricas na Adolescência: Problemas Comuns e Sinais de Alerta

A adolescência é uma fase de grandes transformações, e os problemas de saúde podem manifestar-se de formas distintas. Em contexto de urgência, são frequentes infeções respiratórias, traumatismos, dores abdominais, lesões desportivas e, por vezes, situações relacionadas com ansiedade ou stress. A maioria destas situações pode ser resolvida com segurança quando avaliada e intervencionada precocemente.

Sinais de Alerta na Adolescência que os Pais Não Devem Ignorar

É vital estar atento a alterações que podem indicar problemas subjacentes na saúde do adolescente:

  • Alterações persistentes do humor ou isolamento social;
  • Alterações do sono (insónia, hipersonia);
  • Perda de peso inexplicada ou alterações significativas nos hábitos alimentares;
  • Diminuição significativa do rendimento escolar.

A observação precoce permite intervir de forma eficaz e resolver problemas que, quando não intervencionados, poderão ter efeitos nefastos na idade adulta.

A escola tem um papel fundamental na promoção de hábitos saudáveis, na identificação precoce de dificuldades e na criação de um ambiente seguro para o desenvolvimento dos jovens. Sempre que se verifiquem alterações além do padrão normal, devem ser contactados os Encarregados de Educação e, se necessário, agilizar a referenciação para os Cuidados de Saúde.

Estratégias de Prevenção para Adolescentes

As estratégias mais eficazes nesta faixa etária incluem o acompanhamento médico regular, a promoção de hábitos de vida saudáveis e uma comunicação aberta entre adolescentes, pais e profissionais de saúde.

Estes pilares são fundamentais para um desenvolvimento equilibrado.

Como Agir em Situações Específicas

1. Convulsão Febril: Manter a Calma e Agir Corretamente

As convulsões febris são relativamente frequentes em idade pediátrica e, na maioria dos casos, são benignas. No entanto, é uma situação que gera naturalmente muita preocupação. O Serviço Nacional de Saúde (SNS24) oferece orientações claras sobre como agir:

  • Manter a calma e colocar a criança de lado, numa superfície segura, para evitar aspiração;
  • Não colocar nada na boca da criança;
  • Se for o primeiro episódio, a criança deve ser sempre observada num serviço de urgência para confirmar o diagnóstico e excluir outras causas;
  • Se a criança já tiver antecedentes e o episódio for semelhante aos anteriores (curta duração, recuperação completa), a situação é geralmente benigna, devendo seguir as indicações médicas prévias.
2. Esforço Respiratório: Como Identificar os Sinais

Os sinais de esforço respiratório incluem aumento da frequência respiratória (respiração rápida), tiragem intercostal (covinhas debaixo das costelas), esforço abdominal para respirar, adejo nasal e cianose dos lábios e extremidades.

Estes sinais devem ser avaliados rapidamente por um médico.

3. Vómitos e Diarreia: Quando ir à Urgência?

Um episódio de vómitos e diarreia exige uma ida à urgência quando existem sinais de desidratação, incapacidade de ingerir líquidos, vômitos persistentes, prostração ou agravamento do estado geral.

4. Sazonalidade e Atendimentos de Urgência

No inverno, são mais frequentes as infeções respiratórias, enquanto no verão predominam gastroenterites, desidratação e traumatismos associados a atividades ao ar livre.

Conhecer estes padrões ajuda os pais a estar mais preparados.

Kit Básico de Primeiros Socorros Pediátricos

Ter um kit de primeiros socorros pediátricos em casa permite uma resposta rápida e segura às situações mais frequentes. Deve incluir:

  • Termómetro;
  • Medicação antipirética adequada à idade e peso da criança;
  • Soro fisiológico;
  • Compressas e desinfetantes;
  • Lista de contactos médicos de referência (pediatra, SNS24).
Prevenção de Acidentes Domésticos em Crianças

A maioria dos acidentes domésticos em crianças pode ser prevenida com medidas simples:

  • Supervisão adequada;
  • Proteção de tomadas elétricas;
  • Armazenamento seguro de medicamentos e produtos perigosos;
  • Adaptação do ambiente à idade da criança (grades de proteção, protetores de esquinas).

Lembre-se: a prevenção é sempre a melhor estratégia.

