Dor nas costas, ou lombalgia, em jovens adultos é frequentemente desvalorizada. Frequentemente atribuída ao cansaço, má postura ou excesso de exercício, esta queixa comum pode, em alguns casos, ser o primeiro sinal de uma condição crónica e progressiva: a Espondilite Anquilosante (EA). Esta doença inflamatória, que afeta predominantemente o esqueleto axial, incluindo a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas, tem um impacto profundo na qualidade de vida, mobilidade e autonomia dos indivíduos se não for diagnosticada e tratada precocemente.
Em 2026, a compreensão e o tratamento da EA continuam a evoluir, mas o desafio do diagnóstico tardio persiste. Este artigo visa desmistificar a EA, sublinhando a importância vital de reconhecer os seus sinais iniciais e de procurar avaliação médica especializada, especialmente quando a dor nas costas se manifesta de forma persistente em idades jovens.
O que é a Espondilite Anquilosante e quais os sintomas
A Espondilite Anquilosante é a forma mais comum de um conjunto de patologias, denominado Espondilartrites, que englobam a artrite reativa, a artrite psoriática e as artrites associadas a doenças inflamatórias do intestino (colite ulcerosa e doença de Crohn). O denominador comum destas doenças é a possibilidade de atingimento “inflamatório” da coluna, sob diferentes formas e com diferentes manifestações associadas.
A EA é uma doença inflamatória crónica que afeta principalmente a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas, provocando dor, rigidez e limitação progressiva dos movimentos. Surge geralmente em jovens adultos e pode evoluir para perda de mobilidade se não for tratada precocemente. Caracteriza-se principalmente pela inflamação das articulações da coluna vertebral (espondilite) e das articulações sacroilíacas (sacroileíte), que ligam a coluna à bacia. Com a progressão da doença, esta inflamação pode levar a uma diminuição marcada da mobilidade, com rigidez importante e, em casos muito avançados, à fusão das vértebras, dando-lhes um aspeto conhecido como “coluna em bambu”.
A EA afeta mais frequentemente homens do que mulheres, e os sintomas geralmente começam na adolescência ou no início da idade adulta, tipicamente antes dos 45 anos. A predisposição genética desempenha um papel crucial, sendo a presença do antigénio HLA-B27 um fator de risco significativo, embora não seja exclusivo nem absolutamente indispensável para o diagnóstico correto.
O Desafio do Diagnóstico Precoce
Um dos maiores obstáculos na gestão da EA é o atraso no diagnóstico. Globalmente, a média de tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico formal pode estender-se por vários anos. Este atraso é multifatorial, resultando da natureza insidiosa dos sintomas, da sua sobreposição com outras condições musculoesqueléticas e da falta de consciencialização, tanto por parte dos doentes como, por vezes, dos profissionais de saúde.
As consequências do diagnóstico tardio podem ser severas. A inflamação não controlada pode levar a danos estruturais irreversíveis nas articulações, perda de mobilidade, dor crónica e um impacto significativo na capacidade funcional e na qualidade de vida do doente.
Estudos indicam que pacientes com EA podem experienciar uma redução de até 48% na qualidade de vida se não receberem tratamento adequado.
Quais os Sintomas da Espondilite Anquilosante?
Os sintomas da Espondilite Anquilosante incluem lombalgia persistente, habitualmente de início antes dos 45 anos de idade, associada a rigidez matinal prolongada, normalmente acima de 15-20 minutos. A dor lombar apresenta habitualmente um ritmo “inflamatório”, ou seja, melhoria com o início da atividade ou exercício, e agrava com o repouso.
Podem também surgir fadiga, dor noturna (por vezes com despertar pela sua intensidade) e inflamação noutras articulações (que se manifesta por dor e “inchaço” persistentes, sem trauma associado) ou também pela presença de dor e sinais inflamatórios (dor, rubor e calor), na inserção de alguns tendões (entesopatia), como por exemplo no tendão de Aquiles. A EA pode também afetar os olhos, nomeadamente pela presença de uveíte, que se manifesta por um quadro de “olho vermelho”, normalmente unilateral e que se acompanha habitualmente de dor.
É assim, crucial diferenciar a dor nas costas de ritmo “mecânico” (mais comum, que geralmente alivia com repouso) da dor “inflamatória” já descrita, esta sim, associada à EA.
Os principais sinais de alerta para a Espondilite Anquilosante incluem:
- Dor lombar inflamatória e rigidez matinal: A dor e a rigidez são piores pela manhã ou após períodos de inatividade, melhorando com o exercício e a atividade física;
- Início insidioso: A dor desenvolve-se gradualmente ao longo de semanas ou meses;
- Idade de início: Os sintomas surgem tipicamente antes dos 45 anos;
- Melhora com o exercício: A atividade física tende a aliviar a dor e a rigidez;
- Despertar noturno: A dor pode ser tão intensa que acorda o paciente durante a segunda metade da noite;
- Outros sintomas: Fadiga, inflamação em outras articulações (artrite periférica), inflamação ocular (uveíte), ou dor nos calcanhares (entesopatia).
Se um jovem adulto experienciar estes sintomas de forma persistente, a procura de um médico reumatologista é imperativa porque ao contrário de alguns mitos e ideias preconcebidas, houve um grande avanço no conhecimento que temos acerca da doença e, consequentemente, também do seu tratamento, sendo atualmente uma doença em que os tratamentos existentes normalmente se revelam eficazes no controlo da doença e prevenção da sua evolução e consequências.
