Alergias no Verão: Principais Exposições e Estratégias de Prevenção

O verão é sinónimo de calor, praia, atividades ao ar livre e dias mais longos. Mas, para muitas pessoas, esta estação traz também um aumento de sintomas alérgicos, alguns previsíveis, outros surpreendentes.

Ao contrário do que se pensa, nem todas as alergias pioram no verão, mas várias exposições típicas desta época podem desencadear reações cutâneas, respiratórias ou sistémicas.

Este guia explica quais são as principais causas de alergias no verão e como se proteger de forma eficaz, mantendo o rigor clínico e a utilidade prática.

Porque é que algumas alergias aumentam no verão?

O verão combina três fatores que favorecem reações alérgicas:

  • Maior exposição ao ar livre;
  • Temperaturas elevadas, que intensificam a proliferação de insetos e fungos;
  • Atividades típicas da estação, como piscinas, relva, viagens e contacto com novos ambientes.

Não é o verão em si que causa alergias, mas sim os estímulos ambientais que se tornam mais frequentes.

Principais exposições alérgicas no verão

Picadas de insetos (abelhas, vespas, mosquitos)

As reações podem variar desde vermelhidão local até quadros mais graves. O risco aumenta com:

  • Refeições ao ar livre;
  • Perfumes doces;
  • Roupas coloridas;
  • Atividades em jardins e parques.
Alergias cutâneas por contacto

O verão favorece o contacto com substâncias irritantes ou alergênicas:

  • Protetores solares;
  • Perfumes;
  • Plantas;
  • Metais presentes em bijuteria;
  • Tecidos sintéticos com suor.
Fungos e bolores

Ambientes húmidos, como casas de férias, tendas, caravanas ou zonas mal ventiladas, podem acumular fungos, desencadeando:

  • Congestão nasal;
  • Tosse;
  • Irritação ocular.
Alergias respiratórias específicas

Embora os níveis de pólenes sejam mais elevados na primavera, no verão podem surgir:

  • Pólenes de gramíneas tardias;
  • Pólenes de ervas daninhas;
  • Poeiras acumuladas em casas fechadas durante o ano.

Estratégias de prevenção: como reduzir sintomas no verão

Para picadas de insetos
  • Usar repelente adequado;
  • Evitar perfumes doces;
  • Preferir roupas claras;
  • Manter alimentos tapados em piqueniques;
  • Evitar andar descalço em relvados.
Para alergias cutâneas
  • Escolher protetores solares hipoalergénicos;
  • Evitar fragrâncias e álcool na pele exposta ao sol;
  • Lavar a pele após piscina ou mar;
  • Usar roupa leve e respirável;
  • Hidratação cutânea após o banho.
Para fungos e bolores
  • Ventilar casas de férias;
  • Evitar acumulação de humidade;
  • Lavar toalhas e fatos de banho com frequência.
Para alergias alimentares
  • Atenção a alimentos novos ou consumidos fora de casa;
  • Evitar misturas de marisco se já houve reação prévia;
  • Transportar medicação prescrita em caso de alergias conhecidas.
Para irritações por cloro
  • Tomar duche antes e depois da piscina;
  • Aplicar creme hidratante após o banho;
  • Usar óculos de natação para proteger os olhos.
Para alergias respiratórias
  • Manter janelas fechadas nas horas de maior calor e vento (entre as 9h e as 17h);
  • Usar óculos de sol para reduzir contacto ocular com pólen;
  • Lavar o rosto e cabelo ao chegar a casa;
  • Trocar de roupa ao chegar a casa.

Quando procurar um especialista?

É importante consultar um Médico Imunoalergologista quando:

  • Os sintomas interferem com o sono ou atividades diárias;
  • Há tosse persistente, falta de ar ou pieira;
  • Surgem reações cutâneas recorrentes;
  • Há suspeita de alergia alimentar;
  • Ocorrem reações intensas a picadas de insetos;
  • Existe dúvida sobre o diagnóstico.

A avaliação médica permite identificar a causa e definir estratégias de prevenção e tratamento adequadas.

Conclusão: Verão com segurança e sem alergias

O verão deve ser uma estação de bem-estar, descanso e atividades ao ar livre.

Com informação adequada e medidas simples de prevenção, é possível reduzir significativamente o impacto das alergias e aproveitar a estação com mais conforto e segurança.

 

Perguntas Frequentes

Sim. Na primavera predominam os pólenes; no verão surgem mais reações relacionadas com insetos, fungos, alimentos sazonais, cloro e contacto cutâneo. Os mecanismos podem ser semelhantes, mas os desencadeantes mudam.

As temperaturas elevadas aumentam a atividade de mosquitos, vespas e abelhas. Além disso, a pele está mais exposta e o suor atrai insetos, facilitando reações locais ou sistêmicas.

O cloro não causa alergia verdadeira, mas pode provocar irritação cutânea, eczema e conjuntivite irritativa, especialmente em pessoas com pele sensível ou dermatite atópica.

A irritação surge rapidamente e melhora com hidratação; a alergia por contacto tende a persistir, coçar mais e formar pequenas bolhas ou vermelhidão intensa. Se durar mais de 48–72 horas, deve ser avaliada.

Pode. O calor e o suor agravam urticária colinérgica, dermatite atópica, e aumentam a predisposição para infeções cutâneas, devido à maior exposição da mesma.

Usar repelente, evitar perfumes doces, preferir roupas claras, tapar alimentos ao ar livre e evitar andar descalço em relvados são medidas eficazes.

Sim. Casas fechadas acumulam ácaros de armazenamento e fungos que podem desencadear sintomas respiratórios. Ventilar e limpar antes da estadia reduz o risco.

 

 

 

 

Artigo por: Drª. Rosa Anita Rodrigues Fernandes (Cédula Profissional nº54418)

 

 

 

 

 

 

 

 

Esclerose Lateral Amiotrófica: Como Surge, como Evolui e o que a Ciência está a Descobrir

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa que afeta os neurónios motores, responsáveis por enviar ordens do cérebro para os músculos.

Quando estes neurónios deixam de funcionar, os músculos deixam de receber instruções – e começam a enfraquecer, atrofiar e perder capacidades essenciais como força e capacidade de movimento, articulação verbal (fala), deglutição e respiração.

Embora seja considerada uma doença rara, o impacto é significativo:

  • Incidência anual: 1,5 a 3 casos por 100.000 habitantes;
  • Prevalência: 5 a 9 casos por 100.000 habitantes;
  • Idade média de início: 55 a 75 anos;
  • Sobrevida média: 3 a 5 anos após os primeiros sintomas;
  • Casos familiares: cerca de 10%.

A ciência tem avançado rapidamente, trazendo novas formas de diagnóstico, terapias emergentes e maior compreensão dos mecanismos da doença.

O que acontece no corpo quando alguém tem ELA?

A ELA não tem uma única causa. É uma doença neurodegenerativa complexa, onde vários mecanismos celulares deixam de funcionar ao mesmo tempo. Estes processos explicam a progressão rápida e a perda de força muscular.

Acumulação de proteínas “defeituosas”

Dentro dos neurónios, algumas proteínas começam a acumular‑se e a formar aglomerados tóxicos.

As mais associadas à ELA são:

  • TDP‑43 (alterada em 97% dos casos esporádicos);
  • SOD1;
  • FUS.

Quando estas proteínas se acumulam:

  • Bloqueiam funções essenciais;
  • Impedem a comunicação entre neurónios;
  • Levam à morte celular.
Problemas nas mitocôndrias (as “baterias” das células)

As mitocôndrias são as “fábricas de energia” das células. Na ELA, o mau funcionamento destas compromete o fornecimento de energia aos neurónios motores, acelerando a sua degeneração e morte, o que leva à progressão da doençaNa ELA as mitocôndrias tornam‑se menos eficientes e libertam radicais livres que danificam:

  • Proteínas;
  • Membranas;
  • DNA.
Inflamação no sistema nervoso

Tradicionalmente, acreditava-se que a inflamação era secundária à morte dos neurônios. Contudo, estudos mais recentes indicam que a inflamação crônica e a ativação das células da glia (células de suporte do cérebro) contribuem ativamente para o dano neuronal.