 

 

 

Artigo por: Dr. Tiago Aires (Cédula Profissional nº73885)

 

 

 

 

 

 

 

 

Consultas de Saúde Infantil: O Guia Completo para Pais Conscientes

A saúde dos nossos filhos é uma prioridade, e as Consultas de Saúde Infantil desempenham um papel crucial no seu desenvolvimento saudável.

Este guia completo foi criado para pais e cuidadores que procuram entender a importância do acompanhamento infantil, desde os primeiros dias de vida até à adolescência, garantindo um crescimento equilibrado e prevenindo problemas futuros.

A Visão Integrada da Saúde Infantil

A Medicina Geral e Familiar disponibiliza uma perspetiva holística, essencial para compreender a criança no seu contexto familiar, social e emocional. Esta abordagem integrada é fundamental, pois a saúde infantil está intrinsecamente ligada ao ambiente em que a criança cresce.

Este acompanhamento contínuo e próximo facilita a identificação precoce de alterações, o esclarecimento de dúvidas e a orientação adequada em cada fase do desenvolvimento. As consultas de saúde infantil surgem como uma extensão natural desta prática, focando-se nas necessidades específicas das crianças e na tranquilidade das suas famílias.

Consultas de Saúde Infantil: Um Guia Essencial para Pais

As Consultas de Saúde Infantil abrangem todas as idades pediátricas, desde o recém-nascido até à adolescência. São particularmente frequentes nos primeiros anos de vida, uma fase de crescimento muito rápido e onde surgem naturalmente mais dúvidas por parte dos pais.

Estas consultas são essenciais para acompanhar o desenvolvimento físico, neurológico e emocional da criança, garantindo que tudo decorre de forma saudável e esperada.

A Frequência das Consultas: Do Recém-Nascido à Adolescência

O plano de vigilância inclui consultas regulares, com maior frequência no primeiro ano de vida, período de intensas mudanças. Posteriormente, as consultas tornam-se mais espaçadas, mantendo sempre o objetivo de acompanhar o crescimento, o desenvolvimento e o bem-estar global da criança. Estas consultas permitem também antecipar problemas, orientar os pais e intervir precocemente sempre que necessário.

O Que Acontece numa Consulta de Vigilância?

Na maioria das consultas de vigilância, o diagnóstico é feito com base na observação clínica e na avaliação do crescimento e desenvolvimento. Os exames complementares são solicitados apenas quando existe indicação específica, evitando procedimentos desnecessários. As consultas são realizadas num ambiente calmo, respeitando o ritmo da criança e criando um clima de confiança.

Avalia-se:

  • Crescimento e Desenvolvimento: Monitorização de peso, altura, perímetro cefálico e marcos de desenvolvimento;
  • Estado Geral: Avaliação de sinais vitais e exame físico completo;
  • Alimentação e Sono: Análise de padrões e hábitos;
  • Comportamento: Observação de interações e desenvolvimento social;
  • Dúvidas dos Pais: Esclarecimento de questões e preocupações.
A Primeira Consulta do Bebé: Preparação e Importância

A primeira consulta do bebé deve ocorrer nos primeiros dias após o nascimento, idealmente entre 3 a 5 dias de vida. É um momento fundamental para avaliar a adaptação do recém-nascido, o crescimento inicial e esclarecer todas as dúvidas dos pais, proporcionando segurança nesta fase tão importante.

Preparar uma lista de perguntas pode ser muito útil para aproveitar ao máximo este encontro.

Acompanhamento Pediátrico na Adolescência: Um Diálogo Aberto

A adolescência é uma fase de grandes mudanças físicas, emocionais e comportamentais. O acompanhamento médico é crucial para garantir que este processo decorre de forma saudável e equilibrada. A consulta serve como um espaço de diálogo, onde o adolescente se pode sentir ouvido e orientado, tirando todas as dúvidas que surgem na sua vida diária.

O médico procura avaliar:

  • Crescimento e Desenvolvimento Pubertário: Monitorização das mudanças físicas;
  • Hábitos de Vida: Alimentação, sono, atividade física;
  • Bem-Estar Emocional: Identificação precoce de sinais de ansiedade, stress ou outras dificuldades.

A Importância da Confiança

A minha missão é acompanhar cada criança com rigor, proximidade e dedicação, proporcionando aos pais a confiança e a tranquilidade que procuram quando se trata da saúde dos seus filhos. Acredito que uma medicina de qualidade começa na escuta ativa, no acompanhamento próximo e na prevenção.