O Primeiro Passo para Controlar a Espondilite Anquilosante
O pilar essencial do tratamento da Espondilite Anquilosante é o movimento.
O exercício físico regular é a “trave-mestra” do tratamento desta doença. Em conjunto com programas dedicados de fisioterapia, ajudam a:
- Reduzir a rigidez da coluna;
- Melhorar a postura e a mobilidade;
- Diminuir a dor a longo prazo.
Programas com alongamentos, fortalecimento muscular e reeducação postural são fundamentais. Além disso, compreender a doença e adotar estratégias de autocuidado faz uma diferença real no controlo da EA.
O Impacto Socioeconómico da EA em Portugal
A Espondilite Anquilosante não acarreta apenas um fardo físico e emocional para os pacientes, mas também um impacto socioeconómico considerável. Em Portugal, a EA tem um impacto económico total anual estimado em 639 milhões de euros, englobando custos diretos (tratamento, hospitalizações) e indiretos (perda de produtividade devido a absentismo e incapacidade laboral).
A prevalência de doenças crónicas em Portugal é elevada. Tendo por base um estudo levado a cabo em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Reumatologia, o EpiReumaPt, que permitiu aferir a verdadeira prevalência das doenças reumáticas em Portugal, constatou-se que a doença reumática com mais prevalência em Portugal é a lombalgia (26,4%). Por outro lado, constata-se uma prevalência estimada de 1,6% para as Espondilartrites (sendo que destas a mais comum é a Espondilite Anquilosante com 0,6-0,8% da população). Assim, estima-se que tendo por base os últimos sensos, possa haver em Portugal cerca de 60 a 80 000 doentes com Espondilite Anquilosante.
Quando devo procurar um Médico?
Deve procurar um reumatologista se tiver dor nas costas persistente por mais de três meses, especialmente se começou antes dos 45 anos, piora com o repouso e melhora com o movimento. Deve procurar também um reumatologista se apresentar dor/inchaço nas articulações (sem história de traumatismo prévio), ou apresentar dor persistente nos calcanhares ou tendão de Aquiles.
O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações. A dor nas costas persistente, especialmente em jovens, nunca deve ser subestimada. A Espondilite Anquilosante é uma doença séria, mas com o diagnóstico precoce e o acesso às terapias modernas, é possível gerir eficazmente os sintomas, prevenir a progressão da doença e manter uma qualidade de vida plena.
Não espere, se os sinais estiverem presentes, procure um reumatologista.
Perguntas Frequentes
Artigo por: Dr. José António Tavares Costa (Cédula Profissional nº42023)

Fibromialgia: Sintomas, Diagnóstico e como Distinguir de outras Doenças
A Fibromialgia é uma condição crónica caracterizada por dor generalizada no corpo, fadiga persistente e alterações no sono e na perceção da dor. Apesar de ser amplamente reconhecida pela comunidade médica internacional, continua a ser uma das doenças mais difíceis de identificar corretamente na fase inicial.
Em Portugal, tal como noutros países, muitas pessoas passam por um longo processo até obterem um diagnóstico correto, devido à semelhança dos sintomas com outras patologias.
Quais são os Sintomas mais comuns da Fibromialgia?
A Fibromialgia não se manifesta de forma igual em todas as pessoas, mas apresenta sinais característicos:
É importante referir que a dor não está associada a lesões visíveis, o que contribui para a confusão no diagnóstico.
Fibromialgia ou outra Doença?
Um dos maiores desafios clínicos é distinguir a Fibromialgia de outras doenças com sintomas semelhantes. Algumas condições frequentemente confundidas incluem:
1. Artrite Reumatoide
Na fibromialgia, não há inflamação objetiva.
2. Síndrome de Fadiga Crónica
3. Hipotiroidismo
4. Transtorno Depressivo Maior
A fibromialgia distingue-se porque combina dor generalizada + fadiga + distúrbios do sono + sintomas cognitivos de forma persistente.
Como é feito o Diagnóstico?
Até ao momento não existe um exame específico para confirmar a Fibromialgia. O diagnóstico é clínico e baseia-se em:
Os critérios mais usados internacionalmente são os do American College of Rheumatology, amplamente aceites na prática médica.
O que causa a Fibromialgia?
A causa exata ainda não é totalmente conhecida, mas a investigação médica indica que se trata de uma alteração no processamento da dor pelo sistema nervoso central.
Fatores associados incluem:
Não é uma doença psicológica, embora fatores emocionais possam influenciar os sintomas.
Fibromialgia em Portugal: Prevalência, Sintomas e Impacto Real na População
Em Portugal, a evidência científica disponível mostra que não se trata de uma condição rara, mas sim de um problema de saúde com impacto relevante na população adulta.
Os dados mais robustos disponíveis provêm do estudo nacional EpiReumaPt, coordenado pela Sociedade Portuguesa de Reumatologia, que analisou doenças reumáticas na população portuguesa.
Segundo este estudo:
Em termos absolutos, isto pode representar centenas de milhares de pessoas em Portugal a viver com Fibromialgia.
Quem é mais Afetado?
Os dados nacionais e internacionais são consistentes em vários pontos:
Em estudos realizados em Portugal, a maioria dos doentes avaliados em contexto clínico são mulheres com idade média em torno dos 50-60 anos.
Como Viver com Fibromialgia no Dia-a-Dia
Embora não exista cura, é possível reduzir significativamente o impacto da doença.
Estratégias com melhor evidência incluem:
O objetivo não é eliminar completamente a dor, mas melhorar a funcionalidade e qualidade de vida.