Falhas no transporte dentro do neurónio

Os neurónios motores possuem “autoestradas” internas designadas de axónios. Através delas, proteínas, organelos e neurotransmissores são transportados bidirecionalmente:

  • Transporte Anterógrado: leva materiais essenciais e mitocôndrias do corpo da célula para as extremidades dos músculos;
  • Transporte Retrógrado: devolve produtos de degradação e vesículas sinalizadoras de volta para o corpo celular.

Na ELA, este sistema de entregas internas colapsa, resultando em:

  • Acumulação de Proteínas Tóxicas: proteínas como a SOD1 e a TDP-43 formam agregados intracelulares anormais, que bloqueiam o tráfego e perturbam o funcionamento celular;
  • Disfunção Mitocondrial: as mitocôndrias não conseguem ser transportadas para onde é necessária energia, gerando stresse oxidativo e privação de nutrientes;
  • Excitotoxicidade: ocorre uma falha no transporte ativo de substâncias tóxicas para fora dos neurónios o que culmina na morte neuronal.

A genética da ELA: quando a doença está nos genes

As formas genéticas da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), conhecidas como ELA Familiar, representam cerca de 5% a 10% de todos os casos da doença. Os restantes são esporádicos e de origem desconhecida. Estas formas hereditárias resultam de mutações transmitidas de pais para filhos.

Diagnóstico e Aconselhamento: Devido à sua natureza hereditária, o estudo genético é recomendado para doentes com histórico familiar da doença, permitindo um aconselhamento genético rigoroso aos familiares e abrindo portas para ensaios clínicos com terapias dirigidas.

Como a ciência está a tentar diagnosticar a ELA mais cedo

O tempo médio desde o início dos primeiros sintomas até à confirmação do diagnóstico de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) varia geralmente entre 10 e 14 meses. Este processo é frequentemente prolongado porque os sintomas iniciais podem ser sobrepostos ou confundidos com os de outras doenças neuromusculares.

Por isso, a investigação procura biomarcadores que permitam identificar a doença mais cedo.

Neurofilamentos (NfL e pNfH)

São proteínas estruturais libertadas quando os neurónios são danificados. A sua medição no sangue ou líquido cefalorraquidiano (LCR) é hoje o biomarcador mais validado para detetar a degeneração axonal.

Ressonância Magnética Avançada

Novas técnicas permitem observar alterações muito pequenas nos neurónios motores, como:

  • Perda de integridade das fibras nervosas;
  • Inflamação;
  • Alterações metabólicas.

Estas técnicas podem ajudar a diagnosticar a doença antes de sintomas evidentes.

A ELA tem cura?

Ainda não existe cura, mas a ciência está a avançar rapidamente. Várias terapias emergentes estão a transformar o futuro da doença.

Terapias Genéticas

A terapia genética é uma das áreas mais promissoras na investigação da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Em vez de apenas aliviar sintomas, procura atuar na causa raiz, corrigindo mutações genéticas, silenciando genes defeituosos ou introduzindo instruções para salvar os neurónios motores afetados.

Células Estaminais

As células estaminais oferecem uma das áreas de pesquisa mais promissoras para o tratamento da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). O objetivo principal é utilizar estas células para proteger os neurónios motores que estão a degenerar e criar um ambiente regenerativo, abrandando assim a progressão da doença.

Novos Medicamentos Neuroprotetores

A investigação em Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) tem avançado com fármacos modificadores da doença e neuroprotetores, focando-se em travar a degeneração dos neurónios motores e preservar a função muscular. Embora não exista cura, terapias de fase 2 e 3 procuram alterar o curso progressivo desta patologia rara.

Porque o acompanhamento multidisciplinar faz a diferença

A evidência é clara: A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) exige um acompanhamento por uma equipa multidisciplinar para desacelerar a progressão da doença, gerir sintomas complexos e melhorar a qualidade de vida.

Quem compõe a Equipa Multidisciplinar:

  • Neurologia: diagnóstico, monitorização da evolução da doença e ajuste de medicação (ex: Riluzol);
  • Pneumologia: fundamental para monitorizar a função respiratória e gerir tratamentos como a ventilação não invasiva (VNI);
  • Fisioterapia e Terapia Ocupacional: manutenção da mobilidade, prevenção de rigidez e adaptação de espaços e tecnologias de apoio;
  • Terapia da Fala: auxílio crucial na gestão da deglutição (disfagia) e da comunicação;
  • Nutrição: prevenção da desnutrição, adaptação da consistência dos alimentos e planeamento de via oral ou de PEG (gastrostomia);
  • Psicologia e Psiquiatria: suporte emocional para o doente e para o cuidador lidarem com o impacto do diagnóstico;
  • Serviço Social e Enfermagem: apoio na gestão de recursos (Atestado Médico de Incapacidade Multiuso, apoios domiciliários) e cuidados continuados.

A ciência está a avançar e isso traz esperança

A ELA continua a ser uma doença difícil, mas nunca se investigou tanto como agora.

Hoje sabemos muito mais sobre:

  • Como a doença surge;
  • O que acontece no interior das células;
  • Como a genética influencia o processo;
  • Como diagnosticar mais cedo;
  • Como desenvolver terapias mais específicas e eficazes.

A mensagem é clara:
A ciência está a avançar – e cada avanço representa mais tempo, mais qualidade de vida e mais esperança para quem vive com a doença.

 

Perguntas Frequentes

Na maioria dos casos, a ELA não afeta a memória nem a capacidade de raciocínio. A pessoa mantém a consciência e a lucidez ao longo da doença. No entanto, cerca de 10% a 15% dos doentes podem desenvolver alterações cognitivas ou comportamentais associadas à demência frontotemporal, sobretudo quando existe mutação no gene C9orf72.

Os sintomas iniciais variam, mas os mais comuns incluem:

  • Fraqueza numa mão ou perna;
  • Dificuldade em segurar objetos;
  • Quedas frequentes;
  • Cãibras e fasciculações (tremores musculares);
  • Alterações na fala (fala arrastada).

Estes sinais são muitas vezes confundidos com problemas ortopédicos ou neurológicos mais comuns, o que contribui para o diagnóstico tardio.

A doença em si não causa dor diretamente, porque os neurónios motores não transmitem sinais de dor.

Contudo, podem surgir dores secundárias devido a:

  • Rigidez muscular;
  • Imobilidade prolongada;
  • Alterações posturais;
  • Cãibras intensas.

Estas dores podem ser tratadas e controladas com acompanhamento clínico.

Não. A insuficiência respiratória surge nas fases mais avançadas, quando os músculos respiratórios começam a enfraquecer.
Contudo, a monitorização respiratória precoce é essencial, porque intervenções como ventilação não invasiva podem aumentar a sobrevida e o conforto.

Embora a causa exata seja desconhecida, estudos sugerem que alguns fatores podem aumentar o risco:

  • Idade acima dos 55 anos;
  • História familiar de ELA;
  • Exposição prolongada a toxinas ambientais;
  • Tabagismo;
  • Antecedentes de traumatismos repetidos.

Nenhum destes fatores, isoladamente, causa a doença.

A sobrevida média é de 3 a 5 anos, mas há grande variabilidade. Cerca de 10% dos doentes vivem mais de 10 anos, e alguns casos ultrapassam 20 anos.
A evolução depende de fatores genéticos, idade de início, forma clínica e acesso a cuidados multidisciplinares.

Sim. Nos Estados Unidos, a ELA é conhecida como Doença de Lou Gehrig, em homenagem ao famoso jogador de basebol diagnosticado em 1939.

Apesar dos nomes semelhantes, são doenças completamente diferentes:

  • ELA: afeta neurónios motores e causa perda progressiva de força.
  • Esclerose Múltipla: é uma doença autoimune que afeta a mielina e pode ter períodos de remissão. A evolução, os sintomas e os tratamentos são distintos.

 

 

 

 

Artigo por: Dr. Luís Miguel Galo Veloso (Cédula Profissional nº33870)

 

 

 

 

 

 

 

 

Conhecer e Proteger a nossa Pele: um Passo Essencial para uma Vida Saudável e com Qualidade

Sabia que o Dermatologista não trata apenas doenças da pele?