Cada consulta é uma oportunidade de cuidar, orientar e construir uma relação de confiança duradoura. Porque cuidar da saúde é cuidar do futuro, convido-o a dar este passo comigo com confiança.

 

 

 

Artigo por: Dr. Tiago Aires (Cédula Profissional nº73885)

 

 

 

 

 

 

 

 

Obesidade: uma Abordagem para além da Dieta

A procura por soluções para a perda de peso é uma constante na vida de muitos, frequentemente marcada por ciclos viciosos de esperança, esforço e, infelizmente, frustração.

Durante muito tempo, a narrativa dominante associou a perda de peso exclusivamente à disciplina alimentar. Hoje sabemos que, embora a alimentação seja um pilar essencial, a obesidade é uma condição clínica complexa que exige uma abordagem integrada.

A obesidade não é apenas uma questão de força de vontade. É reconhecida como uma doença crónica multifatorial, influenciada por uma vasta rede de fatores biológicos, genéticos, hormonais, comportamentais e ambientais.

Dieta e Exercício: Os Pilares Fundamentais do Tratamento

A intervenção alimentar estruturada constitui a base do tratamento da obesidade. Um plano nutricional individualizado permite reduzir massa gorda, melhorar parâmetros metabólicos e diminuir o risco cardiovascular. No entanto, os melhores resultados são alcançados quando a dieta é combinada com atividade física regular.

O exercício físico não atua apenas no aumento do gasto calórico. Contribui para preservar massa muscular durante a perda de peso, sustentar o metabolismo basal, melhorar a sensibilidade à insulina e facilitar a manutenção dos resultados a longo prazo. Adicionalmente, contribui para a melhoria da composição corporal, reduzindo a gordura visceral, que se associa a maior risco cardiovascular.

Adaptação Metabólica: Porque o Corpo Resiste à Perda de Peso

Quando se inicia uma dieta e se reduz a ingestão calórica, o corpo interpreta esta mudança como um período de escassez e ativa mecanismos de defesa energética.

Um dos principais é a adaptação metabólica, um processo onde o gasto energético basal diminui. Ou seja, o corpo passa a gastar menos calorias em repouso para conservar energia, tornando a manutenção da perda de peso cada vez mais difícil.

Esta adaptação não invalida a eficácia da dieta, mas ajuda a explicar por que razão, após uma dieta, a manutenção da perda de peso pode tornar-se progressivamente mais desafiante, podendo levar, inclusivamente, à recuperação de todo o peso perdido, e por vezes até mais.

O Impacto Hormonal da Dieta: Fome e Saciedade

Uma dieta baseada na restrição calórica, embora seja central na perda ponderal, também desencadeia alterações hormonais significativas que dificultam os esforços de perda de peso.

Os níveis de leptina, a hormona da saciedade, tendem a diminuir, enquanto os níveis de grelina, conhecida como a hormona da fome, aumentam. Estas adaptações hormonais, ajudam a compreender a dificuldade de adesão prolongada a dietas alimentares restritivas, nomeadamente por poderem associar-se a um aumento da fome que acompanha a perda ponderal.

O Conceito de Set Point

A teoria do set point sugere que o corpo organismo tende a estabelecer um valor de tem um peso corporal “preferencial”. Quando o peso desce abaixo desse valor (ou gama de
valores), nomeadamente através da restrição calórica, podem ser ativados mecanismos fisiológicos que promovam a restauração do peso prévio..

Isto não significa que a perda ponderal seja impossível, mas evidencia que esse processo é biologicamente regulado e pode exigir acompanhamento multidisciplinar, integrando vários pilares de tratamento que complementem o impacto da dieta alimentar.

Obesidade como Doença Crónica: Enquadramento Científico

A obesidade é amplamente reconhecida como uma doença crónica pela comunidade científica e por organizações de saúde globais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a obesidade como uma doença crónica desde 1948 e esta condição está catalogada na Classificação Internacional de Doenças (CID-11).

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Serviço Nacional de Saúde (SNS24) também a descrevem como uma doença crónica caracterizada pelo excesso de gordura acumulada no organismo, com um impacto significativo na saúde pública.

A sua definição de obesidade vai além do simples Índice de Massa Corporal (IMC), que, embora útil, não reflete a totalidade da condição. Novas abordagens, como o conceito de “Doença Crónica Baseada na Adiposidade” (ABCD – Adiposity-Based Chronic Disease), proposto por alguns especialistas, enfatizam a necessidade de uma visão mais abrangente e individualizada, focada nas complicações e no impacto na saúde do indivíduo, e não apenas no peso ou IMC.