Pode ser conveniente utilizar fármacos durante alguns períodos, mas apenas para controlar alguns sintomas e não para curar a doença.
Conclusão
A Fibromialgia é uma condição real, complexa e muitas vezes confundida com outras doenças. O reconhecimento dos sintomas e a diferenciação correta são fundamentais para evitar atrasos no diagnóstico e iniciar uma gestão eficaz.
Quanto mais cedo os sintomas são compreendidos e enquadrados corretamente, maior é a probabilidade de controlo e melhoria da qualidade de vida.
Perguntas Frequentes
A Fibromialgia tem cura?
Não. A Fibromialgia não tem cura conhecida. No entanto, os sintomas podem ser controlados de forma eficaz com uma abordagem multidisciplinar que inclui exercício físico, gestão do sono, medicação e apoio psicológico.
Como saber se tenho Fibromialgia?
O diagnóstico é clínico e baseia-se na presença de dor generalizada durante mais de 3 meses, associada a sintomas como fadiga, distúrbios do sono e alterações cognitivas. Não existe um exame específico para confirmar a doença.
A Fibromialgia aparece nos exames?
Não. Exames de sangue, análises ou imagiologia não detetam fibromialgia. Estes testes são usados apenas para excluir outras doenças com sintomas semelhantes.
A Fibromialgia é uma doença psicológica?
Não. A Fibromialgia é uma síndrome de dor crónica com origem no processamento da dor pelo sistema nervoso. No entanto, fatores como stress, ansiedade ou depressão podem agravar os sintomas.
Quem tem mais risco de desenvolver Fibromialgia?
A doença é mais comum em mulheres entre os 30 e os 60 anos. Também pode estar associada a fatores como stress prolongado, traumas físicos ou emocionais e predisposição genética.
A Fibromialgia pode piorar com o tempo?
Sim, os sintomas podem oscilar e agravar-se em períodos de maior stress, falta de sono ou inatividade física. No entanto, com acompanhamento adequado, é possível estabilizar e melhorar a qualidade de vida.
Artigo por: Drª. Maria Lúcia Carvalho Dias Costa (Cédula Profissional nº31715)
Asma Infantil: Sintomas, Fatores de Risco e Importância do Diagnóstico Precoce
A Asma Infantil é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas que pode manifestar-se de forma discreta ou através de sintomas mais evidentes. Em muitas crianças, os sinais iniciais passam despercebidos ou confundem-se com constipações frequentes, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do acompanhamento adequado.
Este artigo explica, de forma clara e acessível, como identificar sinais de alerta, quais os fatores de risco e porque é essencial procurar avaliação pediátrica quando surgem dúvidas.
O que é a Asma Infantil?
A Asma é uma doença crónica caracterizada por:
Estas alterações levam ao aparecimento de sintomas como falta de ar, pieira e tosse persistente. O diagnóstico é mais frequente em crianças em idade escolar, geralmente a partir dos 6 anos.
Sintomas: quando desconfiar de Asma?
Os sintomas podem ser subtis ou aparecer apenas em situações específicas. Entre os mais comuns encontram-se:
Estes sinais podem surgir isoladamente ou associados a fatores desencadeantes.
Triggers mais frequentes
Os sintomas de Asma podem surgir de forma súbita e estão frequentemente associados a:
Asma ou apenas Constipações frequentes?
É comum que crianças pequenas apresentem episódios de bronquiolite ou hiper-reactividade brônquica sem que isso signifique evolução para Asma. Contudo, quando os sintomas são recorrentes, persistentes ou surgem sem infeção associada, é fundamental uma avaliação médica.
Fatores de risco para desenvolver Asma
Alguns elementos aumentam a probabilidade de evolução para Asma:
Nenhum destes fatores, isoladamente, confirma o diagnóstico, mas ajudam a identificar crianças que necessitam de vigilância mais próxima.
Como se confirma o diagnóstico?
O acompanhamento pediátrico é essencial para:
Um diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento adequado, reduzir crises, evitar idas ao hospital e melhorar significativamente a qualidade de vida da criança.
Porque é importante tratar?
Com acompanhamento adequado, é possível:
A intervenção precoce é a chave para garantir que a criança mantém uma vida ativa, saudável e sem limitações.
Não ignore os sinais da Asma
A Asma Infantil pode apresentar-se de forma discreta, mas o reconhecimento dos sintomas e a avaliação médica atempada fazem toda a diferença. Se o seu filho apresenta tosse persistente, pieira, cansaço exagerado ou dificuldade respiratória, procure orientação pediátrica para um diagnóstico seguro e adequado.
Perguntas Frequentes
Como distinguir Asma de uma constipação normal nas crianças?
Habitualmente, numa criança constipada, podemos ter tosse, congestão nasal, ou seja, nariz entupido, alguma rinorreia e febre. Contudo, numa Asma, muitas das vezes temos estes sintomas, mas associam-se ainda a falta de ar, a pieira (o chiar a respirar) e também a sensação de opressão torácica, ou seja, de aperto no peito.
O que fazer quando o meu filho tem uma crise de falta de ar?
Numa crise de falta de ar é importantíssimo tentar deixar a criança o mais tranquila possível. Levá-la para um ambiente que esteja calmo, tranquilo, com ar fresco, sobretudo e se possível. Sempre que conseguirmos, fazer a terapêutica de resgate, ou seja, a terapêutica em SOS que tínhamos já em casa. Se isso não for possível, porque é o primeiro episódio, o ideal é a criança ser vista em contexto de urgência.
As crianças com Asma podem praticar desporto?