Se está preocupado(a) com a queda de cabelo, se as suas unhas apresentam alterações, ou se a transpiração excessiva afeta a sua qualidade de vida, uma consulta de Dermatologia pode ajudar a esclarecer dúvidas e a encontrar soluções adequadas.

A Drª. Ana Maria Lé (O.M. 68221), Médica Especialista em Dermatologia, esclareceu algumas questões frequentes relacionadas com esta área médica.

Como podemos identificar sinais e outras lesões suspeitas na nossa pele?

O cancro de pele pode apresentar-se de formas muito diferentes.

A regra mais conhecida para ajudar na identificação de um cancro de pele é a regra ABCDE, que permite reconhecer sinais suspeitos, através da observação da Assimetria, dos Bordos irregulares, da presença de várias Cores, do Diâmetro e da Evolução ao longo do tempo. No entanto, esta regra foi criada sobretudo para ajudar a reconhecer o melanoma.

Existem outros tipos de cancros da pele que podem apresentar um aspeto muito diferente, surgindo como uma borbulha que não desaparece, uma ferida que não cicatriza, uma lesão que sangra facilmente ou até uma crosta persistente ou recorrente. Conhecer a nossa pele e valorizar novas lesões ou alterações é fundamental na deteção precoce destes tumores.

Quais as melhores medidas para prevenir o desenvolvimento de Cancro de Pele?

A fotoproteção é uma prática extremamente importante na prevenção do cancro de pele, e envolve vários cuidados que devem ser considerados diariamente e não apenas na praia. A exposição solar ocorre de forma cumulativa no nosso dia-a-dia, durante deslocações para o trabalho, cafés na esplanada e atividades desportivas e passeios ao ar livre.

A fotoproteção deve incluir a aplicação diária de protetor solar, a procura de sombra, o uso de roupa protetora (incluindo chapéu e óculos de sol) e a evicção da exposição solar nas horas de maior intensidade (entre as 11h e as 17h).

Ao longo dos anos, essa exposição acumulada contribui para o aumento do risco de cancro de pele, e ainda propicia o aparecimento de manchas e outros sinais de envelhecimento cutâneo precoce.

A fotoproteção diária é um dos melhores investimentos que pode fazer pela saúde da sua pele.

As borbulhas na adolescência são mesmo “normais” ou devem ser tratadas?

Apesar de ser muito frequente na adolescência e no adulto jovem, a acne não deve ser encarada como algo “normal”. Quando tem um impacto significativo na autoestima pode levar ao isolamento social e deixar cicatrizes físicas e emocionais permanentes.

A acne tem tratamento eficaz, incluindo tratamentos tópicos e orais, e procurar ajuda atempadamente pode fazer toda a diferença.

Devo preocupar-me com a queda de cabelo?

A Tricologia é uma das áreas da Dermatologia mais frequentemente abordadas em consulta.

Se tem notado uma queda de cabelo aumentada ou uma diminuição da densidade capilar, é importante perceber que existem múltiplas causas possíveis para estas alterações. Uma queda de cabelo mais acentuada em determinadas épocas do ano pode fazer parte do ciclo normal de renovação capilar. No entanto, uma avaliação médica é importante para excluir outras causas e detetar precocemente doenças do couro cabeludo que podem ter evolução crónica ou, em alguns casos, provocar perda irreversível dos folículos capilares.

Um diagnóstico correto é o primeiro passo para um tratamento eficaz.

Disseram-me que o meu filho tem “pele atópica” – que cuidados devo ter?

O eczema atópico é uma dermatose extremamente prevalente na idade pediátrica que, na maioria dos casos, é facilmente controlada com tratamento tópico adequado.

Outras medidas que devem ser instituídas incluem a aplicação diária de emoliente, optar por banhos rápidos, com água tépida, e evitar produtos com fragrâncias e outros componentes potencialmente irritantes.

Para orientação adequada, consulte o seu dermatologista.

 

Perguntas Frequentes

Idealmente uma vez por mês. A observação regular permite identificar alterações recentes, sinais novos ou lesões que não cicatrizam. Quanto mais familiar estiver com a sua pele, mais fácil será detetar algo fora do habitual.

Sempre que notar mudança de cor, tamanho, forma, sangramento espontâneo, crostas persistentes ou qualquer lesão que não cicatrize ao fim de 4 a 6 semanas. Mesmo sinais aparentemente “inofensivos” podem justificar avaliação.

Sim. Até 80% da radiação UV atravessa as nuvens. A fotoproteção diária é essencial mesmo no inverno, porque a radiação UVA, responsável pelo envelhecimento e risco de cancro, está presente todo o ano.

A regra prática é usar duas linhas de produto aplicadas no dedo indicador e médio. Quantidades insuficientes reduzem drasticamente a eficácia do protetor.

Sim. A acne adulta é comum, especialmente em mulheres, e pode estar associada a stress, alterações hormonais, cosméticos inadequados ou predisposição genética. Não deve ser ignorada e tem tratamento eficaz.

Não. Lavar em excesso pode irritar a pele, aumentar a inflamação e piorar as lesões. O ideal é lavar duas vezes por dia com um produto adequado ao tipo de pele.

Sim, é comum haver maior queda no outono e primavera. No entanto, se notar diminuição da densidade, falhas localizadas ou queda persistente por mais de 3 meses, deve procurar avaliação dermatológica.

Em muitos casos, sim, especialmente quando começa na infância. No entanto, algumas pessoas mantêm a pele sensível ao longo da vida. O controle adequado reduz crises e melhora o conforto diário.

Não. A pele atópica necessita de emolientes específicos, sem fragrâncias, sem álcool e com ingredientes que reforçam a barreira cutânea. Produtos inadequados podem agravar o eczema.

 

 

 

 

Artigo por: Drª. Ana Maria Lé (Cédula Profissional nº68221)

 

 

 

 

 

 

 

 

O que é um Ataque de Pânico? Sintomas, Causas e Impacto da Incerteza Global

O que é um Ataque de Pânico?

Um ataque de pânico caracteriza-se pelo aparecimento repentino de um medo avassalador, acompanhado por diversas manifestações físicas. Estes episódios atingem geralmente o pico de intensidade em poucos minutos e podem ocorrer em qualquer contexto: em casa, no trabalho, durante uma viagem ou até mesmo durante o sono.

Sintomas mais comuns de um Ataque de Pânico
  • Palpitações ou aceleração dos batimentos cardíacos;
  • Falta de ar ou sensação de sufoco;
  • Tonturas ou sensação de desmaio;
  • Tremores;
  • Sudorese excessiva;
  • Dor ou desconforto no peito;
  • Sensação de irrealidade ou distanciamento do próprio corpo;
  • Medo de perder o controlo, enlouquecer ou morrer.

Nestas crises, é necessário estarem presentes vários sintomas do foro somático e cognitivo. Os sintomas somáticos são aqueles que se manifestam no corpo através de sensações, tais como: palpitações, suores, tremores, tonturas, faltas de ar, dores no peito, etc.. Por outro lado, a nível cognitivo poderão surgir pensamentos catastróficos, tais como: o medo de morrer, enlouquecer, ter um ataque cardíaco ou um AVC, entre outros.

A intensidade destes sintomas faz com que muitas pessoas procurem assistência médica de urgência, especialmente durante os primeiros episódios.

Porque acontecem os Ataques de Pânico?

Os ataques de pânico resultam de uma ativação intensa do sistema de resposta ao stress do organismo. Em situações de perigo, o corpo prepara-se para lutar ou fugir. No entanto, durante um ataque de pânico, essa resposta é desencadeada mesmo quando não existe uma ameaça real.

Habitualmente, isto acontece em pessoas que não reconhecem os sintomas fisiológicos e cognitivos da ansiedade, e portanto os interpretam de forma catastrófica, e perigosa, atribuindo a sua ocorrência a outras condições: por exemplo, interpretar a taquicardia como sinónimo do início de um ataque cardíaco ou as tonturas como início de um AVC.