Fatores que Influenciam o Peso Corporal: Genética, Hormonas e o Ambiente no Controlo do Peso

A obesidade é uma doença multifatorial, complexa e heterogénea, que resulta da interação de múltiplos fatores, incluindo a genética, fatores ambientais, psicológicos e sociais.

A genética desempenha um papel importante na obesidade, influenciando o metabolismo, a distribuição de gordura, o apetite e a resposta à saciedade. Existem múltiplos genes que podem conferir uma maior suscetibilidade ao ganho de peso, explicando porque algumas pessoas podem ter maior dificuldade em manter um peso saudável do que outras, mesmo com uma dieta similar. Contudo, a genética não determina um destino imutável; ela confere uma predisposição à obesidade, mas a sua expressão é modulada por outros fatores, nomeadamente o ambiente.

O ambiente em que nos inserimos desempenha um papel fundamental, sendo frequentemente descrito como “obesogénico”, que se caracteriza por uma elevada disponibilidade de alimentos ultraprocessados, elevados níveis de sedentarismo, privação de sono e stress crónico. Todos estes fatores contribuem para dificultar a adesão consistente a hábitos saudáveis, reforçando a necessidade de estratégias realistas e sustentáveis.

As hormonas também são reguladores cruciais do apetite, saciedade, metabolismo e armazenamento de energia, não só através da leptina e grelina, mas também da insulina, cortisol e hormonas da tiroide. A presença de desequilíbrios hormonais pode levar ao ganho ponderal e dificultar a sua perda.

Apesar da variedade de fatores envolvidos, o exercício físico e a dieta continuam a ser elementos centrais na gestão do peso, mas a sua eficácia depende do contexto biológico e ambiental em que se inserem.

Terapêutica farmacológica: Quando Está Indicada?

Nos últimos anos, a medicina tem assistido a avanços notáveis na área da obesidade, nomeadamente através de com a introdução de novas classes terapêuticas, como os agonistas do recetor de GLP-1 (por exemplo, semaglutida e tirzepatida), que atuam através da regulação do apetite e da saciedade, ajudando a reduzir a ingestão calórica excessiva.

Estes fármacos, em conjunto com um plano nutricional adequado, exercício físico regular e devida monitorização profissional, demonstraram maior eficácia na perda ponderal do que a dieta e exercício físico isoladamente.

Além disso, o seu uso resultou na melhoria de comorbilidades associadas à obesidade, como a diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Uso Consciente e Acompanhamento Médico: A Dieta e a Segurança

É crucial entender que estes medicamentos não são uma “solução mágica” e o seu uso deve ser sempre realizado sob orientação e monitorização médica rigorosa.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) publicaram diretrizes sobre o uso destes fármacos, sublinhando a importância de uma avaliação individual dos benefícios e riscos.

Embora possam ser uma ferramenta valiosa no tratamento da obesidade, especialmente em casos de obesidade grave ou com comorbilidades, existem riscos e efeitos secundários potenciais, como pancreatite aguda, que exigem acompanhamento clínico. O uso indiscriminado, sem indicação clínica e sem acompanhamento médico, é desaconselhado e pode ser perigoso, independentemente da dieta que se siga.

Para terminar…

A obesidade é uma condição de saúde complexa, multifatorial e crónica, que não se resume a uma questão de força de vontade.

A alimentação estruturada e a atividade física regular constituem o núcleo do tratamento. No entanto, compreender os mecanismos biológicos subjacentes, como a adaptação metabólica e as alterações hormonais, permite desenhar estratégias mais eficazes e sustentáveis.

Quando clinicamente indicado, as opções farmacológicas recentes representam umaferramenta promissora como complemento ao exercício físico e nutrição, em conjunto com um acompanhamento médico rigoroso.

Uma abordagem eficaz para a gestão do peso exige uma visão informada, individualizada e baseada em evidências científicas, que vá além dos mitos e estigmas associados à obesidade.

Consulte sempre um profissional de Nutrição e/ ou Endocrinologia para uma abordagem personalizada e baseada nas suas necessidades individuais, que vá além da dieta.

 

 

O que é o Cheque Dentista e como funciona em Portugal

É uma guia (impresso normalmente em formato A4) que deve ser apresentado na consulta de Medicina Dentária nos médicos aderentes, e que dá direito a tratamentos gratuitos.