Apesar do exercício físico poder ser um fator que despoleta a Asma, as crianças com este diagnóstico não estão proibidas da sua prática. Muitas das vezes pode ser necessário a realização de algum tipo de medicação, antes do exercício físico, para que a criança consiga praticar sem qualquer tipo de sintoma.
A Asma é hereditária?
Quando existe histórico familiar, ou seja, quando algum elemento da família da criança é asmático ou com algum tipo de rinite alérgica ou eczema atópico, isso pode fazer com que a criança tenha um risco superior ao normal.
Em que momento pode o meu filho(a) receber um diagnóstico de Asma?
O diagnóstico da Asma deve ser realizado por Provas Funcionais Respiratórias. Por esse motivo muitas das vezes o mesmo só é realizado a partir da idade escolar (a partir dos 6 ou 7 anos de idade). Isto porque em muitas das vezes, em crianças mais novas, podemos ter alguns sintomas suspeitos, mas não temos a colaboração da criança para a realização das Provas Funcionais Respiratórias e conseguirmos assim obter o diagnóstico definitivo.
Artigo por: Drª. Diana Henriques Pinto (Cédula Profissional nº62381)
Dia Mundial da Asma em Portugal: Panorama Atual, Diagnóstico e Controlo da Doença
Qual é o Panorama atual da Asma em Portugal?
A Asma, doença inflamatória das vias aéreas, caracteriza-se por episódios recorrentes de pieira (“chiadeira”), falta de ar, aperto no peito e tosse, especialmente à noite ou de manhã. Afeta milhões de pessoas em todo o mundo e aproximadamente 600.000 pessoas em Portugal.
De acordo com o estudo EPI-ASTHMA – Prevalência e caracterização das pessoas com asma, de acordo com a gravidade da doença, em Portugal, na população adulta, a prevalência é de 7,1%, o que faz da asma uma das doenças crónicas mais comuns na nossa população.
Do ponto de vista epidemiológico, não tem havido um aumento exponencial do número de casos desde 2011 (na altura a prevalência era de 6,8%), contudo, tem-se verificado um aumento do número de casos mais graves da doença, sobretudo, entre as populações mais jovens.
Este agravamento pode estar associado a fatores como:
A Percentagem de Pacientes que sabem do Diagnóstico Aumentou?
Na atualidade, os dados que dispomos indicam que um em cada três doentes asmáticos não têm o diagnóstico registado no seu processo clínico.
Nesse sentido devemos trabalhar para:
O que Precisa de ser feito para Melhorar a Situação dos Pacientes?
Um dos maiores desafios na gestão da asma é o reconhecimento de que a doença não está controlada.
Em Portugal aproximadamente 60% dos doentes não apresentam a sua doença controlada. Nesse sentido é fundamental:
Conclusão
É fundamental reconhecer que, embora seja uma doença crónica, a Asma pode e deve ser controlada.
Devemos trabalhar para:
Com um esforço conjunto envolvendo doentes, famílias, médicos, enfermeiros, farmacêuticos e aproveitando os avanços terapêuticos, podemos aspirar a ter um melhor controlo da doença no futuro em Portugal.
Perguntas Frequentes
A Asma pode piorar com a idade?
Sim. Em algumas pessoas, a Asma pode manter-se estável, mas noutros casos pode agravar-se ao longo dos anos, sobretudo se não houver um bom controlo da doença ou se houver exposição contínua a fatores irritantes.
Exercício físico pode causar crises de Asma?
O exercício físico não causa Asma, mas pode desencadear sintomas em algumas pessoas (asma induzida pelo exercício). No entanto, com tratamento adequado, a maioria dos doentes pode praticar atividade física normalmente.
A Asma é uma doença alérgica?
Nem sempre. Embora muitas pessoas com Asma tenham alergias associadas, existem também formas não alérgicas da doença, desencadeadas por infeções, exercício, poluição ou outros fatores.
É seguro usar medicação para a Asma a longo prazo?
Sim. Os medicamentos utilizados no controlo da Asma são seguros quando usados corretamente e sob orientação médica. O benefício no controlo da doença é superior aos riscos.
Stress e ansiedade podem influenciar a Asma?
Sim. O stress emocional pode agravar sintomas respiratórios e aumentar a frequência das crises em algumas pessoas com Asma.
Como saber se a Asma está mal controlada?
Sinais comuns incluem:
Posso viajar de avião tendo Asma?
Sim. A maioria dos doentes com Asma pode viajar de avião sem problemas, desde que a doença esteja controlada e a medicação seja levada na bagagem de mão.
Artigo por: Dr. José Coutinho Costa (Cédula Profissional nº56304)
Segurança e Saúde no Trabalho: Porque a Prevenção é o Maior Investimento da Sua Empresa
A segurança e saúde no trabalho (SST) não é apenas uma exigência legal em Portugal – é um dos pilares fundamentais para garantir equipas motivadas, produtivas e protegidas.
Todas as empresas, independentemente da dimensão ou setor, são obrigadas a ter serviços organizados de higiene e segurança no trabalho, e o incumprimento pode resultar em
coimas elevadas pela ACT, mas, mais importante do que isso, pode colocar em risco a integridade física e a vida dos trabalhadores.
No Centro Médico da Praça, acreditamos que a prevenção é a base de qualquer ambiente de trabalho saudável. Por isso, oferecemos uma solução 360º em Segurança e Saúde no
Trabalho, integrando serviços técnicos especializados, acompanhamento contínuo e uma abordagem próxima e personalizada.
Serviços Externos de Segurança e Saúde no Trabalho: O que Incluem?