Uma estrutura designada de amígdala desempenha um papel central. Ela analisa rapidamente estímulos sensoriais e procura sinais de perigo, muitas vezes antes mesmo da pessoa ter consciência plena do que está a acontecer. Quando uma ameaça é detetada, a amígdala envia sinais ao hipotálamo, que ativa o sistema nervoso simpático, provocando um aumento da frequência cardíaca, respiração mais acelerada, dilatação das pupilas, libertação de glicose para fornecer energia aos músculos e ainda uma redução temporária de funções não essenciais, como a digestão. O organismo entra então num estado conhecido como luta, fuga ou congelamento (“fight, flight or freeze”). Nesse momento, as glândulas suprarrenais libertam hormonas como a adrenalina preparando o corpo para ação imediata, a noradrenalina aumenta a vigilância e a atenção e o cortisol que permitirá manter a resposta ao stress por mais tempo, mobilizando os recursos energéticos necessários. Durante um ataque de pânico, a atividade do córtex pré-frontal pode diminuir temporariamente (a área racional fique “offline”), conduzindo a uma menor reflexão crítica e a que as decisões tendam a ser mais rápidas e intuitivas. Isso é útil em emergências, mas pode levar a erros de julgamento quando o perigo não exige uma reação imediata.

Como a Incerteza Global influencia o Cérebro

Vivemos num período marcado por instabilidade, onde cenários de guerra são transmitidos em direto, e onde acontecimentos globais recentes, como pandemias, conflitos internacionais, crises económicas e preocupações relacionadas com o futuro, contribuíram para um aumento generalizado da insegurança e da vulnerabilidade emocional. Mesmo quando não estamos diretamente envolvidos nestes acontecimentos, o nosso cérebro tende a interpretar o ambiente como ameaçador, o que aumenta a probabilidade de desenvolver ansiedade intensa e ataques de pânico. Muitas pessoas relatam sentir-se permanentemente preocupadas, cansadas ou sobrecarregadas, fatores que podem favorecer o aparecimento desses episódios.

Um dos aspetos mais relevantes é o impacto da hiperconectividade. A constante exposição a notícias negativas, comparações sociais e exigências digitais dificulta momentos de descanso mental e recuperação emocional.

O cérebro humano não foi desenhado para lidar com a estimulação contínua de ameaça.

Quando somos expostos repetidamente a imagens de destruição, sofrimento humano ou instabilidade (mesmo que através de ecrãs) o sistema nervoso reage como se estivéssemos mais próximos do perigo do que realmente estamos. Isso acontece porque a amígdala, responsável por detetar ameaças fica hiperativada, levando a que o cérebro entre numa estado de hipervigilância à procura do próximo sinal de perigo. Pequenas sensações corporais (um aperto no peito, uma tontura, um suspiro mais profundo) passam a ser interpretadas como sinais de risco. Este estado de alerta contínuo cria um terreno fértil para ataques de pânico, que são essencialmente falsos alarmes do sistema de sobrevivência.

O surgimento de novas doenças, de contextos pandémicos e a incerteza sobre riscos reais têm igualmente um impacto profundo na saúde mental. O medo do desconhecido poderá ativar a ansiedade antecipatória (suposições constantes do tipo “e se…”), aumentar a atenção para sintomas corporais ou a tendência para interpretar sensações normais como sinais de doença. Durante períodos de incerteza sanitária, muitas pessoas desenvolvem medo de perder o controlo, medo de adoecer ou medo de não conseguir proteger a família. Estes medos são legítimos, mas quando se tornam persistentes podem desencadear episódios de pânico, especialmente nas pessoas mais vulneráveis ao stress ou com uma maior predisposição para os mesmos.

A pressão para alcançar resultados profissionais, manter uma presença ativa nas redes sociais, lidar com a incerteza económica e responder a múltiplas exigências diárias pode aumentar significativamente os níveis de stress e ansiedade.

Neste contexto, os ataques de pânico podem ser entendidos como um sinal de que o organismo atingiu um limite de adaptação ao stress acumulado. Embora possam surgir de forma inesperada, muitas vezes refletem uma sobrecarga emocional que se foi desenvolvendo ao longo do tempo.

Porque isto importa?

Uma vez que os ataques de pânico podem ocorrer sem motivo aparente e podem ser assustadores para a pessoa, torna-se importante compreender o que acontece no corpo e na mente. Estes episódios são, muitas vezes, uma resposta do organismo a um período prolongado de medo, incerteza, sobrecarga emocional ou uma perceção de insegurança.

Compreender este contexto permite reduzir o estigma e procurar ajuda.

Ninguém deve enfrentar este desafio sozinho, procurar apoio profissional, aprender estratégias de regulação emocional e adotar hábitos saudáveis são medidas que podem fazer uma diferença significativa.

Para terminar…

Num mundo que atualmente se carateriza pela incerteza constante, por conflitos e novas ameaças, é natural que alguns de nós apresentem maior sensibilidade e vulnerabilidade. Compreender como o organismo funciona quando interpreta uma situação de perigo e como reage nos ataques de pânico é o primeiro passo para reduzir o impacto destes episódios.

No Dia Internacional do Pânico, reforça-se a importância de cuidar da saúde mental, com informação adequada e acompanhamento especializado, é possível reduzir os sintomas, recuperar a tranquilidade e voltar a viver com segurança e confiança.

 

Perguntas Frequentes

A ansiedade é um estado prolongado de preocupação ou tensão, enquanto um ataque de pânico é um episódio súbito e intenso que atinge o pico em poucos minutos. No pânico, os sintomas físicos são mais marcados e surgem de forma abrupta, mesmo sem um gatilho claro.

Sim. Muitas pessoas experienciam ataques de pânico noturnos, que surgem sem aviso e acordam a pessoa com sintomas como falta de ar, palpitações ou sensação de perigo iminente. Estes episódios estão associados a períodos de stress acumulado.

O corpo ativa o sistema de “luta ou fuga”, libertando hormonas como adrenalina. Esta resposta é automática e evolutivamente programada para proteger o organismo, mas no pânico é acionada sem necessidade real.

Sim. O consumo contínuo de conteúdos relacionados com violência, crises ou instabilidade aumenta a sensação de ameaça e pode intensificar sintomas de ansiedade, especialmente em pessoas sensíveis ao stress.

Gatilhos emocionais são estímulos – internos ou externos – que ativam memórias, sensações ou medos. Podem ser notícias, sons, pensamentos ou situações que o cérebro interpreta como perigosas, desencadeando respostas de pânico.

Embora não seja possível controlar totalmente a resposta do corpo, estratégias como regulação da respiração, redução da exposição a estímulos stressantes, rotinas estáveis e apoio psicológico podem diminuir a frequência e intensidade dos episódios.

Sim. Situações de instabilidade global, mudanças abruptas na vida ou períodos de stress intenso podem desencadear ataques de pânico mesmo em pessoas sem histórico de ansiedade.

É útil permitir que o corpo recupere, focar na respiração lenta e procurar compreender o contexto emocional que antecedeu o episódio. Se os ataques forem recorrentes, é recomendada avaliação profissional.

 

 

 

 

Artigo por: Dr. Hugo Fardilha (Cédula Profissional nº21161)

 

 

 

 

 

 

 

 

Cessação Tabágica em Portugal: Consultas no SNS, Cigarros Eletrónicos e Fatores de Sucesso

O número de ex-fumadores tem aumentado em Portugal nos últimos anos? Quais são os dados mais relevantes que demonstram esta evolução?

Portugal tem vindo a registar uma tendência positiva na luta contra o tabagismo. Os dados mais recentes mostram que o número de ex-fumadores está a aumentar.

De acordo com o Inquérito Nacional de Saúde de 2019 (disponível no Portal do INE), 21,4% da população portuguesa com 15 ou mais anos identificava-se como ex-fumadora – um crescimento face aos anos anteriores, que reflete não só a crescente consciência dos malefícios do tabaco, mas também o impacto das políticas de saúde pública implementadas nas últimas décadas.

Paralelamente, a percentagem de fumadores ativos diminuiu de cerca de 20% em 2014 para 17% em 2019. No entanto o consumo crescente de novas formas de tabaco pelos mais jovens mostra-nos que ainda temos um longo caminho a percorrer e que devemos continuar a promover políticas de saúde pública que incentivem a cessação do tabagismo e a prevenção do seu início.

Qual é o papel das consultas de cessação tabágica no Serviço Nacional de Saúde, e considera que a atual resposta é suficiente para a procura existente?