Quem tem direito ao Cheque Dentista?

Atualmente, estão abrangidos crianças, jovens, grávidas, pacientes com HIV, idosos beneficiários do complemento solidário de reforma e pacientes com lesões com necessidade de biópsia.

Quantas consultas gratuitas vale cada Cheque Dentista?

Cada Cheque Dentista vale 1 consulta dentária. Contudo o médico dentista consegue depois de realizar o diagnóstico imprimir mais cheques dependendo da idade.

Quantos Cheques Dentista podem ser usados por idade?

  • Idade pré- escolar = 1 Cheque Dentista;
  • 7 anos (2ª ano de escolaridade) = 2 Cheques Dentista;
  • 10 anos (5º ano escolaridade) = 2 Cheques Dentista;
  • 13 anos (8ºano escolaridade) = 3 Cheques Dentista;
  • 16 anos = 1 Cheque Dentista;
  • 18 anos = 1 Cheque Dentista;
  • Grávidas = 3 Cheques Dentista;
  • Pacientes com HIV = até 6 Cheques Dentista no primeiro acesso e 24 meses depois da emissão da referenciação anterior tem acesso até 2 Cheques Dentista;
  • Idosos com complemento solidário de reforma = 2 Cheques Dentista a cada 12 meses;
  • Jovens de 8,9,11,12 e 14 anos = Cheque Dentista intermédio se for necessário.

Como posso aceder ao Cheque Dentista?

Aos 7, 10 e 13 anos são normalmente dados pelas escolas (director de turma) mas sempre emitidos na Unidade de Saúde onde o paciente está inscrito. Os restantes são emitidos pelo médico de família.

Qual a validade do Cheque Dentista?

É variável, assim:

  • Idade pré-escolar = 3 meses;
  • 7,10,13,16 e 18 anos = 1 ano após a emissão (normalmente a 31 de Outubro do ano a decorrer);
  • Grávidas = até 60 dias após o parto;
  • Idosos = 12 meses;
  • Pacientes HIV = variável e conforme indicações do médico de família.

Posso usar o meu Cheque Dentista no meu dentista?

Sim, desde que o/a dentista seja aderente ao PNPSO. Existe uma Lista Nacional de Médicos a que é fácil aceder online.

Porque devo usar o Cheque Dentista quando o receber?

Essencialmente porque as consultas de Medicina Dentária são fundamentais para a saúde, e as consultas usando o Cheque Dentista são gratuitas, visando o tratamento e prevenção de doenças orais e motivação á higiene. A referir também que a não utilização de um ciclo de tratamentos (por exemplo aos 7 anos) pode implicar a não atribuição de mais Cheques Dentista para o utente.

 

 

Artigo por: Drª. Carla Cardoso (Cédula Profissional nº3972)

 

O que é a Consulta de Longevidade e Medicina Integrativa?

Apesar do termo “anti-envelhecimento”, esta consulta não tem como objetivo impedir o envelhecimento, mas sim otimizar a saúde física e emocional em qualquer fase da vida.

É indicada para quem pretende:

  • Aumentar níveis de energia;
  • Melhorar foco e concentração;
  • Recuperar equilíbrio hormonal;
  • Aumentar resiliência física e emocional;
  • Melhorar qualidade de vida.

Trata-se de uma abordagem integrativa, preventiva e personalizada, centrada na causa dos desequilíbrios e não apenas no tratamento de sintomas.

Em que se diferencia da Medicina Estética?

A Medicina Estética atua sobretudo na melhoria da aparência externa (manchas, flacidez, acne), sem necessariamente investigar as causas sistémicas dessas alterações.

A Consulta de Longevidade e Medicina Integrativa:

  • Adota uma abordagem holística;
  • Avalia inflamação sistémica;
  • Otimiza metabolismo e equilíbrio hormonal;
  • Atua sobre os mecanismos que contribuem para o envelhecimento precoce;
  • Trabalha prevenção e reversão de fatores de risco.

O objetivo não é apenas melhorar a aparência, mas promover saúde global e longevidade com qualidade.

É preventiva, corretiva ou ambas?

É ambas.

  • Atua na prevenção de doenças;
  • Pode auxiliar no controlo e melhoria de doenças já estabelecidas;
  • Trabalha a expressão genética através da epigenética.

Estima-se que cerca de 70% da forma como expressamos os nossos genes possa ser influenciada pelo estilo de vida, alimentação, ambiente hormonal e controlo da inflamação.