Os nossos serviços externos de SST foram desenvolvidos para garantir que a sua empresa cumpre a legislação e implementa práticas seguras no dia a dia. Entre os principais serviços prestados destacam-se:
1. Informação Técnica e Apoio ao Projeto
Acompanhamos desde a fase de planeamento até à execução, garantindo que instalações, equipamentos e processos cumprem as normas de segurança.
2. Identificação e Avaliação de Riscos
Realizamos avaliações completas dos riscos profissionais, incluindo exposição a agentes químicos, físicos e biológicos.
3. Planeamento da Prevenção
Integramos a prevenção em todos os níveis da empresa, definindo medidas eficazes para controlar riscos.
4. Programas de Prevenção de Riscos Profissionais
Criamos programas personalizados que respondem às necessidades reais da sua organização.
5. Formação e Informação aos Trabalhadores
Capacitamos equipas e representantes para reconhecer riscos e adotar práticas seguras no posto de trabalho.
6. Organização de Medidas de Emergência
Apoiamos na definição de procedimentos para situações de perigo grave e iminente.
7. Análise de Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais
Identificamos causas, prevenimos reincidências e melhoramos continuamente os processos.
8. Levantamento de Sinalização de Segurança
Garantimos que todos os locais de trabalho têm sinalização adequada e conforme a legislação.
9. Coordenação de Inspeções Internas de Segurança
Avaliamos o grau de cumprimento das normas e das medidas implementadas.
10. Preenchimento do Anexo D do Relatório Único
Asseguramos o correto preenchimento da secção relativa à segurança, higiene e saúde no trabalho – essencial para comprovar a organização dos serviços perante as autoridades.
O Nosso Diferencial: Segurança Integrada com Medicina do Trabalho
No Centro Médico da Praça, não entregamos apenas relatórios. Trabalhamos lado a lado com as empresas, criando uma relação de parceria contínua. A nossa abordagem integra:
O resultado é uma solução completa que protege o maior ativo de qualquer empresa: as pessoas.
Vantagens de Trabalhar com o Centro Médico da Praça
Segurança Não é um Custo – É um Investimento
A prevenção é a chave para empresas mais fortes, equipas mais protegidas e ambientes de trabalho mais saudáveis. No Centro Médico da Praça, estamos consigo em cada etapa, garantindo que a sua empresa cumpre a lei, protege os trabalhadores e promove uma cultura de segurança.
Dor nas Costas na Juventude: Pode Ser Espondilite Anquilosante?
Dor nas costas, ou lombalgia, em jovens adultos é frequentemente desvalorizada. Frequentemente atribuída ao cansaço, má postura ou excesso de exercício, esta queixa comum pode, em alguns casos, ser o primeiro sinal de uma condição crónica e progressiva: a Espondilite Anquilosante (EA). Esta doença inflamatória, que afeta predominantemente o esqueleto axial, incluindo a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas, tem um impacto profundo na qualidade de vida, mobilidade e autonomia dos indivíduos se não for diagnosticada e tratada precocemente.
Em 2026, a compreensão e o tratamento da EA continuam a evoluir, mas o desafio do diagnóstico tardio persiste. Este artigo visa desmistificar a EA, sublinhando a importância vital de reconhecer os seus sinais iniciais e de procurar avaliação médica especializada, especialmente quando a dor nas costas se manifesta de forma persistente em idades jovens.
O que é a Espondilite Anquilosante e quais os sintomas
A Espondilite Anquilosante é a forma mais comum de um conjunto de patologias, denominado Espondilartrites, que englobam a artrite reativa, a artrite psoriática e as artrites associadas a doenças inflamatórias do intestino (colite ulcerosa e doença de Crohn). O denominador comum destas doenças é a possibilidade de atingimento “inflamatório” da coluna, sob diferentes formas e com diferentes manifestações associadas.
A EA é uma doença inflamatória crónica que afeta principalmente a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas, provocando dor, rigidez e limitação progressiva dos movimentos. Surge geralmente em jovens adultos e pode evoluir para perda de mobilidade se não for tratada precocemente. Caracteriza-se principalmente pela inflamação das articulações da coluna vertebral (espondilite) e das articulações sacroilíacas (sacroileíte), que ligam a coluna à bacia. Com a progressão da doença, esta inflamação pode levar a uma diminuição marcada da mobilidade, com rigidez importante e, em casos muito avançados, à fusão das vértebras, dando-lhes um aspeto conhecido como “coluna em bambu”.
A EA afeta mais frequentemente homens do que mulheres, e os sintomas geralmente começam na adolescência ou no início da idade adulta, tipicamente antes dos 45 anos. A predisposição genética desempenha um papel crucial, sendo a presença do antigénio HLA-B27 um fator de risco significativo, embora não seja exclusivo nem absolutamente indispensável para o diagnóstico correto.
O Desafio do Diagnóstico Precoce
Um dos maiores obstáculos na gestão da EA é o atraso no diagnóstico. Globalmente, a média de tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico formal pode estender-se por vários anos. Este atraso é multifatorial, resultando da natureza insidiosa dos sintomas, da sua sobreposição com outras condições musculoesqueléticas e da falta de consciencialização, tanto por parte dos doentes como, por vezes, dos profissionais de saúde.
As consequências do diagnóstico tardio podem ser severas. A inflamação não controlada pode levar a danos estruturais irreversíveis nas articulações, perda de mobilidade, dor crónica e um impacto significativo na capacidade funcional e na qualidade de vida do doente.