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem desempenhado um papel fundamental no combate ao tabagismo através das consultas de cessação tabágica nos centros de saúde e hospitais. Estas consultas são uma ferramenta essencial para:

  • Apoiar quem decide abandonar o vício do tabaco;
  • Oferecer acompanhamento médico, psicológico e farmacológico.

No entanto, a resposta ainda está longe de ser suficiente para a procura existente. Continuam a existir listas de espera, falta de profissionais de saúde e escassez de recursos, o que limita o acesso a programas eficazes. Nesse sentido é essencial reforçar a formação de profissionais nesta área e garantir que todas as pessoas que procuram ajuda possam obtê-la atempadamente.

Para além da dependência física, sabemos que existe uma forte componente comportamental no tabagismo. Como é que os profissionais de saúde abordam estes dois aspetos durante o processo de cessação?

A cessação tabágica não é apenas uma batalha contra a nicotina. A dependência física é importante, mas o comportamento associado ao ato de fumar (os rituais, as rotinas) é igualmente difícil de controlar.

O fumador que deixa de fumar não perde apenas a substância, mas também um “companheiro” em momentos de stress, lazer ou socialização. É por isso que os profissionais de saúde devem adotar uma abordagem integrada, que combine terapêutica farmacológica com intervenções comportamentais e motivacionais. A escuta ativa, a identificação de estímulos emocionais e a construção de estratégias personalizadas são fundamentais para gerir os momentos de fragilidade que inevitavelmente acabam por surgir.

Temos assistido ao surgimento de alternativas ao cigarro tradicional, como os cigarros eletrónicos e produtos de tabaco aquecido. Qual é o impacto destas alternativas no processo de cessação tabágica?

Nos últimos anos, surgiram alternativas ao cigarro tradicional –  os cigarros eletrónicos, o tabaco aquecido, entre outros dispositivos.

Muitos destes produtos são promovidos como “menos nocivos” e até como auxiliares no processo de cessação. No entanto, a evidência científica disponível mostra-nos que estes produtos continuam a expor o organismo a substâncias nocivas.

Além disso, para muitos jovens, estes dispositivos são a porta de entrada para a dependência da nicotina. Ou seja, em vez de funcionarem como transição para o abandono do consumo, podem perpetuar o ciclo de dependência.

Nesse sentido, não são uma solução para deixar de fumar, mas antes um risco de manter a dependência.

Na sua experiência clínica, quais são os principais fatores que levam ao sucesso a longo prazo na cessação tabágica, e que mensagem deixaria a quem está a considerar deixar de fumar?

Os fatores que mais contribuem para o sucesso na cessação tabágica são:

  • Uma motivação forte e bem definida – como por exemplo a saúde, a família ou os filhos;
  • O apoio profissional adequado;
  • O envolvimento de familiares e amigos;
  • A capacidade de aprender com os erros e recaídas, encarando-os como parte do processo, e não como falhas.

Cada pessoa tem o seu tempo e o seu percurso, e a empatia é essencial para construir uma relação terapêutica de confiança.

Para refletir…

A quem está a considerar deixar de fumar, deixo uma mensagem clara: é possível!

Não importa quantas vezes tentou no passado. Cada tentativa é um passo mais próximo do sucesso. Procure ajuda, informe-se, envolva-se. Não se trata apenas de evitar doenças, mas de recuperar autonomia, qualidade de vida e liberdade.

O primeiro cigarro foi uma escolha. O último também pode ser.

 

Perguntas Frequentes

A vontade intensa (craving) tende a diminuir significativamente nas primeiras 2 a 4 semanas, mas pode surgir ocasionalmente durante meses. O importante é reconhecer que estes impulsos são temporários e que existem estratégias eficazes para os ultrapassar.

Sim, é relativamente comum ganhar algum peso, sobretudo nos primeiros meses. Isto acontece porque o metabolismo desacelera ligeiramente e muitas pessoas substituem o cigarro por alimentos. No entanto, com acompanhamento nutricional e atividade física regular, este aumento pode ser mínimo e temporário.

Ambas as estratégias podem resultar, dependendo da pessoa. Algumas conseguem parar de um dia para o outro, enquanto outras beneficiam de uma redução gradual. O mais importante é ter um plano estruturado e apoio profissional.

Os tratamentos aprovados – como terapêutica de substituição de nicotina ou medicamentos prescritos – são considerados seguros quando usados sob orientação médica. Os riscos são muito inferiores aos do consumo continuado de tabaco.

Sim. Mesmo consumos ocasionais aumentam o risco de doenças cardiovasculares e podem facilmente evoluir para um padrão diário. Não existe um nível “seguro” de exposição ao tabaco.

Oferecer apoio emocional, evitar julgamentos, ajudar a identificar gatilhos e celebrar pequenas conquistas faz uma grande diferença. A presença de uma rede de suporte é um dos fatores mais fortes de sucesso.

Alguns benefícios são quase imediatos: em 20 minutos a tensão arterial melhora; em 48 horas o olfato e o paladar começam a recuperar; ao fim de algumas semanas a respiração torna-se mais fácil. A longo prazo, o risco de doenças cardiovasculares e cancro diminui de forma significativa.

 

 

 

 

Artigo por: Dr. José Coutinho Costa (Cédula Profissional nº56304)

 

 

 

 

 

 

 

 

Cancro do Pulmão: A Importância da Deteção Precoce e da Vigilância da Saúde Respiratória

O Cancro do Pulmão continua a ser a principal causa de morte por doença oncológica em Portugal, representando um desafio significativo para a saúde pública. Em cerca de 70% a 80% dos casos, o diagnóstico é feito em estádios avançados, o que contribui para uma taxa de sobrevivência aos 5 anos entre 15% e 18%.

Grande parte desta realidade deve-se ao facto de muitos sintomas serem pouco específicos, passarem despercebidos ou serem atribuídos a outras condições respiratórias.

Sintomas que não devem ser Ignorados

Embora muitas pessoas associem o Cancro do Pulmão a sinais evidentes, como tosse persistente ou perda de peso, a verdade é que os sintomas podem ser subtis. Entre os sinais que merecem atenção incluem-se:

  • Fadiga persistente;
  • Pieira ou sensação de “chiar” ao respirar;
  • Esputo com sangue;
  • Desconforto torácico ou sensação de pressão nos pulmões.

Estes sintomas podem surgir de forma isolada e não devem ser desvalorizados, sobretudo em pessoas com fatores de risco.

Não afeta apenas Fumadores

Apesar do tabagismo ser o principal fator de risco, o Cancro do Pulmão não é exclusivo de fumadores. Também pode afetar:

  • Ex-fumadores – mesmo anos após deixarem de fumar;
  • Não fumadores – expostos a poluição, fumo passivo ou outros agentes ambientais.

Por isso, a vigilância respiratória é essencial para todos, independentemente do histórico tabágico.

A Importância da Tomografia Computorizada (TAC)

A Tomografia Computorizada (TAC)  é um dos exames mais importantes na deteção precoce de alterações pulmonares. Trata-se de um método de imagem tridimensional que permite:

  • Identificar micronódulos pulmonares;
  • Detetar massas mediastínicas;
  • Avaliar estruturas com elevada precisão;
  • Observar alterações que não são visíveis num raio-x.

Graças à sua elevada resolução, a TAC oferece uma acuidade diagnóstica superior, permitindo identificar lesões em fases iniciais – momento em que o tratamento pode ser mais eficaz.

Profissionais de Radiologia desempenham um papel fundamental neste processo, realizando diariamente exames que contribuem para a deteção precoce e, consequentemente, para salvar vidas.

Dia Mundial Sem Tabaco: um Lembrete para Cuidar da Saúde Pulmonar

No Dia Mundial Sem Tabaco, reforça-se a importância de proteger os pulmões e adotar hábitos que promovam a saúde respiratória. A vigilância regular, a atenção aos sintomas e a realização de exames quando indicados são passos essenciais para uma deteção precoce e para a redução do impacto desta doença.

Cuidar dos pulmões é cuidar da vida.