Para quem é indicada?

Destina-se a qualquer pessoa que deseje complementar o seu tratamento convencional com uma abordagem:

  • Holística;
  • Individualizada;
  • Focada na causa do problema;
  • Orientada para otimização da saúde.

Não substitui a medicina convencional – atua como complemento.

Perfis que mais beneficiam

Embora transversal a várias áreas médicas, destacam-se:

Mulheres na perimenopausa
Muitas vezes apresentam sintomas não diretamente associados à alteração menstrual, como:

  • Irritabilidade;
  • Agravamento da tensão pré-menstrual;
  • Diminuição da libido;
  • Falta de energia;
  • Dificuldade de concentração;
  • Aumento de peso;
  • Alterações do sono.

Outras condições onde pode ter papel complementar:

  • Patologia da tiroide;
  • Endometriose;
  • Depressão;
  • Asma e alergias;
  • Doenças psiquiátricas;
  • Obesidade;
  • Alterações gastrointestinais;
  • Doença oncológica (com avaliação individualizada).

A partir de que idade faz sentido procurar?

Não existe idade fixa.
É particularmente relevante a partir dos 35-39 anos, fase em que ocorre uma redução significativa das hormonas sexuais. Contudo, a prevenção deve começar o mais cedo possível.

Os tratamentos são invasivos?

São maioritariamente não invasivos, focando-se em:

  • Alimentação personalizada;
  • Exercício físico;
  • Qualidade do sono;
  • Gestão do stress;
  • Modulação hormonal;
  • Suplementação dirigida.

A avaliação pode incluir:

  • Inquérito clínico detalhado;
  • Avaliação de composição corporal;
  • Análises sanguíneas;
  • Ecografias;
  • Estudo de oxidação celular;
  • Pesquisa de metais pesados;
  • Análise genética personalizada.

Segurança dos tratamentos

A prática baseia-se em formação médica convencional sólida, com especialização em Ginecologia e Obstetrícia e experiência hospitalar significativa.
A terapêutica hormonal é realizada de acordo com as recomendações das sociedades científicas, com monitorização adequada.

É fundamental manter:

  • Rastreios regulares;
  • Acompanhamento médico contínuo;
  • Vigilância em casos de terapêutica hormonal.

A Consulta de Longevidade e Medicina Integrativa substitui outras especialidades?

Não. A medicina convencional é indispensável.
A medicina integrativa atua como complemento, ajudando a melhorar prognósticos, prevenir doenças e otimizar resultados terapêuticos.

 

 

Artigo por: Drª. Fátima Cristina Ferreira Pinto (Cédula Profissional nº42970)

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando Ir ao Médico de Família? Saiba a Frequência Ideal

A Medicina Geral e Familiar (MGF) é muito mais do que a gestão de doenças agudas. Trata-se de uma abordagem contínua, personalizada e preventiva, que acompanha cada pessoa ao longo de toda a sua vida, adaptando-se às necessidades específicas de cada fase. Compreender o papel essencial da MGF e a importância das consultas de rotina é fundamental para promover e manter a saúde.

A Frequência das Consultas: Um Plano Personalizado

A frequência ideal das consultas com o médico de MGF não é uniforme – deve ser ajustada a cada indivíduo, considerando a idade, o estado de saúde geral e a presença de doenças crónicas.

Crianças beneficiam de consultas mais regulares em idades-chave para acompanhar o crescimento, desenvolvimento neuropsicomotor e cumprir o plano de vacinação. Estas consultas são cruciais para identificar precocemente qualquer alteração no desenvolvimento expetável.

Adultos saudáveis podem realizar uma consulta de rotina a cada 1 a 2 anos, desde que não apresentem fatores de risco significativos ou sintomas preocupantes. Este intervalo permite uma vigilância adequada sem sobrecarregar o sistema de saúde.

Pessoas com doenças crónicas, como hipertensão ou diabetes, requerem acompanhamento mais frequente – tipicamente a cada 3 a 6 meses, conforme definido pelo médico. Esta monitorização regular é essencial para otimizar o controlo da doença e prevenir complicações.

Idosos geralmente necessitam de vigilância mais regular, uma vez que enfrentam múltiplas comorbilidades e maior risco de complicações.

Além disso, em qualquer momento da vida, uma consulta deve ser marcada sempre que surgirem sintomas novos ou preocupações, independentemente do calendário de rotina.