Estudos indicam que pacientes com EA podem experienciar uma redução de até 48% na qualidade de vida se não receberem tratamento adequado.
Quais os Sintomas da Espondilite Anquilosante?
Os sintomas da Espondilite Anquilosante incluem lombalgia persistente, habitualmente de início antes dos 45 anos de idade, associada a rigidez matinal prolongada, normalmente acima de 15-20 minutos. A dor lombar apresenta habitualmente um ritmo “inflamatório”, ou seja, melhoria com o início da atividade ou exercício, e agrava com o repouso.
Podem também surgir fadiga, dor noturna (por vezes com despertar pela sua intensidade) e inflamação noutras articulações (que se manifesta por dor e “inchaço” persistentes, sem trauma associado) ou também pela presença de dor e sinais inflamatórios (dor, rubor e calor), na inserção de alguns tendões (entesopatia), como por exemplo no tendão de Aquiles. A EA pode também afetar os olhos, nomeadamente pela presença de uveíte, que se manifesta por um quadro de “olho vermelho”, normalmente unilateral e que se acompanha habitualmente de dor.
É assim, crucial diferenciar a dor nas costas de ritmo “mecânico” (mais comum, que geralmente alivia com repouso) da dor “inflamatória” já descrita, esta sim, associada à EA.
Os principais sinais de alerta para a Espondilite Anquilosante incluem:
Se um jovem adulto experienciar estes sintomas de forma persistente, a procura de um médico reumatologista é imperativa porque ao contrário de alguns mitos e ideias preconcebidas, houve um grande avanço no conhecimento que temos acerca da doença e, consequentemente, também do seu tratamento, sendo atualmente uma doença em que os tratamentos existentes normalmente se revelam eficazes no controlo da doença e prevenção da sua evolução e consequências.
O Primeiro Passo para Controlar a Espondilite Anquilosante
O pilar essencial do tratamento da Espondilite Anquilosante é o movimento.
O exercício físico regular é a “trave-mestra” do tratamento desta doença. Em conjunto com programas dedicados de fisioterapia, ajudam a:
Programas com alongamentos, fortalecimento muscular e reeducação postural são fundamentais. Além disso, compreender a doença e adotar estratégias de autocuidado faz uma diferença real no controlo da EA.
O Impacto Socioeconómico da EA em Portugal
A Espondilite Anquilosante não acarreta apenas um fardo físico e emocional para os pacientes, mas também um impacto socioeconómico considerável. Em Portugal, a EA tem um impacto económico total anual estimado em 639 milhões de euros, englobando custos diretos (tratamento, hospitalizações) e indiretos (perda de produtividade devido a absentismo e incapacidade laboral).
A prevalência de doenças crónicas em Portugal é elevada. Tendo por base um estudo levado a cabo em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Reumatologia, o EpiReumaPt, que permitiu aferir a verdadeira prevalência das doenças reumáticas em Portugal, constatou-se que a doença reumática com mais prevalência em Portugal é a lombalgia (26,4%). Por outro lado, constata-se uma prevalência estimada de 1,6% para as Espondilartrites (sendo que destas a mais comum é a Espondilite Anquilosante com 0,6-0,8% da população). Assim, estima-se que tendo por base os últimos sensos, possa haver em Portugal cerca de 60 a 80 000 doentes com Espondilite Anquilosante.
Quando devo procurar um Médico?
Deve procurar um reumatologista se tiver dor nas costas persistente por mais de três meses, especialmente se começou antes dos 45 anos, piora com o repouso e melhora com o movimento. Deve procurar também um reumatologista se apresentar dor/inchaço nas articulações (sem história de traumatismo prévio), ou apresentar dor persistente nos calcanhares ou tendão de Aquiles.
O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações. A dor nas costas persistente, especialmente em jovens, nunca deve ser subestimada. A Espondilite Anquilosante é uma doença séria, mas com o diagnóstico precoce e o acesso às terapias modernas, é possível gerir eficazmente os sintomas, prevenir a progressão da doença e manter uma qualidade de vida plena.
Não espere, se os sinais estiverem presentes, procure um reumatologista.
Perguntas Frequentes
A Espondilite Anquilosante tem cura?
A Espondilite Anquilosante não tem cura, mas pode ser controlada com tratamento adequado. A combinação de medicação, exercício físico e acompanhamento médico permite reduzir os sintomas, prevenir a progressão da doença e manter uma boa qualidade de vida.
A dor melhora com exercício?
Sim, a dor causada pela Espondilite Anquilosante tende a melhorar com o exercício físico e a atividade regular. Ao contrário da dor mecânica, que piora com o movimento, a dor inflamatória é aliviada com atividade e agrava-se com o repouso prolongado.
A Espondilite Anquilosante pode causar incapacidade?
Sim, se não for tratada, pode levar a rigidez da coluna, limitação de movimentos e incapacidade funcional. No entanto, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível evitar ou reduzir significativamente estas complicações.
Há tratamento para a Espondilite Anquilosante?
Sim, a Espondilite Anquilosante é uma doença crónica, mas para a qual existem tratamentos eficazes que, se iniciados atempadamente, podem controlar os sintomas e prevenir os danos e sequelas.
Artigo por: Dr. José António Tavares Costa (Cédula Profissional nº42023)
Artrite Reumatoide: Como a Fisioterapia Pode Transformar o Dia a Dia
A Artrite Reumatoide (AR) não afeta apenas mãos e joelhos – também pode comprometer o sistema cardiovascular, pulmonar e musculatura esquelética, impactando significativamente a qualidade de vida.
O que é a Artrite Reumatoide?