 

Artigo por: Técnico de Radiologia Carlos Oliveira (C-073959146)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Consulta do Viajante: Disponível no CMP São João da Madeira

O CMP de São João da Madeira disponibiliza agora Consulta do Viajante, orientada pelo Dr. Miguel Leonardo Costa dos Santos (O.M 71763), médico com experiência em aconselhamento préviagem e prevenção de riscos associados a destinos internacionais.

Viajar para determinados países pode exigir cuidados específicos, como vacinação adequada, profilaxia, prevenção de doenças endémicas e orientação sobre segurança alimentar, hídrica e ambiental. A Consulta do Viajante permite avaliar o destino, a duração da viagem, o tipo de atividades previstas e o estado de saúde do viajante, garantindo uma preparação segura e informada.

O que é avaliado na Consulta do Viajante

  • Necessidade de vacinas obrigatórias ou recomendadas;
  • Profilaxia da malária e outras doenças endémicas;
  • Prevenção de doenças transmitidas por mosquitos;
  • Cuidados com água, alimentos e higiene;
  • Riscos associados a altitude, clima ou exposição solar;
  • Medicação a levar em viagem;
  • Recomendações específicas para crianças, grávidas ou pessoas com doenças crónicas.

Para quem é indicada

  • Viajantes para África, Ásia, América do Sul, América Central e destinos tropicais;
  • Pessoas com doenças crónicas que necessitam de avaliação pré-viagem;
  • Viajantes em trabalho, voluntariado ou estadias prolongadas;
  • Famílias que viajam com crianças;
  • Qualquer pessoa que pretenda viajar com segurança e informação atualizada.

A Consulta do Viajante deve ser realizada idealmente 4 a 6 semanas antes da viagem, permitindo tempo para vacinação e preparação adequada.

 

Perguntas Frequentes

A Consulta do Viajante é uma avaliação médica especializada destinada a preparar viajantes para destinos internacionais, especialmente países com riscos específicos para a saúde.

A consulta permite identificar riscos e definir medidas preventivas adequadas ao destino, ao tipo de viagem e ao estado de saúde do viajante.

A preparação pré-viagem reduz riscos, evita complicações de saúde e permite viajar com maior segurança com uma abordagem rigorosa, atualizada e adaptada ao perfil de cada viajante.

Dependendo do destino, podem ser recomendadas vacinas como:

  • Febre amarela (obrigatória em vários países);
  • Hepatite A e B;
  • Tétano e difteria;
  • Febre tifóide;
  • Raiva;
  • Encefalite japonesa.

As recomendações variam conforme o país, o tipo de viagem e o estado de saúde do viajante.

Sim. O médico avalia o risco de malária no destino e, se necessário, prescreve a profilaxia adequada, explicando como e quando tomar a medicação.

Sim. A Consulta do Viajante inclui orientação específica para crianças e adolescentes, com recomendações adaptadas à idade e ao destino.

 

 

 

 

Hipertensão: Guia Completo para Prevenção e Tratamento

A Hipertensão Arterial (HTA) é um dos motivos mais frequentes de consulta e uma das maiores fontes de preocupação para os doentes em Portugal. Estima-se que cerca de 40% da população adulta portuguesa sofra desta patologia, sendo que menos de metade está medicada e apenas 11% apresenta valores bem controlados. A prevalência aumenta drasticamente com a idade: atinge 60% após os 60 anos e cerca de 75% nos indivíduos com mais de 75 anos. Muitas vezes apelidada de “assassino silencioso”, a hipertensão pode passar despercebida durante anos, enquanto causa danos progressivos em órgãos vitais como o coração, o cérebro e os rins. É um dos principais fatores de risco para AVC, enfarte do miocárdio, insuficiência cardíaca, insuficiência renal e, segundo os dados recentes, para a doença de Alzheimer e demência vascular. A HTA danifica os vasos sanguíneos cerebrais, reduzindo o fluxo sanguíneo e causando inflamação. O controlo rigoroso da pressão arterial, especialmente na meia-idade, pode ajudar a prevenir ou retardar o declínio cognitivo. Este guia pretende desmistificar conceitos, ensinar a medir a pressão arterial corretamente e fornecer estratégias para o tratamento eficaz.

O que é a Hipertensão Arterial?

A Hipertensão consiste na elevação persistente da pressão (acima do normal) que o sangue exerce nas paredes das artérias. Apesar de seguirmos os valores recomendados pela Sociedade Europeia (2024) é importante saber interpretá-los com bom senso e de forma individualizada.

Classificação da Pressão Arterial

  • Pressão arterial não elevada
  • PAS < 120 mmHg e PAD < 70 mmHg
  • Pressão arterial elevada
  • PAS 120-139 mmHg ou PAD 70-89 mmHg
  • Hipertensão
  • PAS >= 140 mmHg e PAD >= 90 mm Hg

*PAS – pressão arterial sistólica | PAD – pressão arterial diastólica

A pressão arterial não é um valor estático; tal como os níveis de glicose variam ao longo do dia influenciados pelas refeições, os valores tensionais oscilam significativamente conforme o estado emocional, stress, esforço físico ou o estado de repouso.

É difícil resumir todas as informações das “Guidelines” mas deixamos aqui as 4 mensagens principais:

1. Importância da medição da pressão arterial fora do consultório utilizando com mais frequência a auto medição da pressão arterial (AMPA) e a medição ambulatória da pressão arterial (MAPA).

2. Importância do tratamento personalizado. Nestas recomendações há uma crescente ênfase na necessidade de individualização do tratamento, tendo em consideração o perfil de cada doente, incluindo fatores como as comorbilidades, a idade e o risco cardiovascular. Por exemplo, doentes com risco cardiovascular elevado ou que tenham diabetes ou doença renal crónica devem ser alvo de estratégias mais agressivas de controlo da PA e dos outros fatores de risco.

3. Novos valores-alvo de pressão arterial, individualizados a cada doente. Em doentes mais jovens e de alto risco, deve-se tentar reduzir a PA sistólica para menos de 130 mmHg, desde que tolerado. Em doentes idosos (acima de 65 anos), o objetivo deve estar entre 130-140 mmHg, para minimizar os efeitos secundários, como tonturas ou quedas. O uso da medição em ambulatório (AMPA e MAPA) pode ajudar a definir este novo valor alvo e monitorizar a eficácia terapêutica.

4. Utilização mais frequente de combinações de fármacos (combinações de dose fixa).

Quais são os Sintomas da Hipertensão?

Um dos maiores desafios no combate à hipertensão é o seu caráter frequentemente assintomático. A ideia de que a pressão alta causa obrigatoriamente dores de cabeça ou outros sinais claros é um mito que pode ser perigoso:

  • O Mito da Cefaleia: Muitos doentes acreditam que “sabem” quando têm a tensão alta devido a dores de cabeça. Este facto não tem relevância médica diagnóstica e serve apenas para preocupar o doente;
  • Relação Causa-Efeito: Tanto a dor de cabeça quanto a HTA são condições muito comuns e a sua ocorrência simultânea raramente indica uma relação direta de causa e efeito;
  • Sinais Equivocados: Sangramentos nasais ou na conjuntiva ocular são frequentemente atribuídos à hipertensão, gerando receios infundados de hemorragias cerebrais imediatas.
  • Raridade de Sintomas: Uma verdadeira “cefaleia hipertensiva” é extremamente rara, ocorrendo geralmente apenas em situações de hipertensão maligna.

Como saber se tenho Hipertensão?

O diagnóstico da hipertensão não deve basear-se em medições isoladas, especialmente se feitas sob stress emocional ou físico. É importante distinguir Hipertensão Arterial (tabela), Hipertensão de Bata Branca e Hipertensão Mascarada.