As Necessidades de Cada Ciclo de Vida

A vida é dividida em ciclos distintos, cada um com desafios e necessidades de saúde específicas. A MGF reconhece esta realidade e adapta a sua intervenção de forma holística.

Ciclo de vida Necessidades principais Foco Preventivo
Infância Vacinação, acompanhamento do desenvolvimento, rastreio de doenças congénitas, orientação parental Detecção precoce de anomalias, promoção de hábitos saudáveis
Adolescência Saúde mental, educação sexual, prevenção de comportamentos de risco, atualização de vacinação Prevenção de consumo de substâncias, promoção de bem-estar psicológico
Adultos Rastreios de doenças crónicas (hipertensão, diabetes, dislipidemia), promoção de estilos de vida saudáveis, planeamento familiar Prevenção de doenças cardiovasculares, metabólicas e oncológicas
Idosos Gestão de comorbilidades, prevenção de quedas, avaliação da autonomia, apoio social e familiar, revisão de medicação Manutenção da qualidade de vida e independência funcional

A ideia fundamental é adaptar a intervenção às necessidades de cada fase, mantendo sempre o enfoque na prevenção, promoção da saúde e acompanhamento global do doente.

O que é uma Consulta de Rotina?

A consulta de rotina em MGF é, essencialmente, um momento para cuidar da saúde antes de aparecer a doença. Trata-se de uma avaliação periódica do estado de saúde do doente, independentemente da presença de sintomas, com o objetivo principal de promover a saúde, prevenir doenças e detetar precocemente fatores de risco.

Fase 1: Recolha de Informação Detalhada
A consulta inicia-se com a recolha exaustiva de dados relevantes sobre a vida e saúde do doente. O médico investiga:

  • Contexto profissional e social: profissão, escolaridade, ambiente de trabalho e situação familiar;
  • Histórico de saúde pessoal: doenças existentes, cirurgias realizadas, hospitalizações;
  • Antecedentes familiares: doenças hereditárias ou de prevalência familiar;
  • Acompanhamentos complementares: consultas de outras especialidades médicas, nutrição, medicina dentária, fisioterapia, psicologia, entre outros;
  • Medicação crónica: fármacos em uso regular e sua adesão;
  • Alergias: tanto medicamentosas como alimentares;
  • Hábitos de vida: padrões de alimentação, exercício físico, qualidade do sono, consumo de tabaco, álcool e outras substâncias;
  • Sintomas e preocupações: qualquer queixa ou sintoma presente.

Fase 2: Exame Físico Abrangente
Após a recolha de informação, segue-se um exame físico básico, mas completo, que inclui:

  • Avaliação do peso e altura (cálculo do índice de massa corporal);
  • Medição da tensão arterial;
  • Auscultação cardíaca e pulmonar;
  • Observação da cavidade oral (especialmente importante em fumadores);
  • Palpação abdominal;
  • Outros procedimentos adequados ao contexto clínico individual.

Fase 3: Exames Complementares e Orientação
Quando indicado, o médico solicita exames complementares personalizados, como análises sanguíneas, de acordo com a idade, sexo e antecedentes do doente. Nesta fase, também ocorre:

  • Revisão da medicação crónica, com ajustes se necessário;
  • Atualização do plano de vacinação;
  • Orientação para rastreios recomendados (mamografia, colonoscopia, citologia cervico-vaginal, entre outros);
  • Referenciação para outras especialidades, caso seja necessário.

Uma Abordagem Centrada no Doente

O que distingue a MGF é a sua abordagem preventiva, personalizada e centrada no doente. Não se trata apenas de tratar a doença quando ela surge, mas de criar uma relação contínua de confiança que permite ao médico conhecer profundamente a história de cada pessoa, os seus valores, as suas preocupações e os seus objetivos de saúde.

Esta continuidade dos cuidados e a qualidade da relação médico-doente são fundamentais para uma medicina verdadeiramente eficaz. Quando um doente se sente compreendido e acompanhado, é mais provável que siga as recomendações, participe ativamente na sua saúde e beneficie plenamente das intervenções preventivas.

A consulta de rotina é, portanto, um investimento na saúde futura — um momento para identificar riscos antes que se transformem em doenças, para reforçar hábitos saudáveis e para manter uma relação de cuidado contínuo que atravessa todas as fases da vida.

 

 

Artigo por: Drª. Bárbara Santos (Cédula Profissional nº64678)