A Artrite Reumatoide é uma doença autoimune que provoca inflamação crónica das articulações, causando sintomas como:
Estes sintomas podem tornar tarefas diárias simples, como vestir-se ou cozinhar, verdadeiros desafios.
Fisioterapia: uma Aliada Essencial
A Fisioterapia desempenha um papel crucial na redução da dor, manutenção da mobilidade, prevenção de deformidades articulares e melhoria da qualidade de vida. A abordagem varia conforme a fase da doença:
1. Fase aguda (crise inflamatória)
2. Fase crónica
Estratégias para viver melhor com Artrite Reumatoide
Manter-se ativo e aplicar pequenas mudanças no dia a dia faz toda a diferença:
Lembre-se: viver com Artrite Reumatoide não significa parar. Com orientação adequada, é possível reduzir dores, proteger articulações e manter a independência.
Artigo por: Fisioterapeutas Marcela Castro e Sara Costa
Novo Posto de Colheita de Análises Clínicas em Escariz
O Grupo Centro Médico da Praça continua a assegurar proximidade e qualidade dos serviços de saúde. É com grande satisfação que anunciamos a abertura, no próximo dia 14 de abril, de um novo posto de colheita de Análises Clínicas em Escariz, em parceria com a Clínica Meta Física.
Análises Clínicas em Escariz com mais Comodidade
A partir de dia 14 de abril, poderá realizar as suas análises clínicas em Escariz de forma rápida, cómoda e segura, sem necessidade de grandes deslocações. Este novo serviço foi pensado para responder às necessidades da população local, garantindo um atendimento de excelência.
Porquê escolher este Novo Ponto de Colheita?
Se procura Análises Clínicas perto de si, esta é a solução ideal para cuidar da sua saúde com mais facilidade e comodidade.
Marcação e Informações
Para mais informações sobre colheitas de análises em Escariz ou marcações, entre em contacto através do 256 926 197 / 914 956 114 ou através do email clinica.metafisica.escariz@gmail.com.
A Policlínica São Tiago de Lobão promove Avaliações Orais Gratuitas
A saúde oral continua a ser um pilar essencial do bem-estar geral e, é com esse compromisso que a Policlínica São Tiago de Lobão lança a campanha “Avaliação Oral em Lobão”, oferecendo consultas de avaliação gratuitas à população.
Sob o lema “O Seu Sorriso é a Nossa Prioridade”, esta iniciativa pretende sensibilizar a comunidade para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce de problemas dentários, muitas vezes silenciosos, mas com impacto significativo na qualidade de vida.
As avaliações serão realizadas pela Drª. Carla Cardoso (Cédula Profissional nº3972) e pela Drª. Mariana Pinho (Cédula Profissional nº15513), médicas dentistas experientes, que estarão disponíveis para orientar os pacientes e esclarecer dúvidas sobre saúde oral, higiene e possíveis tratamentos.
A participação é totalmente gratuita, sendo apenas necessária marcação prévia através do contacto telefónico 256 918 707.
Esta campanha surge como uma excelente oportunidade para quem pretende avaliar o estado da sua saúde oral sem custos, reforçando hábitos preventivos e promovendo sorrisos mais saudáveis e confiantes.
Agende já a sua avaliação e sorria com confiança – 256 918 707
Provas Funcionais Respiratórias: Clínica CMP Ovar através do SNS
A sua respiração é um dos indicadores mais importantes da sua saúde. No Centro Médico da Praça, ajudamos a cuidar dos seus pulmões através de exames especializados e acessíveis.
Se procura realizar Provas Funcionais Respiratórias em Ovar, saiba que este serviço está disponível na Clínica CMP Ovar, inclusive através do SNS – Serviço Nacional de Saúde.
O que são Provas Funcionais Respiratórias?
As Provas Funcionais Respiratórias são exames simples, seguros e essenciais para respirar melhor. Avaliam parâmetros que permitem examinar a função pulmonar, auxiliando no diagnóstico e acompanhamento de doenças respiratórias, como:
Que Exames Respiratórios pode realizar?
Na Clínica CMP Ovar, pode realizar diversos exames respiratórios essenciais:
Espirometria
A espirometria é o estudo dos débitos e volumes pulmonares. É realizada recorrendo a um pneumotacógrafo, aparelho que mede o fluxo de ar e o descreve numericamente, permitindo a determinação de vários parâmetros fundamentais na avaliação da função pulmonar.
Pletismografia
A pletismografia avalia a capacidade pulmonar total e o volume residual. É fundamental para avaliar a eficácia dos mecanismos respiratórios, através do estudoda capacidade de transporte do ar, da força dos músculos envolvidos na respiração e da resistência das vias respiratórias.
Esta prova decorre num pletismógrafo, que é uma cabine totalmente fechada e com um volume conhecido, onde o paciente é colocado durante o exame. Neste local, o doente respira através de um bocal, realizando várias manobras respiratórias, de esforço variável, que provocam alterações de pressão na cabine.
Capacidade de Difusão do CO (DLCO)
O teste de difusão analisa a capacidade de difusão dos alvéolos pulmonares.
Durante a realização deste exame, o paciente é submetido à inalação de um gás durante um período determinado. De seguida, quantifica-se a concentração desse gás no a expirado, avaliando a superfície alveolar livre para as trocas gasosas.
Espirometria com Prova de Broncodilatação
Quando indicado, pode repetir-se a espirometria depois de ser administrado um fármaco broncodilatador, permitindo avaliar a resposta brônquica.
Quais são as Vantagens destes Exames?