  • Hipertensão de Bata Branca (HB): É comum os valores subirem apenas na presença do profissional de saúde. Existem casos documentados de doentes com 205/100 mmHg no consultório, mas com médias diurnas normais de 128/68 mmHg em casa;
  • Hipertensão de Mascarada (HM): valores normais no consultório e elevados fora do consultório. Estes dois padrões são bastante comuns (HB e HM) embora o segundo, menos conhecido, ocorra tanto em indivíduos não tratados como em doentes que tomam medicação anti hipertensora. São apontadas taxas de prevalência de 10-30% para a HBB e de 10–15%, para a HM. Quando não foi reconhecida a HBB em indivíduos com baixo risco cardiovascular, o tratamento anti hipertensor poderá ter sido iniciado ou intensificado sem benefícios substanciais, ou mesmo, expondo o individuo a possíveis efeitos iatrogénicos desnecessários. Por outro lado, o não reconhecimento da HM pode ter consequências graves para a saúde cardiovascular da comunidade, uma vez que a HM se associa a um risco CV global semelhante ao verificado na hipertensão arterial sustentada;

É hoje consensual que a MAPA deve ser utilizada para identificar/confirmar a hipertensão de bata branca, a hipertensão mascarada bem como os fenótipos de HTA noturna (por exemplo, na apneia do sono) e no estudo da resposta hipertensiva verificada durante uma prova de esforço. A repetição do exame e a automedição podem ser necessárias devido à limitada reprodutibilidade destas formas de apresentação.

  • AMPA (Automedição): A medição no domicílio é atualmente considerada mais precisa e um melhor indicador do risco cardiovascular do que a realizada no consultório;
  • MAPA (Monitorização Ambulatória): Permite avaliações baseadas num maior número de registos automáticos durante 24 horas, melhorando a precisão diagnóstica.

Como medir a Pressão Arterial corretamente para vigiar a Hipertensão?

A medição correta é crucial para evitar alarmismo desnecessário. Um estudo de 2024 revelou que apenas 4,1% das clínicas seguiam as metodologias padrão, realçando a necessidade de o doente ser o protagonista da sua vigilância.

Regras para uma medição fiável:

  • Repouso Absoluto: Deve estar sentado e em descanso durante, pelo menos, 5 minutos antes da medição;
  • Ambiente e Postura: Procure um local tranquilo. Braço apoiado à altura do coração;
  • Abstinência Prévia: Não fume, não consuma café ou álcool e não pratique exercício físico nos 30 minutos antecedentes;
  • Protocolo das 3 Medições: Faça 3 medições consecutivas, separadas por um intervalo de 30 segundos entre cada uma. Registe todos os valores para análise médica;
  • Momento do Bem-Estar: Resista ao impulso de medir a pressão em momentos de dor ou stress. O médico necessita dos valores obtidos nos “bons momentos” para titular a medicação.

Como baixar a Pressão Alta rapidamente e tratar a Hipertensão?

Perante um valor isolado elevado, o segredo é o descanso e a calma. O tratamento da hipertensão é uma maratona, não um sprint.

  • Estilo de Vida: A adoção de hábitos saudáveis (menos sal, mais exercício, perder peso) previne o aparecimento da doença e reduz o risco de complicações. A redução do sal também “potencia” os efeitos da medicação anti hipertensora – sabia que a quase totalidade dos medicamentos perde efeito terapêutico em presença de uma dieta com excesso de sal (geralmente considerada pelo doente como “sal normal ou com pouco sal”);
  • Adesão Terapêutica: Como a doença é silenciosa, muitos abandonam o tratamento por “se sentirem bem”, o que aumenta o risco de AVC ou enfarte;
  • Futuro da Monitorização: Estão iminentes novos equipamentos de medição contínua e impercetível, embora ainda careçam de fiabilidade para substituição dos métodos atuais.

 

Perguntas Frequentes

Sim. A Hipertensão crónica não controlada lesa as artérias cerebrais, sendo um dos maiores indicadores de risco para o Acidente Vascular Cerebral e Demência.

É uma patologia crónica. Embora não tenha cura definitiva, o tratamento adequado reduz drasticamente a mortalidade e o risco de insuficiência renal e cardíaca.

Sim, com moderação. Contudo, deve evitar-se a ingestão 30 minutos antes da medição para garantir que os valores registados são reais.

Sempre que detetar valores persistentemente elevados em repouso. O uso de registos de automedição corretamente realizados ajudará o médico na decisão clínica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Artigo por: Prof. Dr. Ovídio António Ferreira Costa (Cédula Profissional nº13419)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fibromialgia: Sintomas, Diagnóstico e como Distinguir de outras Doenças

A Fibromialgia é uma condição crónica caracterizada por dor generalizada no corpo, fadiga persistente e alterações no sono e na perceção da dor. Apesar de ser amplamente reconhecida pela comunidade médica internacional, continua a ser uma das doenças mais difíceis de identificar corretamente na fase inicial.

Em Portugal, tal como noutros países, muitas pessoas passam por um longo processo até obterem um diagnóstico correto, devido à semelhança dos sintomas com outras patologias.

Quais são os Sintomas mais comuns da Fibromialgia?

A Fibromialgia não se manifesta de forma igual em todas as pessoas, mas apresenta sinais característicos:

  • Dor muscular e articular difusa (em todo o corpo);
  • Sensibilidade aumentada ao toque;
  • Fadiga intensa, mesmo após descanso;
  • Dificuldade em dormir ou sono não reparador;
  • “Névoa mental” (dificuldade de concentração e memória);
  • Rigidez corporal, sobretudo de manhã;
  • Dores de cabeça frequentes;
  • Alterações do humor (ansiedade ou depressão associadas);
  • Alterações digestivas, tal como síndrome do colon irritável (diarreia/obstipação).

É importante referir que a dor não está associada a lesões visíveis, o que contribui para a confusão no diagnóstico.

Fibromialgia ou outra Doença?

Um dos maiores desafios clínicos é distinguir a Fibromialgia de outras doenças com sintomas semelhantes. Algumas condições frequentemente confundidas incluem:

1. Artrite Reumatoide
  • Tem inflamação visível nas articulações;
  • Pode apresentar deformações articulares;
  • Exames laboratoriais ajudam no diagnóstico.

Na fibromialgia, não há inflamação objetiva.

2. Síndrome de Fadiga Crónica
  • Fadiga extrema predominante;
  • Menos foco em dor generalizada;
  • Forte impacto no sistema imunitário.
3. Hipotiroidismo
  • Cansaço, aumento de peso, frio excessivo;
  • Confirmado por análises hormonais.
4. Transtorno Depressivo Maior
  • Pode causar dor física e fadiga;
  • Mas a origem primária é emocional/psicológica.

A fibromialgia distingue-se porque combina dor generalizada + fadiga + distúrbios do sono + sintomas cognitivos de forma persistente.

Como é feito o Diagnóstico?

Até ao momento não existe um exame específico para confirmar a Fibromialgia. O diagnóstico é clínico e baseia-se em:

  • Duração da dor (mais de 3 meses);
  • Distribuição generalizada dos sintomas;
  • Exclusão de outras doenças;
  • Avaliação dos sintomas associados.

Os critérios mais usados internacionalmente são os do American College of Rheumatology, amplamente aceites na prática médica.

O que causa a Fibromialgia?

A causa exata ainda não é totalmente conhecida, mas a investigação médica indica que se trata de uma alteração no processamento da dor pelo sistema nervoso central.

Fatores associados incluem:

  • Predisposição genética;
  • Stress prolongado;
  • Traumas físicos ou emocionais;
  • Distúrbios do sono;
  • Infeções prévias.

Não é uma doença psicológica, embora fatores emocionais possam influenciar os sintomas.

Fibromialgia em Portugal: Prevalência, Sintomas e Impacto Real na População

Em Portugal, a evidência científica disponível mostra que não se trata de uma condição rara, mas sim de um problema de saúde com impacto relevante na população adulta.

Os dados mais robustos disponíveis provêm do estudo nacional EpiReumaPt, coordenado pela Sociedade Portuguesa de Reumatologia, que analisou doenças reumáticas na população portuguesa.

Segundo este estudo:

  • A prevalência estimada de Fibromialgia em Portugal é de 1,7% da população adulta (com intervalo entre 1,3% e 2,1%);
  • Outras estimativas, com base em revisões clínicas e literatura médica, apontam para valores entre 1,7% e 6% da população;
  • Alguns dados clínicos internacionais aplicados a Portugal sugerem que pode afetar até 5%–6% dos adultos, dependendo dos critérios utilizados.

Em termos absolutos, isto pode representar centenas de milhares de pessoas em Portugal a viver com Fibromialgia.

Quem é mais Afetado?