As Provas Funcionais Respiratórias são:
✔ Acessíveis e indolores: Não sendo necessário qualquer preparação específica;
✔ Avaliação Terapêutica: Permitem avaliar a resposta a tratamentos;
✔ Diagnóstico Precoce: Possibilita a detecção de doenças respiratórias (Asma, DPOC, Enfisema, Fibrose Pulmonar).
Quando deve fazer um Exame Respiratório?
Deve considerar realizar estes exames se apresentar:
A avaliação precoce pode fazer toda a diferença na sua qualidade de vida.
Provas Respiratórias em Ovar com Acesso pelo SNS
Na Clínica CMP Ovar, pode realizar estes exames com referenciação através do SNS – Serviço Nacional de Saúde garantindo acesso a cuidados de saúde de qualidade.
Com mais de 40 anos de experiência (desde 1985), as Clínicas CMP continuam a criar laços de confiança com os seus utentes.
Rouquidão Persistente: Quando a Voz Pede Ajuda Médica
Quando a Rouquidão Deixa de Ser “Normal”
Todos nós já sofremos com rouquidão. Seja após um concerto, um jogo de futebol com gritos entusiastas, ou uma constipação comum, a nossa voz pode falhar e tornar-se áspera. Na maioria das vezes, esta alteração é temporária e resolve-se em poucos dias. No entanto, o que acontece quando a rouquidão se instala e parece não querer ir embora?
Quando é que este sintoma, aparentemente inofensivo, se torna um sinal de alerta que exige atenção médica especializada?
A voz é uma ferramenta essencial na nossa comunicação e expressão. Quando a sua qualidade é comprometida, a nossa vida social e profissional pode ser afetada. Ignorar uma rouquidão persistente, esperando que “passe sozinha”, pode ser um erro com consequências significativas para a saúde vocal a longo prazo.
Principais Causas da Rouquidão Persistente
A rouquidão, clinicamente conhecida como disfonia, é o resultado de uma alteração na vibração das cordas vocais. As causas podem ser variadas, desde condições benignas a problemas mais sérios. É crucial entender que a persistência do sintoma é o fator determinante para a procura de ajuda médica.
Inflamação da Laringe (Laringite)
A laringite é uma das causas mais comuns de rouquidão. Geralmente, é provocada por infeções virais, como as da gripe ou constipação, ou por uso excessivo da voz. Nestes casos, a inflamação das cordas vocais impede a sua vibração normal. Embora a laringite aguda seja passageira, a laringite crónica, que dura mais de três semanas, pode ser causada por irritantes como o fumo, poluição, ou mesmo por refluxo gastroesofágico.
Refluxo Laringofaríngeo (RLF)
O refluxo não afeta apenas o estômago e o esófago. O Refluxo Laringofaríngeo (RLF) ocorre quando o ácido do estômago sobe até à garganta, irritando as cordas vocais e a laringe. Os sintomas podem ser subtis e nem sempre incluem a azia clássica. Pigarro constante, tosse crónica, sensação de “bola na garganta” e, claro, rouquidão persistente, são sinais de RLF que merecem investigação.
Nódulos, Pólipos e Quistos nas Cordas Vocais
Estas lesões benignas são frequentemente associadas ao uso abusivo ou incorreto da voz. Cantores, professores, oradores e profissionais que dependem da voz estão mais suscetíveis. Os nódulos, por exemplo, são calosidades que se formam nas cordas vocais devido ao atrito constante. Pólipos e quistos são outras formações que podem impedir o fecho completo das cordas vocais, resultando em rouquidão. A intervenção precoce é fundamental para evitar danos permanentes.
Outras Causas a Considerar
Embora menos comuns, outras condições podem causar rouquidão persistente, incluindo:
O Erro Comum: Esperar Demasiado Tempo
Um dos maiores erros que as pessoas cometem é adiar a procura de ajuda médica. A ideia de que “vai passar” ou que “é apenas cansaço” pode levar a um atraso no diagnóstico de condições que exigem tratamento imediato. A rouquidão que persiste por mais de duas a três semanas é um sinal de alerta que não deve ser ignorado.
Esperar demasiado tempo pode agravar a condição subjacente, tornando o tratamento mais complexo e, em alguns casos, comprometendo a recuperação total da voz. No caso de doenças mais graves, como o cancro da laringe, cada dia conta.
Panorama Estatístico em Portugal
A relevância deste tema é suportada por dados epidemiológicos preocupantes. Portugal apresenta uma das maiores incidências de cancro da laringe na Europa.
Quando Procurar Avaliação Especializada
A mensagem é clara: se a sua rouquidão durar mais de duas a três semanas, é imperativo procurar um médico. Um otorrinolaringologista (especialista em ouvidos, nariz e garganta) é o profissional indicado para avaliar a sua condição vocal. Além da persistência da rouquidão, existem outros sinais de alerta que indicam a necessidade de uma consulta urgente:
Durante a consulta, o médico poderá realizar um exame físico e, se necessário, uma laringoscopia, que permite visualizar diretamente as cordas vocais e identificar a causa da rouquidão. Este procedimento é rápido, seguro e fundamental para um diagnóstico preciso.
Conclusão
A sua voz é um bem precioso. Não a ignore quando ela lhe dá sinais de que algo não está bem. A rouquidão persistente não é “normal” e pode ser um indicador de uma condição que exige atenção médica. Seja proativo com a sua saúde vocal e procure avaliação especializada sem demora. A sua voz agradecerá.
Artigo por: Dr. Victor Filipe Gomes Certal (Cédula Profissional nº46792)