Os dados nacionais e internacionais são consistentes em vários pontos:

  • Predominância no sexo feminino (cerca de 80% a 90% dos casos);
  • Maior incidência entre os 30 e os 60 anos;
  • Associação frequente com outras condições como ansiedade e depressão.

Em estudos realizados em Portugal, a maioria dos doentes avaliados em contexto clínico são mulheres com idade média em torno dos 50-60 anos.

Como Viver com Fibromialgia no Dia-a-Dia

Embora não exista cura, é possível reduzir significativamente o impacto da doença.

Estratégias com melhor evidência incluem:

  • Atividade física leve e regular (adaptada à tolerância);
  • Gestão do sono e rotinas consistentes;
  • Técnicas de redução de stress (respiração, mindfulness);
  • Fisioterapia e alongamentos;
  • Acompanhamento psicológico quando necessário.

O objetivo não é eliminar completamente a dor, mas melhorar a funcionalidade e qualidade de vida.
Pode ser conveniente utilizar fármacos durante alguns períodos, mas apenas para controlar alguns sintomas e não para curar a doença.

Conclusão

A Fibromialgia é uma condição real, complexa e muitas vezes confundida com outras doenças. O reconhecimento dos sintomas e a diferenciação correta são fundamentais para evitar atrasos no diagnóstico e iniciar uma gestão eficaz.

Quanto mais cedo os sintomas são compreendidos e enquadrados corretamente, maior é a probabilidade de controlo e melhoria da qualidade de vida.

 

Perguntas Frequentes

Não. A Fibromialgia não tem cura conhecida. No entanto, os sintomas podem ser controlados de forma eficaz com uma abordagem multidisciplinar que inclui exercício físico, gestão do sono, medicação e apoio psicológico.

O diagnóstico é clínico e baseia-se na presença de dor generalizada durante mais de 3 meses, associada a sintomas como fadiga, distúrbios do sono e alterações cognitivas. Não existe um exame específico para confirmar a doença.

Não. Exames de sangue, análises ou imagiologia não detetam fibromialgia. Estes testes são usados apenas para excluir outras doenças com sintomas semelhantes.

Não. A Fibromialgia é uma síndrome de dor crónica com origem no processamento da dor pelo sistema nervoso. No entanto, fatores como stress, ansiedade ou depressão podem agravar os sintomas.

A doença é mais comum em mulheres entre os 30 e os 60 anos. Também pode estar associada a fatores como stress prolongado, traumas físicos ou emocionais e predisposição genética.

Sim, os sintomas podem oscilar e agravar-se em períodos de maior stress, falta de sono ou inatividade física. No entanto, com acompanhamento adequado, é possível estabilizar e melhorar a qualidade de vida.

 

 

 

 

Artigo por: Drª. Maria Lúcia Carvalho Dias Costa (Cédula Profissional nº31715)

 

 

 

 

 

 

 

 

Asma Infantil: Sintomas, Fatores de Risco e Importância do Diagnóstico Precoce

A Asma Infantil é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas que pode manifestar-se de forma discreta ou através de sintomas mais evidentes. Em muitas crianças, os sinais iniciais passam despercebidos ou confundem-se com constipações frequentes, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do acompanhamento adequado.

Este artigo explica, de forma clara e acessível, como identificar sinais de alerta, quais os fatores de risco e porque é essencial procurar avaliação pediátrica quando surgem dúvidas.

O que é a Asma Infantil?

A Asma é uma doença crónica caracterizada por:

  • Inflamação das vias aéreas;
  • Obstrução do calibre brônquico;
  • Hiper-reactividade brônquica.

Estas alterações levam ao aparecimento de sintomas como falta de ar, pieira e tosse persistente. O diagnóstico é mais frequente em crianças em idade escolar, geralmente a partir dos 6 anos.

Sintomas: quando desconfiar de Asma?

Os sintomas podem ser subtis ou aparecer apenas em situações específicas. Entre os mais comuns encontram-se:

  • Cansaço acima do esperado durante o exercício físico;
  • Tosse noturna persistente, mesmo sem constipação;
  • Pieira (chiado ao respirar);
  • Falta de ar;
  • Sensação de aperto no peito.

Estes sinais podem surgir isoladamente ou associados a fatores desencadeantes.

Triggers mais frequentes

Os sintomas de Asma podem surgir de forma súbita e estão frequentemente associados a:

  • Exercício físico;
  • Riso ou choro;
  • Alergénios (pólen, ácaros, animais);
  • Poluição;
  • Alterações meteorológicas;
  • Infeções virais comuns.

Asma ou apenas Constipações frequentes?

É comum que crianças pequenas apresentem episódios de bronquiolite ou hiper-reactividade brônquica sem que isso signifique evolução para Asma. Contudo, quando os sintomas são recorrentes, persistentes ou surgem sem infeção associada, é fundamental uma avaliação médica.

Fatores de risco para desenvolver Asma

Alguns elementos aumentam a probabilidade de evolução para Asma:

  • História familiar de Asma ou alergias;
  • Rinite alérgica ou eczema atópico;
  • Exposição a alergénios;
  • Poluição ambiental;
  • Ausência de aleitamento materno.

Nenhum destes fatores, isoladamente, confirma o diagnóstico, mas ajudam a identificar crianças que necessitam de vigilância mais próxima.

Como se confirma o diagnóstico?

O acompanhamento pediátrico é essencial para:

  • Avaliar a evolução dos sintomas;
  • Distinguir Asma de outras doenças respiratórias;
  • Identificar fatores desencadeantes;
  • Realizar Provas Funcionais Respiratórias, quando indicadas.

Um diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento adequado, reduzir crises, evitar idas ao hospital e melhorar significativamente a qualidade de vida da criança.

Porque é importante tratar?

Com acompanhamento adequado, é possível:

  • Controlar os sintomas;
  • Reduzir o número de crises;
  • Evitar limitações na atividade física;
  • Melhorar o sono e o bem-estar geral;
  • Diminuir admissões hospitalares.

A intervenção precoce é a chave para garantir que a criança mantém uma vida ativa, saudável e sem limitações.

Não ignore os sinais da Asma

A Asma Infantil pode apresentar-se de forma discreta, mas o reconhecimento dos sintomas e a avaliação médica atempada fazem toda a diferença. Se o seu filho apresenta tosse persistente, pieira, cansaço exagerado ou dificuldade respiratória, procure orientação pediátrica para um diagnóstico seguro e adequado.

 

Perguntas Frequentes

Habitualmente, numa criança constipada, podemos ter tosse, congestão nasal, ou seja, nariz entupido, alguma rinorreia e febre. Contudo, numa Asma, muitas das vezes temos estes sintomas, mas associam-se ainda a falta de ar, a pieira (o chiar a respirar) e também a sensação de opressão torácica, ou seja, de aperto no peito.

Numa crise de falta de ar é importantíssimo tentar deixar a criança o mais tranquila possível. Levá-la para um ambiente que esteja calmo, tranquilo, com ar fresco, sobretudo e se possível. Sempre que conseguirmos, fazer a terapêutica de resgate, ou seja, a terapêutica em SOS que tínhamos já em casa. Se isso não for possível, porque é o primeiro episódio, o ideal é a criança ser vista em contexto de urgência.

Apesar do exercício físico poder ser um fator que despoleta a Asma, as crianças com este diagnóstico não estão proibidas da sua prática. Muitas das vezes pode ser necessário a realização de algum tipo de medicação, antes do exercício físico, para que a criança consiga praticar sem qualquer tipo de sintoma.

Quando existe histórico familiar, ou seja, quando algum elemento da família da criança é asmático ou com algum tipo de rinite alérgica ou eczema atópico, isso pode fazer com que a criança tenha um risco superior ao normal.

O diagnóstico da Asma deve ser realizado por Provas Funcionais Respiratórias. Por esse motivo muitas das vezes o mesmo só é realizado a partir da idade escolar (a partir dos 6 ou 7 anos de idade). Isto porque em muitas das vezes, em crianças mais novas, podemos ter alguns sintomas suspeitos, mas não temos a colaboração da criança para a realização das Provas Funcionais Respiratórias e conseguirmos assim obter o diagnóstico definitivo.

 

 

 

 

Artigo por: Drª. Diana Henriques Pinto (Cédula Profissional nº62381)